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Manas do Norte: 19 mulheres maravilhosas para conhecer a música do norte do Brasil

por: Gabriela Rassy

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Terra de Fafá de Belém e Gaby Amarantos só podia dar outros bons frutos. Quem já foi para o norte se apaixonou. Seja passando por Belém e sua riqueza gastronômica até Manaus e nossa maravilhosa floresta. Pr’além das belezas naturais e da gastronomia mais raíz brasileira que a região oferece, a música do norte transita entre o tradicional e o modernoso, passando pelo fino e pelo brega.

Dentro deste cenário cultural riquíssimo, algumas mulheres maravilhosas que podem e devem ser conhecidas. Passando por diversos estilos, as cantoras, compositoras e instrumentistas mostram que nossa boa música não tem limites e nasce em cada canto do país. Já que estamos falando de som, dá o play e vamos nessa:

“A música do norte tem uma coisa peculiar que é a influência caribenha muito forte, até pela questão da fronteira. O nosso sotaque ele é muito especial, que é um chiado que tem uma vibração mais intensa. Os cantores do norte são mais ‘calietes’ pelo modo de viver que é diferente da galera do sul, do sudeste”, acredita Marcia Novo, cantora e compositora de Manaus.

Ela ainda indica outra parceira do norte para conhecermos: “A Patricia Bastos que é uma cantora maravilhosa do Amapá que traz no seu som muita influência do tambor do cuariaú, com a música africana. É um trabalho lindo, ela pega o dialeto caboclo e canta desta maneira particular”.

A riqueza do norte do Brasil remonta nossas origens, com muita influência dos povos indígenas. “Essa característica é marcante na música, nas danças e até na culinária do norte do Brasil. Os sons e ritmos de instrumentos como o tambor, maraca e a flauta foram incorporados, as lendas usadas muitas vezes como temas das canções, a forma de dançar em roda e muitas outras características herdadas da Cultura indígena”, explica a cantora paraense Lia Sophia.

Dentro deste universo, ela indica o trabalho da Keila, ex-integrante da Gang do Eletro, também conhecida como a Rainha do Treme – dança que nasceu de maneira espontânea na pista das festas de aparelhagem. “A fusão de ritmos, que vão do tecnobrega à cúmbia, marcam o trabalho dela e a defesa da mulher da periferia também faz parte da sua música”, diz Lia.

Aí vai então um pequeno aperitivo para conhecer algumas dessas mulheres que fazem do norte um lugar mais do que musical. Vamos à elas!

  • Pará

 

Aíla

Nascida na Terra Firme, bairro da periferia de Belém, Aíla é um dos principais nomes da nova música produzida no Pará e no Brasil. Em 2016 lançou “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, pelo edital Natura Musical, com pegada artivista, canções próprias e de parceiros, além de uma inédita de Chico Cesar e outra em parceria com Dona Onete. No trabalho, ela investe em uma sonoridade mais pop, que flerta com as distorções do rock e ao mesmo tempo com os beats eletrônicos, reflexo também da conexão Belém – São Paulo, onde reside hoje. O novo disco discute temas urgentes, como feminismo, questões de gênero, assédio, intolerância e resistência, e entrou nas principais listas de melhores do ano.

Luê

A paraense lança em 2017 seu segundo disco de estúdio, “Ponto de Mira” (Natura Musical), que sai da região Norte e se mistura com referência de São Paulo, onde vive hoje. Um trabalho que une a linguagem tradicional das cordas com a moderna dos sintetizadores. O músico Zé Nigro é o produtor de “Ponto de Mira” (2017) e o responsável por fazer transparecer esse momento de Luê.

Natalia Matos

A cantora e compositora acaba de lançar seu mais novo álbum “Não Sei Fazer Canção De Amor”, com uma atmosfera mais dançante. A artista e sua banda colocam o amor pra jogo e se divertem com músicas que apresentam um cenário pop sem deixar de lado a poesia, presente nas letras das canções.

Juliana Sinimbú

De origem paraense e paraibana, completa 10 anos de música e uma estrada significativa na nova geração da música do Belém. Em 2017, lança “Sobre Amor e Outras Viagens”, produzido em parceria com Arthur Kunz (Strobo) e mixado por Martin Scian. O disco traz uma sonoridade pop eletrônica e tem no repertório parcerias com Matheus VK, Duda Brack e Jeff Moraes; versões do melody “Louca Saudade” e do funk carioca dos anos 90, “Só depende de Você”.

Keila Gentil

A cantora ficou conhecida por ser a voz da Gang do Eletro, banda que surgiu em Belém e amplificou a cena do tecnobrega e do eletromelody paraenses no Brasil e no mundo. Agora ela chega com trabalho solo ainda muito dançante.

Dona Onete

Rainha do carimbó chamegado, a cantora e compositora se lançou na música com 73 anos. Hoje, com 77, faz shows pelo mundo todo levando a cultura paraense. Seu último álbum lançado foi Banzeiro, que a levou para turnês pela Europa e EUA. Há quem diga que ela começou a cantar ainda menina para os botos, em Cachoeira do Arari (ilha do Marajó-PA). Eu acredito!

Joelma
Cantora, compositora, estilista, empresária, coreógrafa, dançarina e produtora musical. Joelma come o mercado da música como poucas.Começou a carreira aos 19 anos e até hoje faz sucesso imenso por esse Brasilzão. Joelma ganhou 15 prêmios e mais de 30 indicações, além de ser a única artista brasileira, além de Ivete Sangalo, a receber uma certificação de disco de diamante quíntuplo pelo sucesso de vendas. Mulherão da porra sim!

