Matéria Especial Hypeness

6 indústrias e negócios que boicotam a legalização da maconha

por: Mari Dutra

Caso você não saiba, dia 20 de abril (ou seja, hoje) é considerado como o Dia da Maconha.

Isso acontece porque, no formato de data americano, o dia seria escrito como 4/20, termo que também é usado para designar a erva – mas a Folha conta essa história em detalhes para quem ainda não conhece.

Acontece que, aqui no Brasil, ainda esbarramos em leis que barram o uso da maconha. Por quê? A resposta pode estar no dinheiro injetado por algumas indústrias e negócios que boicotam a legalização, de acordo com uma reportagem publicada pela High Times.

A pesquisa foi realizada tomando como base os Estados Unidos, mas muitas afirmações também valem para nosso país tropical. Descubra quais são as indústrias que só têm a lucrar com a criminalização.

1. Algodão

O Brasil está entre os cinco maiores produtores mundiais de algodão. Porém, as fibras de maconha têm uma performance melhor do que o algodão não-orgânico na criação de roupas, além de ser mais sustentável. Segundo a revista, mais de 25% dos inseticidas e 10% dos pesticidas do mundo são usados na fabricação de algodão não-orgânico e suas plantações usam o dobro de espaço que seria necessário em uma plantação de maconha para os mesmos fins.

Aqui no Brasil, o cânhamo (fibra da cannabis) é proibido pela Anvisa, mas a marca Kanhamus já vendia roupas feitas com a substância em 2014. Isso acontece porque algumas marcas conseguem importar o produto pronto, segundo aponta uma reportagem do Metrópoles. O uso dessa fibra é tão antigo que ela pode ter feito as primeiras roupas do mundo – e também foi usada nas calças originais da Levi’s.

2. Plástico

A indústria do plástico já está em decadência nos últimos anos e a tendência é que essa crise só piore à medida que mais consumidores forem percebendo os seus impactos para o meio ambiente. Até mesmo o LEGO já está apostando em alternativas mais sustentáveis para suas criações – e o novo material dos brinquedos pode conter maconha.

Alguns produtos no mundo já utilizam plástico feito de cânhamo industrial, que, segundo o site Cannabis Tech, é reciclável E biodegradável. Ou seja, muito melhor do que o plástico convencional, que ninguém sabe exatamente por quanto tempo permanece no mundo.

3. Soja

Essa eu garanto que você não sabia: as sementes de maconha são também um superalimento, como informa uma reportagem do GNT. Como não contém THC, ela não dá larica e, ao invés disso, sacia a fome. Também possuem alto teor em fibras e proteínas, ômega 3 e ômega 6, entre outras vitaminas. Graças a isso, é um ótimo alimento para vegetarianos.

Só que, infelizmente, o Brasil ainda aposta na soja. Nossa produção deve ultrapassar a dos Estados Unidos nos próximos 10 anos e, assim, nos tornaríamos o maior produtor mundial de soja do mundo. O problema reside na maneira como essa semente é plantada, com o uso de agrotóxicos e predomínio de variedades transgênicas, que contribuem para a perda da biodiversidade

4. Combustíveis

A contribuição dos combustíveis fósseis para o aquecimento global pode ser de até 30% das emissões de gases do efeito estufa. O próprio Henry Ford já habia bolado um ótimo substituto para estes combustíveis: o cânhamo, claro.

Ele chegou a criar um carro feito quase que inteiramente de plástico de maconha (parece absurdo, mas é real). E o veículo poderia rodar usando combustível da erva – que, segundo estudos da Universidade da Califórnia, não perde em performance para os combustíveis comuns.

5. Papel

Você já deve saber que o primeiro papel do mundo foi feito de cânhamo, não? Mas, mesmo que essa planta tão querida por nós produza quatro vezes mais papel do que árvores convencionais, ela não está sendo usada para esse fim.

Estas indústrias não querem o cânhamo legalizado, mas mudar como o papel é produzido para incluir o cânhamo pode ajudar a mudar o setor. Salve uma árvore, plante maconha“, brinca o High Times.

6. Construção

Os tijolos de LEGO não são os únicos que podem se beneficiar do uso do cânhamo industrial. Mais sustentável do que a madeira, o concreto de maconha (ou hempcrete) já é uma realidade e foi usada com sucesso em uma comunidade em Santa Barbara.

Entre os benefícios do material está o fato de ser resistente a mofo, insetos e fogo, além de ser apresentar boa eficiência energética e não ser tóxico. Quem aí não gostaria em morar em uma casa de maconha assim?

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Fotos CC0


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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