Debate

MC Carol tem casa invadida por ex, é agredida e diz ter sofrido tentativa de homicídio

por: Kauê Vieira

Em relato publicado nas redes sociais, MC Carol diz ter sido agredida pelo ex-marido. Em diversas publicações, a funkeira alega que o antigo companheiro pulou o muro de sua casa em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, munido de uma faca.

Tentando se defender contra um homem armado, a MC declarou ter entrado em luta corporal e por isso acabou ferida nas mãos. “Às 4h da manhã meu ex pulou a cerca elétrica e tentou me matar com um facão”, disse.

O motivo para tanta irritação? Segundo ela o ex-marido de seis anos de relação se incomodou com fotografias postadas por Carol na piscina. Abalada, a cantora acionou a polícia, que prendeu o homem em flagrante e registrou o caso no 76º DP. Além disso, MC Carol abriu boletim de ocorrência.

Segundo MC Carol, o ex-marido ficou com ciúmes de fotos postadas

Nesta manhã, MC Carol voltou ao Facebook para defender que o ex-marido seja acusado de tentativa de homicídio, contrariando a tipificação do suposto crime, enquadrado como lesão corporal.  

“Então, eu invado uma casa com um facão e tento esfaquear uma mulher. Não é tentativa de homicídio no nosso país”, desabafo pedindo o compartilhamento do texto.

Separada desde o final de janeiro, MC Carol declarou ao G1 que já vinha recebendo ameaças. “Ele me ameaçava, falava que ia me matar, eu botei cerca elétrica por causa disso, eu até fiz um vídeo falando disso, que a mulher quando se separa tem que botar cerca elétrica, botar tranca em tudo”.

O caso de agressão relatado por MC Carol não é isolado. Para se ter ideia mais de 500 mulheres sofrem diferentes tipos de violência por hora no país.

De acordo com o Instituto Datafolha em pesquisa encomendada pelo Fórum de Segurança Pública, 9% da população de 4,4 milhões de mulheres com mais de 16 anos afirmam terem sido vítimas de socos, chutes, empurrões e outras formas de violência, entre elas agressões verbais, com 22% de vítimas.

Como dizem intelectuais como a filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro, é imprescindível realizar um recorte racial, pois entre os casos de agressões, mulheres negras são as maiores vítimas. Responsáveis por um quarto da população total do Brasil, elas respondem por 32,5% dos registros de violência. Entre as jovens de 16 e 24 anos, os números sobem para 45%.

O facão usado na agressão foi apreendido pela polícia

“Dentro do feminismo, existe uma discussão que as mulheres negras tentam levantar desde os anos 70, que as mulheres brancas, de certo modo, acabaram universalizando a categoria mulher, não percebendo que existem várias possibilidades de ser mulher: a mulher negra, a mulher branca, a mulher indígena, a mulher lésbica, a mulher pobre… Mas quando a gente não pensa nessas diferenças entre nós, deixamos um grupo grande de mulheres de fora desse diálogo”, apontou Djamila em entrevista ao El País.

Para a filósofa Djamila Ribeiro é preciso analisar casos de agressão envolvendo mulheres negras

Em tempo, violência contra a mulher é crime previsto na Lei nº 11.340/2006, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha. Se condenado, o agressor pode pegar de 3 meses a 3 anos de reclusão.

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Fotos: Reprodução/Facebook


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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