Inspiração

Como um aparelho de tortura medieval ajudou este atleta britânico a voltar a competir

por: Redação Hypeness

Nadar 3800 metros, pedalar por 180 km e correr 42 km. A sequência era um desafio que o triatleta britânico Tim Don conhecia e dominava: em maio de 2017, ele veio ao Brasil para competir na etapa de Florianópolis do Ironman, batendo o recorde mundial da prova: 7 horas, 40 minutos e 23 segundos, mais de 4 minutos mais rápido que o recordista anterior.

Mas vencer o Ironman seria algo até simples em comparação com o que estaria por vir. Tim, que havia competido em três Olimpíadas, estava há meses no Havaí se preparando para o Campeonato Mundial de Ironman, em Kona.

Favorito ao título, ele nem chegou a iniciar a prova: na antevéspera do dia tão esperado, ele fazia um treino de ciclismo quando foi atropelado por uma caminhonete, resultando em ferimentos de menor e maior gravidade, incluindo uma fratura na vértebra C2, que costuma quebrar em casos de enforcamento.

O médico de Don lhe ofereceu três opções: usar um colar cervical, que o imobilizaria até que a fratura se cicatrizasse sozinha, opção pouco recomendada devido à gravidade da lesão; passar por uma cirurgia, que lhe garantiria o retorno da saúde, mas provavelmente acabaria com sua carreira como atleta profissional; ou usar um equipamento igual a um aparelho de tortura medieval.

Don escolheu a terceira opção. Passou seis meses com o instrumento, chamado de ‘Halo’, ou auréola. Quatro pinos de titânio foram colocados em seu crânio, dois na parte da frente e dois na parte de trás da cabeça. Eles estavam presos a barras de metal ligadas a um colar. Seu pescoço não poderia estar mais imobilizado.

Foram quatro meses difíceis, especialmente para alguém tão acostumado a estar em movimento. Mas valeu a pena: Don voltou a treinar na academia ainda com a auréola, e finalmente pôde retirar o equipamento, que quase o fez desmaiar de dor – sua cabeça inchou e os buracos ficaram apertados, fazendo escorrer sangue. A esposa do triatleta usou uma esponja para limpar a testa, e ele chegou perto de apagar.

Em abril, 6 meses depois do acidente, ele participou da maratona de Boston. Correu os 42195 metros em 2 horas, 49 minutos e 42 segundos, bem perto de seu objetivo, 2h50. E já pensa em competir numa edição do Ironman em junho.

Por enquanto, o grande desafio parece ser a natação. Ele não tem conseguido movimentar o pescoço satisfatoriamente para respirar entre uma braça e outra, precisando usar um snorkel. Mas, se a história de Don ensina alguma coisa, é que não se deve duvidar da sua força de vontade.

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Fotos: Reprodução/Instagram


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