Debate

‘Acabou o tráfico!’: Apreensão de maconha pela PM-MG vira piada nas redes

por: Kauê Vieira

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O anúncio de uma ocorrência por meio da página do Facebook a polícia militar de Baependi, cidade ao Sul de Minas Gerais, virou motivo de gozação nas redes sociais. 

“PM DE BAEPENDI REALIZA PRISÃO DE CIDADÃO POR USO DE DROGAS”, era a manchete de um longo texto ressaltado o trabalho da instituição no combate ao tráfico de drogas. Porém uma coisa chamou a atenção, a pessoa detida portava apenas um dichavador – instrumento usado para ralar a maconha e prepará-la para o consumo, acompanhado de restos de erva.

Polícia de Minas Gerais prendeu cidadão que portava dichavador

“No imóvel, a equipe policial encontrou 1 dichavador, contendo em seu interior resquícios de substância com odor características de serem maconha. Foi dada voz de prisão ao infrator, apreendido o material ilícito e encaminhados ao quartel para registro do fato, ocasião em que o cidadão disse ser usuário de maconha”, seguia o texto.

Aparentemente cômica, a situação é alarmante, pois ressalta o quão enraizada está a prática de encarceramento no Brasil. Com mais de 700 mil presos, o país é dono da terceira maior população carcerária do mundo, ao mesmo tempo em que se situa entre os mais violentos do planeta. Em função sobretudo de uma guerra ineficaz ao tráfico de drogas, o país contabilizou 61 mil mortos em 2016, segundo mapeamento feito pelo Anuário Brasileiro da Segurança Pública.

Sem precedentes, o número aponta a urgência de uma revisão de conceitos acerca dos métodos combativos ao crime e o tráfico de drogas. Para especialistas, a prisão não contribui em nada para uma mudança de cenário, pelo contrário, torna explícita uma desigualdade entre cor e poder financeiro. Sendo assim, a discussão sobre violência e drogas no Brasil é inviabilizada caso não passe pelas questões de raça e classe.

“Falar de guerra às drogas, no sentido de criminalizar a periferia como vem sendo feito, é falar de racismo institucionalizado, de genocídio da população negra. E não há diálogo. A saída é resistir”, ressalta a filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro ao Justificando da Carta Capital.

Trocando em miúdos, prender uma pessoa com um dichavador não vai mudar em nada o cenário de descontrole da segurança pública nacional. Pelo contrário.

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Foto: Reprodução/Facebook Oficial


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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