DJ Meury
DJ e produtora, Meury ganhou espaço em um ambiente que no Pará é dominado por homens. Conhecida como a musa das produções, ela faz criações de tecnofunk que são estouro absoluto desde as aparelhagens do Pará até as festas de São Paulo.

Guitarrada das Manas

Essa é novidade total: uma guitarrada feita só por manas. A dupla que surgiu em meados de 2017 é o primeiro grupo do gênero formado exclusivamente por mulheres. Além de Guitarradas, o repertório passa pelos clássicos do brega à cumbia, apresentando um show dançante e cheio de energia.

Fafá de Belém
Clássicos são clássicos e Fafá é um deles. Com carreira reconhecida desde 1975, quando a música “Filho da Bahia”, em sua voz, entrou para a trilha sonora da novela Gabriela. Em 2015 lançou “Do tamanho certo para o meu sorriso”, marcando seus 40 anos de carreira.

Gaby Amarantos
Extrapolou a música e ganhou a televisão com seu jeito marcante. Também nasceu na periferia de Belém e começou a carreira no coral da Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Foi uma das grandes responsáveis pelo surgimento e difusão do tecnobrega, ganhando o Brasil e o mundo. Em maio de 2012, Gaby lançou seu primeiro disco solo, “Treme”, com produção de grandes nomes como Carlos Eduardo Miranda e Felix Robatto. Em 2018 lança o sigle “Sou mais Eu” e segue com programas na televisão.

  • Amapá


Patrica Bastos

Com o álbum Zulusa (palavra que combina zulu com lusa), lançado em 2013, Patrícia foi premiada no 25º Prêmio da Música Brasileira, como melhores disco regional e cantora regional. Seu sexto trabalho, “Batom Bacaba”, traz as características musicais da cultura amapaense como o marabaixo, batuque e cacicó. Com o álbum, Patrícia foi novamente indicada para a 28ª Edição do Prêmio da Música Brasileira de 2017, nas categorias de Melhor Álbum e Melhor Cantora, e para o Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.

Lia Sophia

Cantora, compositora e instrumentista, Lia nasceu em Caiena, na Guiana Francesa, em 1978, e mudou para o Macapá ainda criança. Com cinco álbuns na carreira – “Livre”, 2005, “Castelo de Luz”, 2009, “Amor, Amor”, 2010, “Lia Sophia”, 2013, e “Não me Provoca”, 2017 -, ela é conhecida pelo som que mistura influências da música regional nortista, como a percussão do carimbó, com ritmos internacionais.

  • Manaus


Marcia Novo

Márcia Novo é a cantora pop star de Parintins, cidade conhecida pela festa do Boi da Amazônia. Ela é a comandante da viagem pelos gêneros musicais que permeiam o Amazonas, e taca-lhe peia de lambada, cumbia, reggaeton, brega, beiradão e boi-bumbá. Seu último videoclipe, Se questa, contou com a participação do cantor David Assayag, ícone do boi-bumbá, e Zezinho Corrêa, da banda Carrapicho. Este trabalho dá continuidade à sua nova empreitada musical ao lado do maestro paraense Manoel Cordeiro, produtor musical de grandes nomes como Fafá de Belém e Felipe Cordeiro.

Djuena Tikuna
Notícia boa de 2018, a cantora foi indicada à maior premiação musical indígena do mundo, o “Indigenous Music Awards”’, que acontece anualmente na cidade de Winnipeg, no Canadá. Foi a primeira artista indígena da Amazônia brasileira a receber a indicação. Nascida na Aldeia Umariaçu, região de Tabatinga (AM), Djuena começou a cantar profissionalmente há 10 anos, na antiga feira Puka’ar: Mãos da Mata, que acontecia na Praça da Saudade, no Centro Histórico de Manaus.

Anne Jezini
A cantora nasceu em Manaus, Amazonas e passou parte da infância entre São Paulo e Roraima, começando a cantar no coral da escola aos 11 anos. A temporada de estudos de música em Londres em 2012, influenciou a compositora e cantora, misturando os estilos do Brasil com sintetizadores e beats. Cinética, produzido por Lucas Santtana, lançado em 2016, também foi eleito pela Beehype como um dos 50 melhores álbuns brasileiros de 2016.

Marcia Siqueira

Com mais de 30 anos de carreira, Márcia passeia pelos ritmos desde pequena. Aos 14 anos começou a cantar profissionalmente. O primeiro trabalho, “Canto de Caminho”, veio em 2001, com um som completamente regional com faixas retratando o cotidiano, lendas e crenças do amazônida. Em 2003, a cantora lançou o disco “Encontrar Você”, com músicas de amigos do Piauí e Amazonas. O cd “Nada a Declarar” (2008), com canções do artista plástico Rui Machado e parceria com outros artistas locais, trouxe uma Márcia mais romântica.

Eliana Printes

Eliana é clássico do Amazonas. Começou sua carreira ainda muito jovem, entre doze e treze anos. Tem oito CDs de carreira, duas coletâneas (O melhor de Eliana Printes e Coleções), além de várias compilações no Brasil e no exterior, dentre elas o CD Divas Cantam Jobim.

  • Acre


Nazaré Pereira

A cantora e compositora acreana, nascida no seringal de Iracema, na cidade de Xapuri, já se apresentou em vários palcos pelo mundo, sempre cantando a Amazônia, seus valores, sua fauna, sua flora e nossa música, onde vem valorizando sempre os compositores nortistas. Nazaré já gravou músicas de grandes compositores brasileiros, como Luiz Gonzaga, João do Vale e Waldemar Henrique e é também compositora de canções como “Xapuri do Amazonas”, clássico da cultura paraense. Grande parte do trabalho de Nazaré foi produzido na França, onde reside há 30 anos.

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Agradecimentos especiais para Ricardo Venturini e Márcia Novo.


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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