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Gamer ou publicitário, qual profissão tem mais futuro? Fomos tentar investigar

por: Gabriela Rassy

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Fim da publicidade, o surgimento dos gamers e os novos caminhos das transformações digitais. O que tantos temas têm em comum? Foram alguns dos debates dentro do ProXXima, evento que extrapola os dois dias em que ocupa o WTC, em São Paulo. Realizado pelo Meio & Mensagem há doze anos, este que é um dos maiores encontros de profissionais da comunicação e do marketing digital do Brasil, teve como tema central as transformações digitais. Os mais de 30 painéis programados para o evento abordaram assuntos como inteligência artificial, blockchain, geolocalização, realidade aumentada, entre outros.

Dentro desta infinidade, chegamos aos eSports, os esportes eletrônicos. O representante mais popular é o League of Legendes (LoL), que viu sua audiência pular de 43 milhões em 2016 para 80 milhões em 2017. Neste cenário, o Brasil hoje já é o terceiro país no mundo que mais consome os games online, ficando atrás só dos EUA e da China. O painel “Como as marcas podem ganhar o jogo do eSports” falou muito sobre como a novidade está movimentando o mercado e quais as possibilidades para entrar neste negócio tão lucrativo e crescente.

Mesa do ProXXima discute a presença de marcas nos eSports

“É um subproduto dos games. Milhões de pessoas que estão parando para assistir jogadores profissionais, que treinam e têm uma rotina como um jogador de futebol”, conta Leo de Biasi, CEO da ESL Brasil, empresa que realiza eventos de eSports em arenas no Brasil. “É um mercado que ainda está barato, mas logo isso vai mudar”, afirmou.

Oportunismo: o maior risco ao investir em eSports

Para Cyrille Reboul, CEO e fundador da Webedia Brasil, a reação das pessoas quando um jovem quer ser gamer profissional é muito parecida com quando falavam antigamente que queriam ser jogadores de futebol. “É um trabalho de verdade hoje. E esse sonho de se tornar jogador de videogames profissional e competitivo é muito mais alcançável para quem gosta de games do que para quem gostava de futebol. Para ter a oportunidade de desafiar o Neymar ou o Cristiano Ronaldo, você vai ter que passar por muitas etapas, ser escalado. Talvez, daqui 15 anos você consiga – e, talvez, eles já estejam aposentados. Nos games de hoje, os maiores campeonatos do mundo têm qualificatórias abertas. Se você é bom no jogo que você gosta, pode se inscrever em campeonatos mundiais e se ganhar de milhares de pessoas, pode desafiar o melhor jogador do mundo numa final”, explica.

E, claro, ser gamer em si já é muito maneiro, mas as possibilidades dentro dos eSports não param por aí. “Nem todo mundo vai ser um bom gamer ou um gamer que possa ser um atleta profissional. Falando em possibilidades, você pode fazer tudo. Eu atuo com marketing, mas a indústria tem todas as ofertas possíveis. Como no futebol, tem psicólogo esportivo nos games também. Tem fisioterapeuta, jornalistas especializados… As possibilidades são infinitas”, conta Beto Vides, sócio fundador e responsável pela direção geral da eBrainz, consultoria especializada em Marketing de eSports e Games.

‘Publicitário? Nem vai ter essa profissão daqui a pouco’

As carreiras realmente estão em processo de mudanças já que o ambiente online está cada vez mais presente e com crescimento acelerado. Sobre essas mudanças nas profissões, em especial na publicidade, e sobre a evolução da tecnologia, conversamos com Pyr Marcondes, diretor-geral da M&M Consulting e do ProXXima. Ele acredita que a publicidade como conhecemos está fadada ao fim, mas que os profissionais ainda têm a chance de se reinventarem.

