Debate

Homens negros são presos dentro do Starbucks. CEO pede desculpas

por: Kauê Vieira


Imagine só, você está em uma loja com outros amigos e resolve se sentar enquanto espera a chegada do outro colega. Tudo normal, não? Bom, nem tanto, pois se você for negro a história pode ganhar outros contornos.

Nos Estados Unidos o racismo mais uma vez foi decisivo e resultou na prisão de um grupo de jovens que esperavam por um amigo em uma unidade do Starbucks, na Filadélfia. Isso mesmo. Os funcionários consideraram o comportamento ‘suspeito’ e resolveram ligar para a polícia.

Os policiais por sua vez não hesitaram em levar o grupo algemado para a prisão. Aliás, segundo o comissário de polícia da Filadélfia, não houve nada de errado na conduta dos policiais, que acabaram prendendo os rapazes pela resistência em sair. Fica uma pergunta, como pessoas que esperam pelos amigos para tomar café e na sequência estão rodeadas de policiais não vão esboçar nenhum tipo de reação?

Jovens negros foram considerados suspeitos e saíram algemados do Starbucks nos EUA

Bom, o caso deu o que falar, isso pois uma cliente que estava no Starbucks no momento filmou todo o ocorrido e postou nas redes sociais dizendo que “a polícia foi chamada porque estes dois homens não pediram nada enquanto esperavam um amigo. Todas as pessoas brancas estão se perguntando por que isso não acontece com elas quando fazem a mesma coisa”.

A repercussão ganhou contornos ainda mais negativos, resultando em protestos na porta da loja e uma campanha pelo boicote ao Starbucks. O CEO da companhia lamentou o ocorrido dizendo que gostaria de se encontrar com rapazes vítimas de racismo. “As circunstâncias em torno do incidente e o resultado em nossa loja na quinta-feira foram repreensíveis. Foram errados”, disse Kevin Johnson ao programa Good Morning America, da ABC.

O prefeito da Filadélfia Jim Kenney também se pronunciou pedindo a abertura de inquérito sobre o assunto. Além de pedir desculpas se disse entristecido em como a “discriminação racial atua em 2018”.

Lembrando que nos Estados Unidos, o número de negros mortos pela polícia é muito maior do que o de brancos. Apenas em 2017, o número de afro-americanos vítimas de violência policial foi 27% superior aos brancos.

“No sistema em que vivemos nos Estados Unidos, no Brasil e em diversas partes do continente americano, a escravidão fez parte de uma estrutura política e social que não se modificou. É claro que os meios como o racismo se manifesta mudaram, mas a estrutura permanece a mesma, e punir os indivíduos negros que divergem dela ou que simplesmente estão vivendo suas vidas é um jeito de mantê-la. Oprimir os afro-americanos — não só com violência física, mas também psicológica e econômica — diante de uma plateia é também um jeito de perpetuar essa lógica”, declarou ao R7 Brian Kwoba, professor no Departamento de História da Universidade de Memphis, no Tennessee.

 


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Foto: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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