Debate

Juiz questiona vítima se ela ‘fechou as pernas’ para prevenir estupro

por: Kauê Vieira

Era para ser uma audiência envolvendo o caso de uma vítima de estupro em Nova Jersey, nos Estados Unidos, até que o juiz John F. Russo cometeu uma grave violação de conduta ao perguntar se a mulher vítima de violência sexual teria “fechado suas pernas para se prevenir”.

O caso ocorreu em março de 2016 e foi revelado em detalhes recentemente pelo Comitê Consultivo da Suprema Corte, que analisou a conduta jurídica de Russo, acusado de uma série de violações.

“Você fechou as pernas? Chamou a polícia? Fez alguma destas coisas?”, questionou o juiz de acordo com o relatório do comitê.

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Ao procurar o sistema judiciário, a mulher estava em busca de uma ordem de restrição contra o homem acusado de ter cometido o estupro. Durante a sessão ela disse que havia retornado de uma viagem quando foi violentada sexualmente.

Em diversos momentos da audiência, o juiz Russo adotou uma linha de julgamento de culpabilização da vítima. Ao encontrar uma oportunidade questionava o advogado de defesa sobre os métodos preventivos adotados pela cliente. O magistrado quis saber inclusive se ela “sabia como impedir alguém de manter relações sexuais”.

Os fatos causaram indignação na equipe de defesa, que reagiu com respostas ríspidas, dizendo que a vítima fez o que pode para impedir o ato de violência. Para completar, Russo reduziu de 10 mil para 300 dólares o valor pago pelo acusado para sua filha.

Por meio do advogado David Corrigan, John F. Russo disse estar aguardando o momento certo para se pronunciar. “Ele (Russo) está ansioso para falar publicamente contra as acusações,” disse para uma afiliada da rede de TV NBC.

Com alegações de comportamento temerário na conta, Russo está suspenso de suas funções até que realize testes psicológicos.

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Foto: Pixabay


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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