Debate

Padre Fábio de Melo faz ~piada~ com religião africana e internet rebate

por: Redação Hypeness

“Sempre manifestei publicamente o meu respeito a todas as religiões”.

Até que ponto a frase escrita em comunicado pelo Padre Fábio de Melo, se defendendo de acusações de intolerância religiosa, condizem com a realidade?

Vamos aos fatos, no último dia 8 de abril o líder religioso, um dos mais populares da Igreja Católica no Brasil, realizava missa na comunidade Canção Nova de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, quando durante o sermão manifestou seu aparente desprezo pelas religiões negras do Brasil.

“Com todo respeito a quem faz macumba, pode fazer, pode deixar na porta da minha casa que, se estiver fresco, a gente come”, disse o pároco em vídeo que pode ser visto no YouTube.

Se você for negro, candomblecista, umbandista ou membro de outra manifestação religiosa com raízes em África, a fala de Fábio de Melo não é nenhuma novidade. Afinal falamos de um país onde a intolerância religiosa ainda faz parte do cotidiano. Os números não mentem e a cada 15 horas o Brasil registra uma denúncia, sendo que 39% das vítimas são os seguidores de religiões negras como o Candomblé.

Mais do que surpreender, a fala do pároco, reconhecido por sua preocupação com o desenvolvimento social, reflete a presença não tão velada do racismo na sociedade brasileira e especialmente na Igreja Católica.

“Você tem o poder de expulsar demônios. E você treme toda quando vê aquela galinha preta na porta da sua casa. Se você achar que uma galinha na porta da sua casa com um litro de cachaça e uma farofa de banana tem o poder de trazer destruição na sua casa, na sua vida, você não conhece a força do Cristo ressuscitado”, um evidente exemplo de menosprezo e desrespeito, o texto acima oralizado por Fábio de Melo durante a pregação “crer na autoridade que Deus nos deu”, é a expressão pura gerada pelo pelo racismo.

Padre Fábio de Melo foi notificado por intolerância religiosa

Para a feminista negra Joice Berth, forma em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Nove de Julho e Pós-graduada em Direito Urbanístico pela PUC-MG, posturas como a de Fábio de Melo dialogam com “escusas intenções políticas que rondaram a Igreja Católica na idade da “Santa” Inquisição, onde se queimavam pessoas praticantes de outras expressões do sagrado”.

A membra do coletivo Imprensa Negra prossegue dizendo que “Um desses preconceitos gira entorno da crença de que se pode afetar e/ou interferir na vida de qualquer pessoa, pela manipulação de receitas e ingredientes mágicos, em rituais caricatos de feitiçarias e/ou bruxarias associadas a figura de uma legião de forças malignas ocultas que a princípio, daria esse enorme poder para seus adoradores” finaliza em artigo publicado no Justificando.

Como foi citado, diante da enorme repercussão, Fábio de Melo reafirmou em nota publicada no G1 que “se fui infeliz na forma como expressei o meu não crer, perdoem-me. Já fiz um contato com o babalorixá Ivanir dos Santos. Ele foi extremamente gentil comigo. Nosso desejo é esclarecer que tolerância religiosa não significa abrir mão do que cremos ou não cremos”.

Berth aponta falas como esta como a manifestação de escusas intenções políticas que rondaram a Igreja Católica

Padre notificado por intolerância religiosa

Como se sabe, intolerância religiosa é crime previsto na Lei 7.716/1989 e se valendo desta premissa, o advogado Ricardo Brajterman, em nome do Babalawô Ivanir dos Santos, presidente da Comissão Estadual de Combate à Intolerância Religiosa de São Paulo, acaba de notificar Fábio de Melo.

A justificativa aponta que o religioso cometeu crime por “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou o preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Confira a íntegra da nota enviada pelo Padre Fábio de Melo:

“Sempre manifestei publicamente o meu respeito a todas as religiões. O candomblé fez parte da minha origem. Nunca quis ofender ou desmerecer quem quer que seja. Apenas expressei, durante uma celebração cristã, convicções cristãs. Peço perdão aos que se sentiram ofendidos. Eu não sou proprietário da verdade. Eu estou em busca dela. Quero o esclarecimento espiritual que me coloque ao lado de todos. Diferentes e iguais a mim. Somos irmãos e não me sinto melhor que ninguém. Se fui infeliz na forma como expressei o meu não crer, perdoem-me.

Já fiz um contato com o babalorixá Ivanir dos Santos. Ele foi extremamente gentil comigo. Nosso desejo é esclarecer que tolerância religiosa não significa abrir mão do que cremos ou não cremos, mas conviver harmoniosamente, colaborando na construção de um mundo melhor.

O mundo já está dividido demais para que criemos outras divisões a partir de nós.”

A internet parece ter condenado a fala do padre:

 

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Fotos: Reprodução


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