Matéria Especial Hypeness

Como um DJ conseguiu criar a voz para ao personagem alienígena

por: Vitor Paiva

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Ser hoje um artista multidisciplinar, que não só transita com fluidez entre formas diversas de expressão mas também entre estilos e naturezas dentro de sua própria e específica área artística deixou de ser algo singular e extraordinário para se tornar praticamente uma regra – como uma pré-condição para o artista contemporâneo conseguir se afirmar e dialogar com tantas extremidades e pontos de troca que o mundo hoje nos oferece.

É, portanto, natural que a música do DJ carioca Jose Hesse parta de pontos, estilos e encontros tão diversos para finalidades também diferentes – dos próprios shows à sonorização de vídeos, passando pelo design sonoro, até chegar à reflexão e à experiência sensorial.

Antes de se tornar um dos interessantes nomes da atual cena eletrônica, a relação com a música já era parte maiúscula da vida de Hesse. Tendo estudado violão clássico e tocado em bandas de hardcore, o caminho até a música eletrônica se deu por um interesse despertado diante de amigos que discotecavam na faculdade.

“Achei divertido, acabei aprendendo e me interessando, mas nunca fui DJ. Minha relação com a música estava fadada a ser outra, não via uma grande função naquilo, precisava me envolver mais, estudar mais, externar mais sentimentos”, disse. O interesse se transformou em necessidade, e do desejo de mergulhar naquele universo nasceu o projeto KINKID. “Por isso comecei o KINKID e tudo que fiz com ele. Canções, produções, arranjos e shows, uma real entrega”.

Baseado não em computadores, mas, sim, em sintetizadores e baterias eletrônicas, o KINKID aponta, principalmente em suas apresentações, o calor peculiar de uma execução ao vivo, com instrumentos, como em um show de música popular – lembrando o músico que já havia antes de surgir o DJ em Hesse. Mas nem de longe esse se trata do único projeto em sua carreira: além de ser um dos fundadores do selo carioca Domina – criado junto com Pedro Manara e Marcelo Mudou -, Hesse participa de projetos diversos dentro da música.

Por isso para ele é complicado falar de seu processo de trabalho no singular, referindo-se a um projeto de forma isolada. “Tenho projetos de estilos distintos dentro da música, como Domina Live, Elionor Emu (que acabou de lançar um disco), Discount Codes, além de já ter produzido uma galera”, ele diz. A multiplicidade de frentes parece dialogar justamente com as influências diferentes da onde seu trabalho parte – indo de musicalidades mais dançantes, passando por outras mais ambientais e reflexivas, canções como no KINKID, músicas instrumentais como no Elionor Emu, chegando até sua influência musical mais ancestral: sua avó, cantora de bolero dominicana na década de 1960.

Há, porém, para Hesse uma linha criativa e estética que atravessa seus diversos projetos e estilos: a estranheza das melodias e o desejo de fugir do óbvio – mesmo que isso leve a uma recepção mais difícil por parte do público.  “Sempre tento sair do óbvio, timbres que não se encaixam no padrão popular, podendo provocar uma difícil digestão”. Assim, as batidas e canções se camuflam em texturas e roupagens exóticas, estimulando mais do que somente o ritmo ou o sentido dançante que muitas vezes se espera da música eletrônica.  

A busca por singularidade se dá mesmo quando Hesse se vê diante da tarefa de promover o encontro e a reunião de sua música com outros meios, como o vídeo – e foi nesse caminho livre e peculiar que ele foi convidado para integrar um dos grupos de Pionairs, artistas que se reuniram para criar uma peça em vídeo para o novo lançamento da Nike, o Air Max 270. Os conceitos de mutação, hibridismo e tecnologia (derivados diretamente da concepção do próprio novo tênis) foram as bases para que os artistas pudessem, com total liberdade, criar uma peça também multidisciplinar, em seis episódios de vídeo, publicados em uma conta especial no Instagram.

Reunindo-se com os artistas plásticos Vick Garaventa e Hugo Frasa, o fotógrafo Richard Hodara e a pesquisadora e futuróloga Lydia Caldana, o desafio para Hesse dentro do projeto para a Nike foi além de simplesmente combinar sua música com um vídeo. “Não há música no projeto da Nike, foi uma coisa mais voltada pro sound design e foley. Eu tive que criar uma linguagem tecnológica, industrial e forte, além de dar voz a um personagem alienígena”, explicou, referindo-se ao RIAEKIN270, a “criatura” criada pelo grupo, que protagoniza os vídeos (visite essa reportagem feita pelo Hypeness para saber mais sobre o projeto da Nike).

O processo, no entanto, foi para ele natural, principalmente por partir da liberdade total dada aos artistas. “A nossa liberdade no projeto facilitou para podermos  criar e sair da curva. Na minha opinião, imagem e som caminham juntos de mãos dadas, pelo fator sensorial, a sinestesia e clima”. O processo era singular mas não era uma absoluta novidade em seu trabalho. “Andei fazendo trilhas para comerciais e cinema. Minha ultima trilha para a grande tela foi no filme Todas as razões para esquecer, do diretor Pedro Coutinho, um processo bem bonito, de forte estudo de piano”, afirmou.

O futuro reserva naturalmente muitas novidades, tanto nos projetos de Hesse quanto dentro do selo Domina – que prevê novos lançamentos, uma compilação com diversos artistas, além de live acts reunindo os nomes da label para tocarem ao vivo. Esbarrar, portanto, com o trabalho do DJ Jose Hesse é poder mergulhar em universos musicais diversos, que dialogam entre si por sensibilidades peculiares e complexas, mas sempre estimulantes. Se você quiser saber mais, visite a página do KINKID ou do selo Domina – e ouça com o corpo inteiro.

O Air Max, o tênis queridinho da Nike – e de muitos de nós -, completa 31 anos em 2018.

Para fazer valer as três décadas de inovação, a Nike decidiu convidar os Pionairs da arte brasileira para criar. São dois coletivos, muitas mudanças, tecnologia, arte, música e design.

Como inspiração para as criações, o Air Max 270, que nasceu da junção de dois modelos Air Max 90 e 180. O resultado disso tudo você confere aqui no Hypeness, outro Pioneiro com os pés fincados no futuro.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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