Debate

Repórter do esporte interativo é beijada à força durante cobertura

por: Kauê Vieira


Na última terça-feira, a repórter Bruna Dealtry participava de mais uma cobertura do futebol brasileiro. O jogo da vez era entre o Vasco da Gama e a Universidad do Chile pela Libertadores.

Enquanto dava detalhes sobre a concentração da torcida no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, a jornalista foi surpreendida por um torcedor sem camisa e acabou beijada à força.

“Isso não precisava, né? Não foi legal?” Constrangida e bastante sem jeito com o assédio sofrido, a repórter lamentou bastante o ocorrido, mas seguiu com o noticiário do clube carioca, derrotado por 1 a 0. Mais tarde, Bruna Dealtry recorreu ao Instagram para desabafar contra a violência sofrida ao vivo.

A repórter foi atacada pelo torcedor do Vasco ao vivo

“Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada,” disse em seu perfil  na rede social.

Em entrevista concedida ao portal UOL, Bruna confidenciou ainda que se sentiu acuada após o encerramento da entrada ao vivo.

“Quando saí de frente da câmera, olhei em volta e tinha um monte de homem. Fui dando conta do que poderia acontecer comigo ali. Se um cara fez aquilo em frente a uma câmera, imagine com ela desligada”

Por meio de seu perfil oficial no twitter, o Clube de Regatas Vasco da Gama condenou o assédio do torcedor, se colocando à disposição para tomar todas as atitudes necessárias.

Em nota oficial, o Esporte Interativo pediu respeito para todas as mulheres que trabalham com esporte, além de ter reafirmado seu compromisso com a presença de profissionais do sexo feminino no esporte.

“O Esporte Interativo lamenta o episódio em que um homem desrespeitou a repórter Bruna Dealtry, enquanto ela estava ao vivo, trabalhando, na partida entre Vasco da Gama x Universidad do Chile. Temos um time grande de mulheres trabalhando nas mais diversas funções, inclusive na frente das câmeras, e temos plena confiança na competência dessas profissionais que, nas ruas ou nos estádios, enfrentam dificuldades comuns da profissão. Não está entre as dificuldades de um repórter ser atacado no meio do trabalho, ser desrespeitado ou ser assediado de nenhuma maneira. Assim como a Bruna, ainda nos espantamos diante de uma brutalidade, mas não nos calamos. O Esporte Interativo é emoção, entretenimento e irreverência, mas faz tudo isso com educação e respeito. A nossa ideia é que a diversão seja para todos e não só para alguns. Ontem, ninguém se divertiu. Pedimos respeito a todos os profissionais, a todas as mulheres e que siga o jogo dentro das regras, confiando nas pessoas e no espírito esportivo.”

Após a repercussão negativa, o torcedor vascaíno utilizou as redes sociais para se desculpar.

Infelizmente este não é um caso isolado. No último fim de semana a jornalista da Rádio Gaúcha, Renata Medeiros, foi agredida com um soco por um torcedor do Internacional durante partida contra o Grêmio, em Porto Alegre.

Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé… sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.

A post shared by Bruna Dealtry (@brunadealtry) on


Publicidade

Foto: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Mulher tenta retirar prêmio da Mega-Sena com falsificação bizarra e viraliza