Debate

Sem privacidade: Grindr expõe usuários soropositivos com outras empresas

por: Kauê Vieira

Puxada por escândalo envolvendo o Facebook e a consultora Cambridge Analytica, a discussão sobre a privacidade dos usuários de redes sociais está mais intensa do que nunca.

As fortes suspeitas sobre o uso ilegal de informações privadas para a mudança dos rumos de momentos importantes com as eleições colocou em xeque gigantes como o Facebook, que já registrou prejuízo de mais de 80 bilhões de dólares.

Agora surge a notícia de que o aplicativo Grindr, direcionado para a promoção de encontros entre homens gays e bi-sexuais, estaria transmitindo os dados de participantes portadores do vírus da AIDS para outras companhias.

Grindr é acusado de expor dados sigilosos de usuários

A informação publicada pelo portal BuzzFeed News demonstra que o Grindr divide com companhias especializadas no desenvolvimento de aplicativos, Apptimize e a Localytics, inclusive a data ou a última vez em que a pessoa realizou o teste para detectar ou não a presença do vírus HIV.

Para completar, analistas do SINTEF – serviço norueguês de inovação e pesquisa, apontaram o tráfico de dados como localização, opção sexual, status de relacionamento, raça e número de telefone.

“O Grindr é um espaço relativamente aberto para soropositivos. Porém, ter informações pessoas divididas sem autorização é uma grande ameaça para a saúde e segurança dos usuários. É uma violação de direitos básicos que não esperávamos de uma companhia como esta”, critica James Krellenstein, membro de um grupo de defesa de portadores da AIDS ao BuzzFeed.

Por outro lado, o Grindr nega qualquer tipo de risco, dizendo que os serviços prestados pelo Apptimize e Localytics auxiliam na melhoria da rede social.

“Milhares de companhias usam estas tecnologias de alto nível em suas plataformas. São práticas consensuais no ecossistema de aplicativos móveis. Nenhuma informação dos usuários do Grindr é vendida para terceiros”, ressalta o chefe de tecnologia do Grindr Scott Chen.

Representantes do Apptimize e Localytics não responderam aos questionamentos.

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Foto: Reprodução/Grindr


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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