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“Acho isso uma merda”, ausência de negros gera reclamação de ator em festa de ‘Segundo Sol’

por: Redação Hypeness

A novela Segundo Sol ainda não estreou no horário nobre da TV Globo, mas já está causando polêmica. A trama, que se passa na Bahia, é alvo de críticas pela presença ínfima de negros.

Filmada em cidades como Salvador, onde a predominância de afro-brasileiros é superior aos 70%, a produção escrita por João Emanuel Carneiro realizou na última terça-feira (8) uma festa com todo o elenco e aparentemente tentou amenizar a falta de representatividade. Da pior maneira possível, diga-se.

Em evento realizado no Circo Voador, centro do Rio de Janeiro, a produção de Segundo Sol resolveu dar preferência absoluta aos músicos negros, representados por nomes como Carlinhos Brown e Margareth Menezes, que animaram a noitada curtida por atores brancos.

Para Giovanna Antonelli não existe raça em uma história

Talvez estranha para alguns, esta é uma prática comum em sociedades construídas a partir de um pensamento racista. Em países como o Brasil o negro tradicionalmente ocupou o posto de entreter. Por exemplo, no futebol, ao fazer uma análise entre a quantidade de negros em cargos diretivos e dentro de campo, percebe-se uma predominância de atletas de pele preta nas quatro linhas.

Enquanto atrizes como Giovanna Antonelli, bastante criticada por viver uma oriental em outra novela da Globo opta por contemporizar afirmando que “que estamos aqui para contar uma história, independente de qualquer cor, raça”, Chay Suede resolveu se manifestar.

O ator, diga-se branco, mostrou insatisfação com a ausência de negros, dizendo que “achar isso uma merda”, reclamou Suede, que vai viver triângulo amoroso com Letícia Colin e Danilo Mesquita na trama.

Chay Suede considera a ausência de negros um problema

Para Marcelo Paixão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE), a dificuldade de mobilidade social dos negros nos moldes atuais demonstra um consenso de que “no Brasil as melhores posições deveriam ser ocupadas por um determinado grupo de cor e um determinado grupo de sexo. E que as outras funções sociais de menor destaque, as mais precárias, essas sim, poderiam ser exercidas por pessoas negras.”

Falando ao GGN, o docente demonstra não ser mera coincidência a predominância de negros no esporte e não ocupando cargos na Congresso Nacional.

“A abolição se deu há mais de 100 anos, já teria dado tempo de uma mudança ter se processado no país, se não existissem essas outras barreiras”, completa.

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Fotos: Wikimedia Commons


Redação Hypeness
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