Ciência

Desempenho positivo na Copa diminui polarização política e até violência, aponta pesquisa

por: Vitor Paiva

Basta acompanhar uma Copa do Mundo para rapidamente perceber que a coisa vai muito além de uma simples competição de futebol: para além das tramoias e das negociatas que infelizmente contaminam esse evento, trata-se de um imenso encontro mundial em celebração, de diferentes nacionalidades, identidades, etnias, religiões e regiões. A partir de tal sentido, uma pesquisa sugere que o bom desempenho de uma seleção nacional em um torneio de tal escala pode realmente possuir um sentido político profundo: pode ser capaz de unir nações divididas.

O estudo, realizado por um time internacional de economistas, baseou-se em países da África subsaariana para explorar o efeito da vitória de uma seleção de futebol sobre o sentido étnico e nacional de identidade. Lembrando do processo de união nacional promovido por Nelson Mandela ao redor do time sul-africano de rugby em 1995 (mesmo se tratando de um esporte e equipe ligada à África do Sul branca), o estudo concluiu que, após uma vitória, o senso de identidade nacional e coletivo mais amplo cresce diante da identidade étnica e tradicionalmente mais segregada.

Mais do que isso, membros de certo grupo étnico passam a confiar mais em outros grupos que igualmente formam a nação. Em resumo, os cidadãos de um país se integram e se identificam mais com grupos distintos que formam tal população após um bom desempenho em uma competição internacional de futebol. O estudo se baseou em uma pesquisa realizada a partir de 70 partidas entre 2002 e 2013, e sugere, portanto, que o mesmo efeito pode acontecer sobre polarizações políticas e ideológicas que possam dividir uma nação.

Até mesmo níveis de conflitos e violência se reduziram drasticamente entre as nações que, por exemplo, chegaram às finais da Copa Africana de Nações. Tal diferença persistiu, segundo o estudo, por até seis meses após as partidas, em comparação com países que não foram longe no torneio. Trata-se, portanto, de um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para países em conflito – além de um belo e efetivo exemplo do impacto e da importância que o esporte pode possuir em qualquer canto do mundo.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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