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Facebook usa inteligência artificial para prever suas decisões. E vende tudo para publicidade

por: Vitor Paiva

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Desde que o escândalo da Cambridge Analytica colocou o Facebook no centro de um grave caso de uso indevido de informações confidenciais de seus usuários – envolvendo os dados de mais de 87 milhões de perfis da rede para uso na campanha presidencial de 2016, entre outras funções – que a questão da privacidade e da segurança dentro da rede tornaram-se questão de sobrevivência para a plataforma de Mark Zuckerberg. Os esforços para confirmar seus supostos padrões de segurança tornaram-se urgentes no Facebook, mas novos documentos revelam que o uso de informações confidenciais de seus usuários pode ser muito mais graves, ostensivo e invasivo do que se imagina.

Segundo o documento, o Facebook vem utilizando inteligência artificial para, mais do que oferecer a possibilidade de empresas anunciarem na plataforma através de dados demográficos ou de preferências de consumo, oferecer targets de anúncios através de estudos que preveem o que os usuários ainda irão comprar ou pensar – sim, usando a inteligência artificial e os dados para prever nossos futuros. Trata-se de uma tecnologia intitulada “FBLearner Flow”. As informações são The Intercept.

Tal uso permite que empresas ajam para impedir tendências, como a eventual decisão de um usuário de migrar para a concorrência em eventual serviço – esses indivíduos seriam então bombardeados com anúncios, a fim de impedi-los de tomarem uma decisão que ainda não tomaram. O serviço foi intitulado, segundo o documento, “previsão de lealdade”.

Além da invasão direta, o serviço assemelha-se em muito com a prática pela qual a própria Cambridge Analytica está sendo processada – de utilizar seus interesses e o local onde você mora, sem que você tenha cedido tais informações, para tentar influenciar seu voto. A gravidade, portanto, seria essa: não seria mais uma empresa de fora utilizando os dados da rede social, mas sim o próprio Facebook se valendo de informações e hábitos confidenciais para melhorar a eficácia de seus anúncios – e, por fim, ganhar mais dinheiro.

Zuckerberg depondo no senado americano por conta do escândalo

Os esforços de Zuckerberg e sua turma para se distanciarem da Cambridge Analytica e suas práticas, caso tal documento se confirme verdadeiro, podem ir por água abaixo – e os mais de 50 bilhões de dólares que a empresa perdeu em seu valor na bolsa, após a revelação do escândalo, podem ser só o começo.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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