Seleção Hypeness

6 momentos históricos em que a Copa do Mundo foi muito mais que futebol

por: Breno França

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Faltam poucos dias para começar a Copa do Mundo na Rússia e também aos poucos, aqui no Brasil, o clima, a decoração, a expectativa, tudo ao nosso redor vai sendo contaminado pelo futebol e não se fala mais de outra coisa além disso.

Mas você pode ser um daqueles que não se interessa por esquemas táticos, não se importa com qual número cada jogador vai suar, não sabe (nem quer saber) a escalação de cor e salteado, muito menos como se pronuncia o nome do goleiro da Islândia e é por isso que nós preparamos uma lista de seis momentos históricos em que a Copa do Mundo foi mais que futebol. Assim, você pode ter assunto para entrar nas rodas de conversa sem ter que se preocupar em estar sóbrio quando Japão e Senegal ou Tunísia e Panamá entrarem em campo para ter o que comentar depois.

Vamos a lista?

1. O time brasileiro que emprestou o uniforme para o México e entrou para a história da Copa de 1950

Pode parecer inimaginável atualmente, mas em 1950, na primeira Copa do Mundo realizada no Brasil, erros banais de organização como cores parecidas do uniforme de duas equipes ainda aconteciam e foi exatamente o que ocorreu em 2 de julho quando México e Suíça se deram conta da coincidência na véspera da partida marcada para ocorrer no estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre.

Naquela ocasião, tanto a seleção mexicana (que atualmente usa um uniforme verde) quanto a seleção suíça trajavam uniformes predominantemente vermelhos. A única solução encontrada foi pegar emprestado camisetas com uma equipe local e sortear quem teria que se trocar antes da partida. Foi quando os envolvidos se deram conta de mais um problema: o Internacional, dono da casa, também usava vermelho.

Foi desse jeito repleto de coincidências e também, talvez pelo fato de estar às vésperas do seu aniversário de 37 anos em 14 de julho de 1950, que o modesto Esporte Clube Cruzeiro, uma equipe da capital gaúcha, entrou para a história das Copas. Com sua sede localizada próxima ao estádio, coube ao clube emprestar suas camisetas com listras verticais em azul e branco para a seleção mexicana que, mesmo ganhando o sorteio, escolheu trocar de uniforme de olho no apoio da torcida local. O que, de fato, aconteceu.

Na Copa de 1950, a solução encontrada para minimizar a semelhança dos uniformes de México e Suíça foi pegar emprestado as camisetas listradas verticalmente em azul e branco do Cruzeiro-RS

 

Mas não foi o suficiente. O México acabou sendo derrotado pela Suíça por 2 a 1, mas o resultado pouco importava para mexicanos e suíços que já estavam eliminados da competição e só cumpriam tabela. Para o Cruzeiro porto-alegrense, porém, importou e muito! Já que o clube se orgulha até hoje de ser a única agremiação brasileira representada dessa forma na história das Copas.

2. O capitão campeão que largou os exaltados para se juntar aos humilhados na Copa de 1950

No entanto, o episódio mais marcante na Copa do Mundo de 1950 foi, sem dúvidas, o Maracanaço. Tudo ia bem para a seleção brasileira que jogava em casa em busca do seu primeiro título mundial e precisava só de um empate no jogo final da Copa contra o Uruguai diante do maior público de todos os tempos: mais de 200 mil torcedores. O final daquele jogo, porém, todos sabem. Mesmo com tudo a favor, o Brasil perdeu a partida e o título o que àquela altura era a maior frustração da história da seleção brasileira até o fatídico 7 a 1 (falaremos mais sobre isso).

Mas engana-se quem pensa que os uruguaios que calaram o Maracanã cutucaram a ferida dos brasileiros depois da vitória por 2 a 1 de virada naquela tarde de 16 de julho de 1950. Pelo contrário. O mesmo capitão que liderou a aguerrida equipe uruguaia contra uma das melhores seleções do mundo apoiada por 200 mil vozes foi quem acabou se tornando o símbolo da solidariedade de um país pelo outro: Obdulio Varela.

O capitão uruguaio Obdulio Varela que levantou a taça Jules Rimet no Maracanã e frustrou a expectativa brasileira se arrependeu do sofrimento causado no mesmo dia quando foi beber com os derrotados

Depois da derrota, uma tristeza inconsolável abateu o Rio de Janeiro e, provavelmente, todo o país. Os uruguaios, por sua vez, não conseguiram passar inertes. Foi o próprio “El jefe negro”, como Obdulio era conhecido, quem contou ainda em vida, ao jornalista Osvaldo Soriano, do diário uruguaio La Opinión que, se pudesse, teria feito tudo diferente. Ele relata que após o jogo, sem a dimensão exata do que havia feito, despersou-se da delegação uruguaia e junto ao massagista da equipe saiu para perambular pelas ruas e bares da capital fluminense.

