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Jovem vence vergonha e arrisca carreira para denunciar abuso sexual na base do Santos

por: Redação Hypeness

Transferências milionárias, negociações misteriosas, quantias intermináveis de dinheiro, fama, o futebol é uma realidade bem diferente da vivida pela maioria das pessoas. No esporte mais popular do mundo, ser jogador é o sonho de 10 em cada 10 jovens.

Porém a profissionalização ainda é um privilégio de poucos e muitas vezes a conquista se dá por meios escusos, envolvendo inclusive casos de abuso sexual de menores. Mais comum do que se imagina, a violência sexual está escondida em falsas promessas de dirigentes e empresários.

O último escândalo envolve um dos clubes mais tradicionais do país, o Santos, conhecido justamente pelo intenso investimento nas categorias de base. O jovem Patrick resolveu colocar o promissor futuro em xeque ao denunciar um funcionário do clube da baixada santista. Segundo matéria publicada no UOL, o jovem atualmente com 19 anos, fez uma denúncia de abuso sexual contra um dirigente do clube, que nega as acusações.

O Santos está no centro de denúncia de abuso sexual

O Boletim de Ocorrência foi registrado contra Ricardo Crivelli, o Lica, na 4ª Delegacia de Repressão e Combate à Pedofilia, no DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo. As informações do B.O. dão conta de que Lica teria abusado de Ruan quando ele tinha por volta de 11 anos de idade. Com a versão confirmada por uma testemunha, um inquérito está correndo em segredo de justiça.

Enquanto espera o desenrolar do caso, o jogador arca com as consequências de bater de frente com os poderes do futebol. Mas mesmo sem clube, Ruan afirma não se arrepender da denúncia.

“Falei para o meu empresário e para o meu pai e eles me aconselharam a fazer a denúncia. Praticamente abri mão de jogar no Santos para fazer essa denúncia, mas não me arrependo”, explica.

Atual presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Marcelo Teixeira pediu, em entrevista à ESPN Brasil, cautela em relação à acusação de abuso sexual contra o coordenador da base santista. “Nós temos que ter muito cuidado até apurarmos os fatos. Fui procurado por alguns conselheiros para tratar sobre o caso e trouxemos o garoto aqui”.

Teixeira, que já foi presidente do Santos, admitiu porém a gravidade do caso. “Isso não é admissível. Temos que educar as pessoas. Os atletas podem ser que não vinguem, mas é necessário educar estes jovens. Qualquer tipo de assédio, pedofilia é inadmissível. Este caso deve ser apurado rigorosamente”.

Apesar da frequência, o abuso sexual no futebol segue um tabu entre os clubes e as entidades organizadoras do esporte. Em 2014, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) assinou pacto com o Congresso Nacional se comprometendo em adotar 10 medidas contra o abuso nas categorias de base. Porém, quatro anos depois nenhuma ação foi colocada em prática pela entidade.

Além do Santos Futebol Clube, há pouco o futebol argentino foi abalado pela revelação de uma rede de abusos sexuais de jovens atletas do River Plate e Independiente, obrigando a Associação do Futebol Argentino (AFA) e os clubes a elaborarem um protocolo de proteção infantojuvenil.

 

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Foto: Wkimedia Commons


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