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Festival Path 2018: Aprendi muito em pouco tempo e saí achando que perdi tudo que queria ver

por: Joao Rabay

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No fim de semana de 19 e 20 de maio, diversas atrações reuniram o público em diferentes pontos de São Paulo. Não estamos falando da Virada Cultural, mas do Festival Path, focado em Inovação e Criatividade, que reuniu palestras, shows, oficinas, workshops e mostras de filmes na região de Pinheiros.

Foi a sexta edição do Path, que, como outros festivais do tipo que surgiram no Brasil nos últimos anos, tem como inspiração o SXSW, realizado em Austin, no Texas. Que o Hypeness acompanhou de perto, você lembra, né?

A ideia é que o público possa circular não apenas entre os diversos ambientes da sede principal, o Instituto Tomie Ohtake, mas também por outros espaços na região de Pinheiros e da Vila Madalena, como o Centro Cultural Rio Verde, a Escola Britânica de Artes Criativas e o Largo da Batata.

Essa proposta, aliás, é ao mesmo tempo um atrativo e um desafio para o público do festival: com quase 300 palestras no fim de semana, é impossível montar a própria agenda sem se conformar com perder alguma coisa legal.

Como o tempo é apertado e atrações chamativas tendem a chamar mais espectadores, formando fila, não há garantia de que você consiga acompanhar o que pretendia. Eu, por exemplo, optei por ficar só no Tomie Ohtake para tentar otimizar meu tempo, economizando os minutos de deslocamento.

Foram centenas de palestras com temas diversos, da diversidade nas agências de comunicação ao futuro da medicina frente aos avanços tecnológicos, da importância da agricultura familiar ao uso da inteligência artificial nas eleições.

O debate que mais me chamou atenção foi sobre Agricultura Urbana, em que três especialistas falaram sobre o poder desta prática de democratizar o acesso ao alimento e de estimular a geração de renda dentro das cidades, trazendo mais biodiversidade aos centros urbanos e aproveitando espaços ociosos para produzir comida.

Lá conheci a ONG Cidades Sem Fome, que trabalha com hortas comunitárias e escolares e com pequenos agricultores familiares, e o projeto Favela Orgânica, que busca levar conceitos que mudem a relação das pessoas com o alimento para os moradores de comunidades.

Outra atração interessante foi a palestra de Ruben van de Ven sobre como a inteligência artificial está sendo usada para tentar mapear as emoções humanas, principalmente baseada nos estudos do psicólogo Paul Ekman, que apontou para seis emoções principais, que definem traços característicos na expressão facial: tristeza, medo, raiva, alegria, surpresa e nojo.

Foi uma palestra que levantou mais dúvidas do que certezas, o que está longe de ser algo ruim. Mesmo após o término da fala de van de Ven, fiquei um tempo refletindo sobre a maluquice que é aplicar a objetividade dos sistemas para identificar a subjetividade das emoções, e pensando em que implicações isso pode ter num futuro não tão distante.

Além das palestras, com acesso fechado para quem comprou os ingressos do Festival, o Path abriu espaço para startups divulgarem seus trabalhos no espaço comum do Tomie Ohtake.

Me chamaram a atenção a Biosoftness, que desenvolveu um desodorante para evitar mal cheiro em roupas, diminuindo a necessidade de gastar energia e água com lavagens, a Firgun, que promove o microcrédito para empreendedores de baixa renda, e a MaturiJobs, plataforma que auxilia profissionais com mais de 50 anos a se recolocarem no mercado de trabalho.

Outra ação bem bacana foi a Speed Dating, promovida pela 99 Jobs, que reuniu recrutadores de diferentes empresas para conhecer candidatos a empregos. Cada um tinha um minuto para se apresentar e vender seu peixe. Quem chamava a atenção dos recrutadores podia preencher um cartão com os dados pessoais para que eles entrem em contato explicando os detalhes das vagas a que podem concorrer.

No fim da tarde foram promovidos vários shows, com acesso gratuito, para descontrair e energizar o público. Otto, Caio Prado, Rubel, Plutão Já Foi Planeta e Dona Onete foram algumas das atrações.

Ao fim do dia, a sensação como participante é de que o Festival apresenta muitas novidades em diferentes áreas, mostrando que há bastante gente a fim de inovar no Brasil, trazendo novas soluções para problemas antigos ou recentes.

Ainda assim, senti que talvez tenha me faltado experiência em eventos como o Path para poder me organizar e aproveitar o máximo possível entre tantas atrações interessantes, sem me perder em meio ao fluxo enorme de informação que vem de todos os lados. Quem sabe não seja um bom motivo para estar lá de novo na edição de 2019….

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Fotos: Divulgação/Festival Path


Joao Rabay
Gosta de ler boas histórias para aliviar a mente no meio de tantas notícias ruins. Ainda acredita que elas podem inspirar boas mudanças e fica feliz quando pode contá-las.


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