Sem um tostão no bolso que servisse, pediram para beber fiado num bar próximo ao Maracanã e, sentados numa mesa no fundo do estabelecimento, presenciaram a tristeza brasileira. Um grandalhão, em especial, chamou a atenção do craque. Chorava como uma criança, mas quando foi apresentado à Obdulio pelo dono do bar convidou-lhe para beber com ele “para esquecer”.

Naquele momento, relata o próprio capitão: “Dei-me conta de que estava amargurado como ele. Eles tinham preparado um grande carnaval e nós tínhamos estragado tudo. Se eu tivesse que jogar outra vez aquela final, faria um gol contra, sim senhor, pois a única coisa que conseguimos ao ganhar esse título foi dar brilho aos dirigentes da Associação Uruguaia de Futebol e causar grande dor aos brasileiros.”

Poucos anos depois de declarar isso, Obdulio, que se aproximou muito dos jogadores brasileiros daquela final e se mostrava sempre muito arrependido da carga que ele tinha colocado sobre os ombros dos derrotados naquela partida, morreu, mas deixou para trás o legado de uma demonstração de solidariedade sem precedentes nem repetições na história do futebol.

3. O atacante que rejeitou a França e a Copa de 1958 para lutar por seu próprio país

A história de Rachid Mekloufi é mais uma daquelas que imaginamos ser impossível de acontecer hoje em dia, mas que na época já não foram menos surpreendentes. Em abril de 1958, ele estava no auge de sua carreira. Era o destaque do modesto Saint-Étienne que tinha acabado de surpreender a todos e conquistar de maneira inédita o Campeonato Francês, tinha marcado 25 gols na temporada e dado inúmeras assistências para seus companheiros, se tornando nome certo na convocação da seleção francesa às vésperas da disputa da Copa do Mundo de 1958 na Suécia… Tudo isso não fosse por um detalhe: ele era argelino. E seu país estava em guerra justamente contra a França.

A nacionalidade, no entanto, não foi problema para o técnico Albert Batteux nem para nenhum outro cidadão francês. Eles estavam acostumados a convidarem os melhores jogadores que atuavam no país a jogar pela seleção local e receber um “sim” como resposta, principalmente daqueles que vinham de países de pouca tradição no futebol e não poderiam disputar uma Copa de outra forma. Mas com Rachid as coisas foram diferentes e no mesmo dia que deveria estar entrando em campo para disputar um amistoso pela França, em Paris, uma operação foi montada para que ele e outros dez jogadores argelinos que atuavam an França conseguissem deixar o país para que pudessem jogar com as cores da Força de Libertação Nacional (FLN), uma mistura de partido político de oposição com movimento guerrilheiro que lutava justamente pela independência da Argélia da França.

A polêmica decisão do coletivo de jogadores chamou atenção para a causa libertária e gerou grande repercussão, mas no caso de Rachid, era ainda mais delicado. Tratava-se do principal jogador em atividade no país, convocado para defender a seleção de uma potência europeia com chances de título, arriscando todo seu prestígio, dinheiro, fama e a possibilidade de se tornar campeão mundial em troca da causa que acreditava: ver o seu país livre, independente e acabar com uma guerra que já tinha matado centenas de milhares de pessoas.

É claro que a França não quis deixar barato e usou toda sua influência política para exigir que a FIFA aplicasse sanções não só aos jogadores e à seleção da FLN como a qualquer país que aceitasse jogar contra eles na tentativa de conter a propaganda da causa libertária através do futebol. Pouco adiantou.

Dentro de campo, Rachid comandou a seleção que realizou 91 jogos entre abril de 1958 e julho de 1962. Fora dele, Rachid se tornou o símbolo máximo do movimento de insurreição da colônia contra a metrópole e teve seu rosto estampado em cartazes espalhados por todo país como um grande herói do movimento que finalmente conseguiu declarar a independência da Argélia.

Rachid Mekhloufi se tornou ídolo da torcida e herói da independência da Argélia ao abrir mão do prestígio, fama e dinheiro que tinha no auge de sua carreira como jogador na França

Mas se politicamente, Rachid tinha sido bem sucedido, restava a dúvida sobre o futuro de sua carreira como jogador de futebol profissional.

A essa altura, a Copa de 1958 já tinha passado há muito e mesmo o futuro do atacante no futebol francês tinha ficado ameaçado. Na sua ausência, porém, o Saint-Étienne tinha voltado a ser um time comum e, uma vez resolvido o impasse diplomático, promoveu imediatamente o retorno de Rachid ao clube ainda sob desconfiança. O que não demorou nada para se dispersar quando os torcedores novamente se renderam ao futebol do argelino que conduziu o clube francês novamente aos títulos nacionais de 1964, 1967 e 1968, além da Copa da França, em 1968, quando Rachid marcou os dois gols da vitória na final por 2 a 1.

