Debate

Com peruca black power e frases polêmicas Ana Maria Braga gera debate sobre representatividade e apropriação

por: Redação Hypeness

A apresentadora Ana Maria Braga resolveu dar espaço para os cabelos crespos em seu Mais Você. Mas, a aparente boa intenção acabou se tornando um desastre e outra vez demonstrou a urgência de uma representatividade efetiva de negras e negros nos veículos de comunicação.

“Que tal entrar na onda do black power? Vamos, Louro? Eu gosto muito desse cabelo, eu acho bonito. Eu não entendo por que algumas meninas e alguns rapazes têm a possibilidade de ter um cabelo desses e, de repente, muda, alisa… porque é um negócio tão maravilhoso, né?”, disse uma contente Ana Maria Braga vestindo uma peruca black power.

A atitude da apresentadora caiu nas redes sociais e não foi bem digerida, pelo contrário muitas pessoas manifestaram seu descontamento em assistir em pleno 2018 uma mulher branca com uma peruca para falar sobre cabelo crespo.

Black face em pleno 2018, Ana Maria?

O nome disso é black face, prática racista comum ao longo dos séculos e conhecida por personagens brancos que se pintavam com carvão para de forma pejorativa representar homens e mulheres negras. Apesar de bastante criticada por ativistas e intelectuais, o black face, pasmem, ainda é muito comum. Inclusive na televisão.

Em coluna publicada no jornal Folha de São Paulo a escritora Ana Maria Gonçalves, autora do sucesso Um Defeito de Cor, diz que a desinformação e os equívocos dos veículos de comunicação são causados pela presença ínfima de profissionais negros.

“De 555 colunistas e blogueiros de 8 veículos de imprensa (Folha, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo”, “Época”, “Veja”, G1, UOL, e R7), 6 são negros. Também por isso o debate sobre racismo ocorre longe da maioria da população a quem, no dia a dia, ele não afeta ou interessa”, afirma.

Esta insistência da TV de excluir profissionais negros de suas produções permanece com força total, porém com crescente debate sobre raça no país estas opções não passam mais impunes. Caso da novela Segundo Sol, da TV Globo. O folhetim é filmado na Bahia, estado com mais de 70% da população formada por pretas e pretos, mas possui apenas três atores negros.

A novela ‘Segundo Sol’ se passa em uma Bahia sem negros

A escolha da novela escrita por João Emanuel Carneiro foi alvo de críticas inclusive do Ministério Público do trabalho, que enviou para a emissora carioca uma carta recomendando a inclusão de artistas negros no elenco.

“Essas e outras informações deveriam fazer parte do debate. Mas não fazem. Porque a deseducação promovida por séculos de escravidão e racismo, aliada ao placar de 549 a 6 na imprensa brasileira, cava um fosso profundo demais para preencher”, completa Ana Maria.

A personagem Adelaide, de Rodrigo Sant’Anna, já foi denunciada por racismo

Por isso o debate sobre representatividade é fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Ora, ao invés de colocar uma peruca, que tal convidar mulheres negras e especialistas em cabelo crespo?

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Fotos: foto: Reprodução/TV Globo/foto 2: Divulgação/TV Globo/foto 3: Reprodução/TV Globo


Redação Hypeness
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