Debate

Fake news: MTST não cobrava aluguel em prédio ocupado que desabou

por: Redação Hypeness

Poucas horas depois do desabamento do edifício que deixou pelos menos 1 pessoa desaparecida e outras 140 famílias desabrigadas na região central de São Paulo, pipocam na internet notícias falsas e até caluniosas contra movimentos sociais e as próprias vítimas da tragédia paulistana.

Você já sabe e nós contamos aqui, em tempos de redes sociais e abundância tecnológica é preciso checar as fontes antes de propagar conteúdo inverídico. No momento, muitos sites estão dizendo por aí que a ocupação da antiga sede da Polícia Federal era administrada pelo MTST.

Baseado em uma informação divulgada pela TV Globo de que os moradores pagavam um aluguel de R$ 400 para viverem na ocupação, alguns veículos de comunicação fizeram uma associação direta com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Fake news. 

Guilherme Boulos se pronunciou sobre ataques sofridos e fake news

Em vídeo publicado nas redes sociais o líder do MTST e pré-candidato à Presidência da República Guilherme Boulos, negou qualquer associação com o prédio que desabou.

“A ocupação vítima do incêndio não era organizada pelo MTST e sim por outro movimento de moradia, o MLSM – Movimento de Luta Social por Moradia. Desde que tivemos acesso às notícias do incêndio, integrantes do MTST, juntamente com outros movimentos de moradia de São Paulo se mobilizaram para discutir estratégias de solidariedade às famílias. O MTST não tem ocupações no centro de São Paulo e não pratica a cobrança de nenhum valor das famílias organizadas em nossas ocupações”, escreveu em nota publicada nos site oficial do MTST.

Além disso, Boulos destacou a prática de uma parcela de usuários de redes sociais de culpar as vítimas. Para o líder, é preciso chamar a atenção para a omissão do poder público, “que não assegurou moradia para estas famílias”.

“Temos visto com perplexidade gente querendo culpar as próprias vítimas, por conta das condições do prédio. Ninguém vai para uma ocupação por que quer. Mas por total falta de alternativa”, disse.

Morar em São Paulo

O desabamento do prédio Wilton Paes Almeida reacende um debate antigo na cidade de São Paulo, o direito à moradia. Previsto na Constituição Federal, o exercício deste direito não é dos mais simples.

Se tratando da maior e mais rica cidade do Brasil, o número de desabrigados multiplica ano após ano. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, a capital paulista registra atualmente por volta de 15 mil pessoas vivendo em situação de rua.

Em contrapartida, a cidade possui cerca de 907 imóveis sem condições sociais de uso. Ou seja, são casas e apartamentos abandonados e que poderiam servir de abrigos para famílias de sem-teto, auxiliando assim na luta pela equidade social. Recentemente, o Estado de São Paulo publicou levantamento demonstrando que deste total, 63% são edifícios e estão no Centro da capital paulista.

Milhares de pessoas vivem sem um teto em uma cidade repleta de prédios desocupados

Para Raquel Rolnik, urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, o déficit de moradia precisa ser encarado como um problema da sociedade e não caso de polícia e que a ocupação de espaços precários se torna a única escolha de famílias.

“Em primeiro lugar: por que será que mais de 200 famílias ocuparam este – e pelo menos mais uma centena de prédios ou terrenos vazios em São Paulo? Resposta: por que não têm NENHUMA outra alternativa de moradia! Estamos vivendo uma situação de enorme alta nos preços dos imóveis e dos aluguéis, muito superior ao crescimento da renda da população, mesmo considerando o aumento das ofertas de emprego nos últimos anos. E simplesmente o que existe de política habitacional hoje na cidade para uma situação de emergência como esta é: NADA”, finalizou.

Você pode ajudar as vítimas do incêndio no Wilton Paes de Almeida.

O incêndio no Wilton Paes de Almeida é mais um símbolo do descaso com a moradia em SP

 

Publicidade

Foto: foto 1: Reprodução/foto 2: Fotos Públicas/foto 3: Fotos Públicas


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Campeonato de ‘apertar baseado’ na zona sul do RJ mostra que o problema é ser preto e pobre