Apesar disso, Rachid encerrou sua carreira sem nunca mais ter tido a chance de disputar uma Copa do Mundo como em 1958. Arrependimento? Longe disso. “O que eu consegui com a equipe da FLN não pode ser comprado nem como todo o ouro do mundo. Com o passar do tempo, nenhum de nós se arrependeu… Fomos militantes, fomos revolucionários. Eu lutei pela independência da Argélia. Nada está acima disso”, disse o argelino durante uma entrevista décadas depois.

Por capricho do destino, porém, coube justamente à Rachid conquistar como treinador aquilo que tinha abandonado como jogador: uma participação na Copa; e dessa vez pela sua legítima seleção argelina. Do banco de reservas, ele viu seus comandados conquistarem a classificação inédita para a Copa do Mundo de 1982 e ainda fez “As Raposas do Deserto” terem uma participação mais do que digna na Espanha, ao vencer dois jogos na fase de grupos, sobre a poderosa Alemanha Ocidental (2 a 0) e sobre o Chile (3 a 2) e ser eliminada apenas nos critérios de desempate, dando ao povo argelino mais um motivo de idolatria por aquele que abriu mão de tudo que tinha para lutar pela independência de seu país.

4. A união das nações africanas pela participação na Copa de 1966 e contra o Apartheid

A história da Argélia acima ajuda a explicar parte do contexto africano nas décadas de 1950 e 1960. O continente passava por um momento de forte atividade política com vários países lutando por suas independências ou enfrentando graves guerras civis. Em meio a tudo isso, muitas nações novas-livres queriam se projetar para o mundo e o futebol seria uma ótima vitrine não fosse uma barreira imposta pela FIFA contra a qual os países africanos tiveram que lutar.

Na Copa de 1966, 16 seleções se classificavam para a competição. Um número que deveria ser suficiente para que a Copa do Mundo contasse com pelo menos um representante de cada continente. Isso, porém, não aconteceu, já que o melhor colocado nas eliminatórias africanas não garantia acesso direto, precisando passar ainda por uma espécie de repescagem contra um representante asiático em busca desse espaço.

A condição foi vista como uma forma de segregação promovida pela FIFA, dominada por europeus que colonizavam o continente, por mais de 15 países africanos. Eles pressionaram a FIFA em busca de uma mudança nessa regra e chegaram a praticar boicote, se recusando a entrar em campo em várias partidas das eliminatórias. Dessa forma, eles conseguiram, ainda que tardiamente, uma revisão da imposição e garantiram um espaço na Copa seguinte, no México, em 1970.

Essa segregação, porém, não foi a única contra a qual os africanos protestaram e lutaram naquele ano. Ainda dentro do contexto do futebol, e talvez motivado pela disputa de uma vaga na Copa, a grande maioria dos países cobraram que a FIFA também impedisse a participação da África do Sul ao não reconhecer a federação e, de modo geral, o governo sul-africano que promovia o regime do Apartheid desde 1948.

A FIFA novamente demorou, mas, no fim, sedeu à pressão. A paralização, os protestos e os boicotes das seleções africanas que, inclusive, se recusaram a entrar em campo contra o time da África do Sul chamaram a atenção da mídia internacional e provocaram uma discussão global sobre sanções esportivas, políticas e diplomáticas contra o país que constitucionalizou a discriminação.

Com o esvaziamento das eliminatórias africanas, não houve alternativa para a FIFA que não fosse banir a África do Sul de todas as competições organizadas ou subordinadas a ela. Algo que persistiu até o fim do regime segregacionista já na década de 1990 e serviu de inspiração para confederações de outras modalidades que foram pelo mesmo caminho e isolaram o país sul-africano.

Dessa forma, a resistência criada pelos demais países africanos num momento em que o continente inteiro estava fragilizado pelos diversos conflitos internos foi fator decisivo para que a história das Copas e de diversas outras competições internacionais não fosse borrada com a participação do país que além de hierarquizar os cidadãos por seus direitos e deveres ainda reprimia com violência as etnias que protestavam contra o Apartheid.

5. Jogador marfinense se emociona durante o hino nacional e chama atenção na Copa de 2014

Ele não foi o único. Neymar e Thiago Silva, por exemplo, também se emocionaram durante a execução do hino nacional. Mas as lágrimas de Serey Die certamente foram as que mais chamaram atenção durante a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil. Talvez não pelo motivo certo, mas ainda assim muito digno.

