Debate

Jogador do Corinthians que viveu tragédia familiar na infância é agredido por torcedor

por: Kauê Vieira


Desde o anúncio da Copa do Mundo de 2014 o futebol brasileiro passou por diversas transformações. Talvez a maior delas tenha atingido o público, que sofreu uma grande mutação.

Outrora um programa popular, assistir uma partida de futebol no estádio virou programa para os mais abastados financeiramente. Atualmente, os estádios brasileiros, especialmente dos times considerados grandes, oferecem uma experiência completamente diferente e onde muitas vezes o jogo é apenas um detalhe. Típico caso de gentrificação.

Somando este fator com a rigidez das regras, que entre outras coisas punem os atletas por comemorações antes vistas como inocentes, muito torcedor por aí vem dizendo que o futebol está chato. Entretanto, até que ponto tal afirmação não serve de justificativa para a manutenção de xingamentos e outros tipos de práticas ofensivas?

Mateus Vital foi mais uma vítimas de xingamentos nas redes sociais

Em tempos modernos, as redes sociais se tornaram uma extensão das arquibancadas. Lá pode-se encontrar de tudo, desde ofensas racistas e homofóbicas, até atos de crueldade como o que vitimou o jogador do Corinthians Mateus Vital.   

“Pode ganhar quantos títulos quiser. E sua mãe, vai voltar? (risos) não. Até a próxima”.

A frase acima foi escrita por um torcedor na conta do Instagram do jogador corintiano que se sagrou campeão paulista no último domingo (8) ao vencer o Palmeiras fora de casa nos pênaltis.

Torcedores recorrem ao anonimato nas redes sociais para ofender atletas

Hoje com 20 anos Mateus Vital perdeu a mãe vítima de um assalto, em 2007. O crime ocorreu quando ele tinha apenas 9 anos, enquanto voltava de um treino nas categorias do Vasco, seu time formador. Inclusive, ao chegar ao Corinthians, o atleta comentou o assunto dizendo ter “pensado em parar, mas meu pai e minhas irmãs me ajudaram e o Vasco esteve do meu lado a todo o momento”.

Infelizmente este ataque sofrido pelo jogador do time paulista não é o único. Contando com a omissão das entidades responsáveis pelo futebol brasileiro, como a CBF, por exemplo, muitos torcedores fazem uso de práticas racistas para desestabilizar os atletas. Recentemente o zagueiro do Vasco Paulão foi vítima de ataques racistas em função de uma falha sofrida em partida contra o Botafogo.

“O Vasco e o próprio Paulão têm que ir à frente porque só assim vai combater essa praga que, em nome do anonimato, o sujeito fica valente. O jeito de acabar com essa valentia é indo atrás e combatendo”, cobrou o jornalista Paulo César Oliveira do Sportv.

Na tentativa de alterar este cenário, jornalistas e amantes do esporte unem forças e cobram uma posição contundente dos clubes e entidades contra os ofensores. Um exemplo disso é o projeto Observatório da Discriminação Racial no Futebol, um documento virtual sobre a incidência de casos de intolerância racial no esporte.

Presente nas redes sociais, monitora e divulga os casos de racismo no futebol, tal como ações informativas e educativas que contribuam com a erradicação da intolerância.

Aliás, a impunidade é o que aproxima os casos de Mateus Vital e Paulão e tantos outros alvos de preconceitos. Será que futebol está mesmo chato ou certas práticas não são mais toleráveis? 


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Fotos: foto 1: Divulgação/Daniel Augusto/ Agência Corinthians/foto 2: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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