Inspiração

Mano Brown: ‘Entendi que, se não respeitar uma mulher, não vou respeitar ninguém’

por: Vitor Paiva

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Quem vê o rap como um universo machista e desigual tem toda razão em assim notá-lo – não só esse como todos os gêneros musicais. Em relato recente, o maior ícone do rap brasileiro crê que as coisas devem – e irão – mudar, revelando seu olhar sobre tal processo e como o impacto positivo que o feminismo e a igualdade de gêneros podem oferecer não só para a sociedade como também para o próprio rap – como um elemento essencial para a “sobrevivência do gênero”. Para quem tem dúvidas sobre a procedência de tal contundente afirmação, ela veio de ninguém menos que Mano Brown.

“Fui criado de maneira machista, mas o mundo está mudando – e para melhor. Não podia continuar errado desse jeito. Não faz nenhum sentido o homem ser beneficiado só por ser homem; é injusto. Eu acompanho esse processo dentro de casa, com minha esposa, minha filha – vivo cercado de mulheres. No momento em que entendi que, se eu não respeitar uma mulher, não vou respeitar ninguém, aí ficou fácil”, escreveu o vocalista dos Racionais MCs. “Então mudei como pessoa, minha música mudou, minha abordagem, o entendimento do mundo… O homem tem tendência a narrar o que está em volta dele. Minhas canções têm essa força das ruas, das gangues. Parei para analisar que esse universo masculino também provoca o sofrimento das mulheres”, contou o rapper, em entrevista à revista Claudia deste mês.

O relato foi escrito para a edição de março da revista Cláudia, e segue: “Só que todo movimento de mudança encontra resistência. E hoje há dois grupos muito opostos: uma juventude conservadora e outra completamente libertária. Mesmo assim, as mulheres estão entrando com força total em todos os espaços, inclusive no rap. Esse frescor e essa abertura são essenciais para a sobrevivência do gênero, dos sons, das ideias. Por isso que a gente tem que, cada vez mais, cantar as mulheres, colocá-las nos palcos, até para fazer esse movimento contrário à resistência. Eu sei que, quando olhamos, ainda não há mudanças muito significativas, mas elas virão, é inevitável.”

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© fotos: Cláudia/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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