Debate

Mãe desabafa sobre entrevista de emprego: ‘Onde foi parar a empatia das pessoas?’

por: Redação Hypeness

 

Marilaine Silva mora em Guaianazes, Zona Leste de São Paulo e aos 27 anos é mãe de Lorenzo, de 1 ano, e Mateus, de 11. Formada em Administração de Empresas, a jovem em busca de recolocação profissional fez um desabafo sobre os preconceitos presentes no mercado de trabalho.

Tudo aconteceu quando, durante uma entrevista de emprego, foi questionada sobre sua capacidade de cuidar dos filhos. Pois é, ainda vivemos em uma sociedade que acredita que a mulher com filhos deve se ocupar apenas de cuidar da cria e da casa.

“O recrutador pergunta: “Você tem filhos?”. Respondo: “Sim, dois. Um de 11 anos e outro de 1 ano”. E já emendo: “Ambos têm com quem ficar na minha ausência.” O recrutador rebate: “E caso um deles fique doente, o que você faria?!”. (Poxa! O que eu faria? Já penso trêmula.) Respondo: “Se for algo de menor gravidade, como doenças de época (virose, resfriados, etc), a pessoa responsável por olhá-los, tomará conta deles. Recrutador: “Então se fosse algo grave, você faltaria ao trabalho?”

Falando para a Revista Crescer, Mari, como disse preferir ser chamada, explicou que se sentiu constrangida diante da postura do recrutador, além disso, a administradora de empresas revelou não ser a primeira vez em que é colocada neste lugar.

Ser mãe ainda é impeditivo para arrumar emprego no Brasil

“Tive filho aos 15 e passei por isso diversas vezes: ser mãe sempre foi uma barreira para conquistar um emprego. O clima da entrevista muda completamente quando você diz que tem filhos. Já passei por isso até em entrevista por telefone, mas esta última foi mais chato, porque aconteceu na frente de outros cinco candidatos”, desabafa.

O caso explícito de machismo e preconceito envolvendo Mari, que preferiu não revelar o nome da empresa por ainda estar no processo seletivo, é retrato de um país que insiste em excluir as mulheres dos espaços de poder.

De acordo com levantamento feito pela Catho – empresa especializada em recolocação profissional, o número de mães deixando o mercado de trabalho é quatro vezes maior do que o de homens. Apenas 8% das mulheres em fase de maternidade entrevistadas conseguiram retornar ao mercado em menos de seis meses e 31% levaram mais de três anos ou nunca voltaram.

Para especialistas, ainda existe a ideia fantasiosa de que por terem filhos, as mulheres não vão conseguir conciliar as obrigações. Não é o que mostra levantamento feito pelo estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, que com base nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, demonstra um aumento de 25% para 40% do número de lares brasileiros chefiados por mulheres entre 1995 e 2015.

Mulheres negras são ainda mais excluídas do mercado caso sejam mães

Existe uma barreira de domínio de homens brancos no setor profissional difícil de quebrar. Por exemplo, enquanto em 2015 a taxa de homens caucasianos sem emprego estava em 6,8%, a de mulheres negras na mesma situação beirava os 14%.

“As diferenças entre mulheres e homens no mercado de trabalho se materializam em diversos níveis. Começam pelas possibilidades e formas de entrada nesse mercado, passam pelas ocupações exercidas e culminam nos rendimentos médios”, afirma na Carta Capital Lilian Nogueira Rolim, doutoranda em economia pela da Unicamp.

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Fotos: Reprodução/Facebook


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