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Mulheres agredidas na internet já podem denunciar crime à Polícia Federal

por: Kauê Vieira

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Não são poucos os registros de casos de agressão na internet envolvendo mulheres. Discurso de ódio, racismo, misoginia, violência sexual, são algumas das práticas corriqueiras de pessoas que se valem de uma sensação de anonimato e impunidade.

Contudo, graças a uma série de denúncias, não só de vítimas, mas principalmente de pessoas que se solidarizam e exigem uma fiscalização maior por parte do poder público do que ocorre no mundo virtual, a Polícia Federal acaba de anunciar que vai investigar agressões a mulheres na internet.

Passo importante para combater o pacote discriminatório que vem junto com o discurso de ódio, a lei foi inspirada no caso vivido pela professora da Universidade Federal do Ceará, Lola Aronovich, que desde 2011 sofre com uma constância de ameaças na internet. Os motivos? A defesa dos direitos das mulheres.

Falando ao G1, Lola defendeu a liberdade de expressão e disse ainda estar esperançosa de que os criminosos sejam punidos de alguma forma. “Eu ainda tenho esperança que a polícia faça alguma coisa, que esses criminosos sejam punidos e que a gente tenha um pouco de, afinal, de paz, que é nosso direito a gente poder ter voz na internet”.

Além de tirar o sossego das vítimas, a violência contra mulheres nas redes pode ter relação com o aumento dos casos de suicídio. Apesar de não existirem ainda estudos confiáveis que comprovem a relação, de acordo com integrantes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção o ambiente online pode contribuir para crescimento do problema.

A organização não governamental Safernet, especializada em denúncias de crimes que ocorrem na internet, contabilizou por volta de 34 mil páginas denunciadas por violações de direitos humanos em 2016.

A Unicef criou projeto que combate o feminicídio na internet

A atuação da Polícia Federal se soma ao trabalho já realizado por órgãos como a Unicef, que para combater o feminicídio criou o Projeto Cores, que utiliza o Facebook para contar a história da jovem Fabi Grossi. Interpretada por uma atriz, ela relata a angústia de ter tido imagens íntimas suas divulgadas pelo ex-namorado. O  objetivo é conscientizar e combater o chamado pornô de vingança.

“A gente precisa que o estado brasileiro dê uma resposta eficaz a todas as formas de violência contra a mulher para que a gente mude a realidade dessas estatísticas de violência que são ainda tão alarmantes”, declarou ao G1 a advogada Marina Ganzarolli, responsável pela criação de uma rede de proteção para impedir esta violência.

Denunciar é sempre a arma mais poderosa contra os crimes virtuais. Fortalecidas com a presença da Polícia Federal, as vítimas necessitam de apoio para enfrentar tais situações. Recentemente a jornalista Maíra Azevedo, a Tia Má, foi alvo de ofensas racistas e de ameaças de morte pela internet. O caso foi denunciado e a polícia de Salvador localizou o suspeito dos ataques, enquadrado no crime de injúria racial.

“Foram dois crimes. Racismo e ameaça contra a minha vida. Eu vou seguir lutando contra as mais diversas formas de discriminação. Não posso permitir que um racista dite as regras da minha vida. Para que eu pudesse falar hoje, milhares foram silenciados e eu não vou me calar”, disse ao Correio da Bahia.

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Fotos: foto 1: Pixabay/foto 2: Divulgação/foto 3: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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