Pyr Marcondes é o responsável pelo ProXXima e falou com o Hypeness sobre as transformações digitais

Pyr Marcondes é o responsável pelo ProXXima e falou com o Hypeness sobre as transformações digitais

Em 2015, Marcondes escreveu algumas matérias falando sobre os robôs estarem tomando nossos empregos e até ameaçando a integridade humana. Ele pensa diferente agora? “Infelizmente não mudou em nada a minha visão. Escrevi um texto recentemente, que parece de ficção, que chama A caixa de brinquedos de Mary, que é exatamente sobre isso. A inteligência artificial é um fenômeno inevitável e desenvolvimento dela vai ser muito grande nos próximos anos, e em algum momento vai acelerar numa velocidade que chamamos de exponencial. A velocidade exponencial é quando algum fato ou acontecimento descola do tempo normal de acontecimento dos fatos. Como estamos acostumados a ver na história da humanidade. Isso acontecendo, como ela evolui muito rapidamente a partir dela mesma”, conta.

Para ele, essa característica que da inteligência artificial, que evolui sozinha, tende a descolar do controle humano. “Isso está previsto por uma série de cientistas. Eu sigo com muito medo. A IA estará em robôs e máquinas, que pode ser tudo. Nesse texto que escrevi são brinquedos da Mary que saem da caixa de brinquedos e se revoltam contra ela. Todo objeto pode ser conectado, assim ele tem um chip e pode ter acesso online à evolução da inteligência artificial. Sim, continuo com muito medo disso”.

As mudanças, claro, não param nas máquinas. Trabalhos criativos, como a publicidade, também são diretamente afetados por novas dinâmicas sociais. Para Marcondes, com a chegada dos meios digitais, a ousadia e a originalidade da publicidade se encolheu.

“Isso tem muito a ver com a chegada do mundo digital, da tecnologia, das chegada das métricas de mensurações, coisas muito racionais. Um pouco também desse fascínio de todo o setor de anunciantes e das agências com essa nova realidade. Não houve renovação criativa dos profissionais ditos de criação. Acho que não vamos conseguir voltar naqueles tais anos dourados. O mundo era outro, os veículos de comunicação eram diferentes, a forma de comunicar era outra. Permitia toda uma originalidade que hoje, como os novos formatos digitais são mais complicados”, pondera.

Pyr Marcondes no ProXXIma 2018

Ainda assim, ele se diz otimista com o futuro para os publicitários. “Tenho uma ponta de otimismo que profissionais criativos virão com outro tipo de linguagem, mais adaptadas a esses novos formatos e canais de distribuição. É tudo muito novo. A gente não sabe como criar pro Instagram, pro Facebook. O que tem no Facebook são adaptações, filmes tirados da televisão e colocados lá. Não tem ninguém preocupado em criar para uma linguagem adaptada aos novos recursos tecnológicos que a gente tem na mão. Os profissionais da nossa atividade não tiveram tempo ainda de ir atrás de novos formatos”, explica.

Nessa linda de mudanças e incertezas, Marcondes insiste em falar para os publicitários se preparem para serem também consultores. Segundo ele, porque a publicidade “ficou pequena”. “A publicidade tinha um peso e uma significância enorme décadas atras. O mundo ficou muito grande, se sofisticou demais. As possibilidades de comunicação e de marketing ficaram enormes. As variáveis cresceram assustadoramente. Eu não consigo mais falar em publicidade e propaganda. Esses termos vão morrer, assim como “meios de comunicação” e “televisão”. Essas coisas são muito antigas, estão todas mortas já, só falta enterrar”, profetiza, para depois sentenciar:  “O que a gente chama hoje de publicitário, que estudou, entrou em agência, em veiculo de comunicação, esse profissional vai desaparecer. Se ele não se transformar num consultor que olha a realidade e consegue oferecer soluções de negócios para as empresas. É a pessoa que entende a realidade e a traduz. O termo consultor eu uso assim, mas ainda hoje está muito atrelado às consultorias tradicionais, como Accenture e Ernst & Young. Elas também vão ser transformadas. Consultoria é a palavra que me parece mais apropriada para definir o futuro do profissional que é o tal do publicitário. Nem vai ter essa profissão daqui a pouco”.

Então, entre ser publicitário e gamer, o que o ProXXima nos ensinou é que a segunda profissão parece ter muito mais futuro.

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Foto destaque: ESL
Foto Pyr: Gabriela Rassy
Foto ProXXima: Denise Tadei


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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