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O dia em que o atacante Taison, da Seleção, foi visitar amigos de infância que vivem na rua

por: Kauê Vieira

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O dia em que o atacante Taison reencontrou amigos morando em situação de rua e resolveu ajudá-los. Tratava-se de uma noite fria do inverno Gaúcho na cidade de Pelotas, mas não o bastante para impedir o jogador do Shakhtar Donetsk de distribuir cobertores aos amigos de infância.

A história aconteceu em 2015, mas cabe perfeitamente três anos depois. Vamos aos fatos, na última segunda-feira (14) o ex-jogador do Internacional de Porto Alegre foi convocado pelo técnico Tite para a Copa do Mundo da Rússia. Entre análises contrárias e favoráveis surge um fato que não faz parte do futebol.

Você deve ter visto circulando, não só nas redes sociais, mas em alguns programas de TV, uma fotografia de Taison com os amigos segurando o que seria um cigarro de maconha. Para além do binarismo de certo e errado, o que se encontrou foram pensamentos pejorativos e que até colocavam em dúvida a índole do rapaz.

Taison foi massacrado injustamente nas redes sociais

A visão de boa parte dos seguidores de futebol evidencia uma necessidade de mudança de postura no esporte e sobretudo na sociedade. Há muito tempo ouve-se a frase de que o esporte tem o poder de salvar vidas. No caso do Brasil o futebol se coloca como um ator importante no desenvolvimento social.

Porém a relação das entidades reguladoras como a FIFA de parte da imprensa com as drogas depõe contra este potencial todo. Talvez você se lembre da história de Jobson, conhecido por passagem no Botafogo e que foi pego no exame antidoping com cocaína no sangue. Assumidamente um dependente químico, o jogador foi punido pela FIFA e proibido de entrar em campo ou treinar.

Em que medidas atitudes como estas aplicadas em caso de dependência química e onde o atleta não tem a menor intenção de tirar alguma vantagem, pelo contrário, ajudam em sua recuperação?

No blog do jornalista Antero Grecco, Roberto Salim publicou texto questionando o excesso de rigor em casos de doping envolvendo atletas de menor expressão.

Será que o afastamento, como no caso Jobson, é a melhor opção?

“O que estão querendo provar com isso? Que o rigor no esporte brasileiro é grande. Que aqui não há doping. Ora minha gente isso é uma piada. Das grandes. Quando o atleta é de ponta e tem patrocínio, leva advertência por aqui. Quando é do boxe ou do atletismo, a justiça vem com todas as letras, com todos os parágrafos. É muita hipocrisia”, encerra.

Para a Autoridade Brasileira de Controle Antidopagem o que existe na verdade “não é uma questão apenas sobre drogas, mas sobre ética. Dopagem por qualquer método, inclusive o uso de diurético, é uma fraude”.

Taison vive situação diferente, mas parecida com Jobson. Apesar de não ser dependente químico, o atleta que vai representar o Brasil em sua primeira Copa do Mundo está sendo condenado pelo tribunal das redes sociais por estar segurando o que parece ser um cigarro de maconha. Voltemos para 2015?

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Fotos: foto 1: Reprodução/Facebook/foto 2: Reprodução/YouTube


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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