Futuro

Desescolarização: os bastidores da reportagem que inaugura formato especial de conteúdo no Hypeness

08 • 06 • 2018 às 11:45
Atualizada em 11 • 06 • 2018 às 11:45
Bruna Rasmussen
Bruna Rasmussen Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

Uma professora usa poesia para ensinar algoritmos. Um engenheiro dá aulas de Física gratuitamente em uma praça do Rio de Janeiro. Um ex-cortador de cana se forma médico. Nos Estados Unidos, um senhor de 82 anos estuda Economia na mesma universidade que a neta. Um pouquinho além-mar, na Índia, uma escola decidiu dar mais ênfase à felicidade que à Matemática. Voltando para o Brasil, cerca de 5 mil famílias ensinam seus filhos fora da escola – por opção.

Ideias vão e vêm através das décadas, tornam-se verdades, são substituídas, voltam à moda, tomam outras formas e abrem novos caminhos, sempre com um objetivo constante: melhorar algo. Nós do Hypeness somos apaixonados por buscar e dar luz às ideias que ajudam a girar a catraca que faz do mundo um lugar um pouquinho melhor – mais justo, sustentável, diverso e, sobretudo, feliz. Uma das áreas que mais acompanhamos é a da Educação. Afinal, acreditamos que aprender é um processo que caminha paralelo com a vida e que é imprescindível para que possamos navegar pela existência de forma mais esclarecida e plena.

Sabemos que no tema Educação, as escolas dos países nórdicos frequentemente são referência. Com lugar cativo nas manchetes e reportagens, elas surpreendem ao unir tecnologia e humanidade, garantindo aos alunos excelentes resultados em testes gerais de aptidão quando comparados a estudantes de outras nações. Mas ensejar esforços para aplicar a receita escandinava aos demais modelos educacionais do mundo seria a única maneira de melhorar esse algo chamado Educação? E se houvesse outras maneiras?

Desescolarização, ou Unschooling

Intrigados com as mais de 5 mil famílias brasileiras que optam por educar seus filhos longe do ambiente escolar, fomos entender mais sobre o ensino domiciliar e acabamos conhecendo uma proposta de aprendizado que vai além dos livros didáticos, salas de aula e de todo o universo que naturalmente trazemos à mente quando pensamos em Educação. O Unschooling, ou Desescolarização, é um processo de aprendizagem seguido por milhares de famílias no Brasil e no mundo e que consiste em retomar o modo com que boa parte da humanidade, através dos séculos, aprendeu: com a vida.

Sem procedimentos formais ou instituições, há crianças vivendo sua infância com aprendizados diferentes daqueles que garante a educação formal. A Matemática ganha espaço nas gôndolas do supermercado e nas matérias do caderno de Economia, o Português é vivido na literatura e a Biologia é aprendida em um grande e complexo laboratório chamado mundo real.

Muitas dessas crianças não têm um sino que indica a hora do recreio ou uma nota ao fim de dois meses de estudo; elas vivem e aprendem, tudo ao mesmo tempo, em um processo contínuo. Essas crianças nunca vão “acabar seus estudos” e têm o aprendizado facilitado pelos pais e familiares, que hoje, mais do que nunca, contam com a riqueza dessa grande biblioteca chamada internet – muito além dos memes, fofocas e joguinhos há uma vastidão de conhecimento a ser aprendido.

O Hypeness conheceu a história de algumas das crianças que vivem a Desescolarização, entendeu as dinâmicas familiares, as dificuldades e também as conquistas. Uma prática que vai na contra-mão da Educação Institucionalizada não raro é vista com preconceitos. Assim como tudo, a Desescolarização tem suas vantagens e seus reveses; pode ser bom para um, mas não para outro. Mas o que efetivamente implica escolher tirar seu filho da escola e permitir, em um processo familiar conjunto, que o aprendizado siga rumos informais? Para entender o assunto em toda a sua complexidade, conversamos também com pessoas que, dentro do ensino institucionalizado formal, são Doutores em Educação, Filósofos e Psicólogos e discutimos junto a eles os mais diversos tópicos que permeiam o assunto.

Conteúdo em novo formato

A riqueza do universo com que nos deparamos e a forma com que, a partir dessa ideia, crianças têm tido a chance de viver e de se desenvolver de formas diferentes, pediu mais do que uma simples reportagem. Sabíamos que alguns parágrafos e fotos não seriam suficientes. Com o tema Desescolarização, o Hypeness lança um novo modelo de matéria especial, o Branded Room, em que o assunto é trazido de forma aprofundada e, principalmente, visual.

Para contar a história de uma dessas crianças que trocaram a sala de aula pelo mundo, fomos até Ubatuba, no litoral paulista, onde conhecemos a Déborah e o Cauê, cuja história de vida contamos em Contra a Maré, um mini documentário, produzido em parceria com a produtora La Casa de La Madre. Com o mini documentário, ilustrações e uma organização de texto diferenciada, inauguramos não só um formato de apresentação de conteúdo, mas um convite: que nossos leitores possam conhecer ideias sem buscar, em um primeiro momento, classificá-las entre certo e errado, mas pensar além de tudo aquilo que hoje entendemos como mundo.

Clique na imagem abaixo para acessar o Branded Room sobre Desescolarização:

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O Branded Room sobre Desescolarização não teria sido possível sem a disposição da Déborah e do Cauê para nos convidar a conhecer suas vidas; obrigado! Obrigado ao time do La Casa de La Madre, que se encantou pelo tema e topou contar a história dessa família em um documentário incrível. Agradecemos também ao Álvaro Dantas por compartilhar um bocado da vida de sua família e ideias sobre a Desescolarização. As reflexões de Carla Ferro, Ana Thomaz, Juliana Radaelli, Luciane Muniz foram fundamentais para compreendermos melhor as temáticas que permeiam a Desescolarização; agradecemos pela disposição e paciência. Agradecemos também ao Pablo Silva, Damiris Ribeiro, Nohan Ribeiro, Enio Miki, Livia Jacome e Diogo Azevedo, do time de design e desenvolvimento da Webedia por construir junto com o Hypeness esse novo formato. Pessoalmente, agradeço à Clara Caldeira, ao Rafael Rosa, Rafu, e ao Rafael Nardini pela confiança de dar a mim a chance de estrear esse formato de conteúdo tão especial.


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