Arte

A sensualidade cheia de simbologia e provocação das colagens de Rozenn Le Gall

Vitor Paiva - 28/05/2018 | Atualizada em - 29/05/2018

Surpreender o público pela ambiguidade de suas colagens é o que procura a artista francesa Rozenn Le Gall. Sua matéria-prima são as fotografias de revistas de moda dos anos 60 e 70, que ela desconstrói para transformá-las em trabalhos minimalistas, sensuais e cheios de subtextos e sugestões. Seu principal campo de desconstrução, no entanto, através de suas colagens é mesmo a imagem do corpo feminino.

“O público sabe que a imagem é truncada, que é artificial, mas quando a lê ele oferece à imagem uma realidade subjetiva – sua própria realidade”, diz a artista, residente da cidade de Lyon. “Não é o que eu penso que importa, mas como as pessoas vão se apropriar das colagens e interpretá-las de acordo com seus prismas”, afirma, ilustrando seu ponto lembrando como são comuns interpretações diversas sobre uma mesma obra.

“Quando eu coloco a janela de uma máquina de lavar em um corpo de mulher, alguns enxergam uma atitude conservadora que devolve a mulher à condição de dona de casa. No entanto, outros enxergam a mulher ativa, lavada pelo excesso de pressão em sua vida”, ela diz.

Seja como for, tratam-se de colagens provocativas e amplamente abertas, oferecendo e recebendo significados com a mesma pluralidade que os sentimentos e emoções apresentam em nossas interpretações e experiências diante da própria vida.

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© artes: Rozenn Le Gall


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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