Era o segudo jogo da fase de grupos. Colômbia e Costa do Marfim estavam em campo cumprindo o protocolo antes da partida quando o hino nacional marfinense começou a tocar e Serey Die veio às lágrimas. Os companheiros tiveram que consolá-lo, a imprensa ficou curiosa: afinal, o que teria levado o jogador a choro tão sincero?

Serey Die não se conteve e foi às lágrimas durante a execução do hino nacional da Costa do Marfim na Copa do Mundo. O motivo? Apenas patriotismo

Após o jogo, um tweet do jogador causou um grande desentendimento. Serey Die publicou uma mensagem em solidariedade a um companheiro de time que tinha perdido o pai no mesmo dia do jogo junto a sua foto chorando e a imprensa internacional derrapou: contou a história de que teria sido o pai do próprio jogador a falecer, o que precisou ser desmentido depois. Seu pai havia morrido em 2004 e o verdadeiro motivo de seu choro foi unicamente a emoção de vestir a camisa da Costa do Marfim no mundial.

“Olá, apenas quero dizer que é errado o que todos dizem, que me emocionei por causa do meu pai, porque ele morreu em 2004. Foi apenas a emoção por estar em uma Copa do Mundo e servir o meu país, a Costa do Marfim. Nunca pensei um dia estar nesse nível de competição”, escreveu o atleta que segue jogando no Basel, da Suíça.

Durante a partida, Serey Die não foi tão feliz. Ele acabou falhando em lance fundamental para o resultado final da partida, aos 24 minutos do segundo tempo, quando tentou um drible no meio de campo e acabou sendo desarmado por James Rodríguez em jogada que acabou com o gol de Quintero, o segundo da vitória da Colômbia por 2 a 1.

Fora de campo, porém, o marfinense foi muito mais bem sucedido e relembrou que, apesar da tristeza pela falha e pela derrota, havia coisas mais importantes na vida a se lamentar: “Futebol não é tudo. Um pai morreu hoje. A vida marcou um gol contra nós novamente”, encerrou.

6. A torcida brasileira que se rendeu e aplaudiu a Alemanha após o 7 a 1 na Copa de 2014

Não há dúvidas de que o Brasil ainda é o país do futebol. Menos por ser o único pentacampeão mundial. Menos por ser o único a ter disputado todas as edições de Copa do Mundo. Menor por ser o país do Rei do Futebol, o único jogador tricampeão mundial. E mais porque o futebol é parte íntrinseca de nossa cultura. Alemanha, Itália, França, Argentina e mesmo a inventora do futebol Inglaterra podem acumular quantos títulos quiserem, mas nenhum deles – assumindo o risco de fazer a comparação não recomendada – superam ou sequer equivalem à relação carne e unha que o Brasil tem com o futebol. E por isso mesmo, em 8 de julho de 2014, o país chorou.

Já havia chorado em julho de 1950, quando sediou a Copa pela primeira vez e perdeu. E chorava agora em julho de 2014, ao sediar a Copa pela segunda vez e perder. Não uma derrota na final por 2 a 1, daquelas que se lamenta, mas acontece. Um derrota na semifinal por infindáveis 7 a 1. Naquele dia, um Mineirão lotado por torcedores brasileiros dispostos, e não poderia deixar de ser, a empurrar a seleção sem o seu principal jogador e sem o capitão da equipe contra a também poderosa Alemanha tiveram todo tipo de reação.

Primeiro, a expectativa. Chegada ao estádio, semifinal em casa, dois passos do hexa. Depois, o orgulho. Hino nacional sendo bradado a plenos pulmões num Mineirão à capela. Daí então, o nervosismo. Primeiros toques na bola, passe errado, contra-ataque, dividida. Logo a diante, o susto. Placar aberto aos 11 minutos, gol da Alemanha. Imediata esperança. Gritos de “eu acredito”, “time da virada”, “Brasil, Brasil, Brasil”. E então, a perplexidade. “Olha o perigo”, gol da Alemanha. “Chegaram de novo”, gol da Alemanha. “Virou passeio”, gol da Alemanha. “Lá vem eles de novo, olha só que absurdo”, gol da Alemanha.

A perplexidade foi apenas um dos sentimentos que passaram pelos torcedores brasileiros que presenciaram o histórico 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa

No fim do primeiro tempo, a decepção. Ouvia-se vaias e vias-se lugares vazios na arquibancada. No começo do segundo, a rejeição. Houve espaço para mais dois gols da Alemanha. No fim do segundo, a desonra. Porque o único gol do Brasil não poderia ser chamado de gol de honra.

E, por último, o reconhecimento: Em meio à tanta dor, os corajosos sobreviventes, testemunhas históricas do massacre, maior vexame da história da seleção brasileira, aplaudiram de pé os adversários.

E começaram a planejar a vingança.

Que venha a Copa 2018.

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