Debate

“O samba é coisa de bandido”, Cesar Menotti causa revolta por fala preconceituosa

por: Redação Hypeness


“E tem mais, na minha opinião o samba é coisa de bandido”, esta frase em um suposto tom de brincadeira foi dita no programa Altas Horas, da TV Globo, pelo cantor sertanejo Cesar Menotti, da dupla com Fabiano.

Tudo aconteceu enquanto Menotti contava um causo sobre um show realizado em uma penitenciário no início de carreira e citou a insistência de algumas pessoas em ouvir samba. Não é pra menos, afinal falamos do gênero mais popular do Brasil.

Pois bem, em tom de brincadeira que mais se aproximou do deboche e preconceito, Menotti justificou que não tocava samba porque além de não ter conhecimento suficiente, o gênero é “coisa de bandido”, disse ele arrancando risadas da plateia e do apresentador Serginho Groissman.

A visão de Cesar Menotti diz muito sobre o Brasil

“Sempre existem os agitadores que pedem que cante música que sabem que você não canta e insistentemente um agitador gritava: Canta um samba, canta um samba! Eu me desculpei, disse que não cantava esse tipo de música e o Fabiano, em uma grande gafe, comentou: ‘E tem mais, samba é música de bandido’”, finalizou.

Rapidamente a fala repercutiu nas redes sociais provocando a manifestação de figuras importantes para o samba, como as cantoras Alcione e Leci Brandão, que repudiaram a afirmação de Menotti.

“Samba não é música de bandido não. Bandidagem é quem compra a mídia pra gente ter que ouvir um monte de música que não traz nenhuma consciência; bandidagem é quem consegue fazer com que a cultura seja toda direcionada pra quem tem poder”, disse Leci em vídeo publicado nas redes sociais.

Diante da enxurrada de críticas César Menotti usou o Instagram para “se desculpar com os que se sentiram atingidos”. O músico negou ainda que tivesse sido racista e criticou o que considera “um texto sem contexto”.


Brincadeira ou não, a declaração que mais parece ter saído do século 19, tempo em que um negro podia ser preso por estar tocando samba, diz muito sobre como as expressões artísticas e culturais negras estão cercadas por uma visão estereotipada e preconceituosa.

A percepção exata deste sistema se dá a partir de uma linha histórica que nasce com a escravidão, passa pela criminalização do samba e da capoeira, das agressões sofridas pelos praticantes de religiões negras para finalmente desaguar no funk. Recentemente o estilo musical foi alvo de uma tentativa de criminalização por meio de um projeto de lei e dos jovens negros de periferias que invadiram shoppings da cidade de São Paulo e foram tratados pela sociedade e imprensa como criminosos.

Em texto publicado na Revista Fórum, Zaira Pires do Blogueiras Negras, aponta a falta de preocupação social em dar voz para a comunidade negra, em especial a juventude como fatores a serem considerados.

“A juventude negra, tal como todo o povo negro, tem sofrido muitas ausências, e qualquer iniciativa que nos coloque como protagonistas de nossa própria história merece respeito e louvor. Sair do papel de sobrevivente e tornar-se ser atuante em busca de satisfação e felicidade é um ganho sem tamanho e sem precedentes. E não há nenhuma dúvida de que o funk, sua estética e seus valores são grandes agentes dessa transformação”.

Lembrando que por unanimidade o samba foi eleito Patrimônio Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Por fim, deixamos aqui a frase de Alcione. “Respeite o sambista, respeite o Samba, respeite as Escolas de Samba e uma coisa é certa… o Samba é do mundo inteiro, portanto, ME RESPEITE!”


Cesar Menotti, eu, Alcione, cantora popular, aprendi a gostar do Samba e a respeitá-lo desde cedo, embora eu seja da terra do bumba-meu-boi, mas eu tenho noção da importância do Samba para esse país. O Samba construiu minha carreira artística, construiu minha vida, me ajudou a ajudar outras pessoas. É do Samba, a maior linhagem que me orgulho de ter conhecido… Cartola, Nelson Cavaquinho, Seu Aniceto, Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Martinho da Vila, Jorge Aragão e não acaba por aqui, a lista é muito grande. O Samba é grande. O Samba representa essa nação. O Samba é capaz de fazer a maior festa do mundo que é o Carnaval. Respeite o sambista, respeite o Samba, respeite as Escolas de Samba e uma coisa é certa… o Samba é do mundo inteiro, portanto, ME RESPEITE! (Alcione)

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Foto: Reprodução/Instagram


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