Debate

Pai usa álbum da Copa para criticar superproteção e post viraliza

por: Redação Hypeness

O mundo atravessa um processo de digitalização extrema e diferente de outros tempos certos hábitos considerados ‘analógicos’ estão perdendo espaço. São muitos os métodos criados para facilitar nossas vidas, mas que por outro lado acabam com a importância de experienciar coisas simples como completar um álbum.

Mais uma Copa do Mundo está batendo na porta e com isso a febre de colecionar figurinhas com os jogadores e suas seleções toma conta de todos, em especial das crianças. Porém ao contrário do que acontecia em outros carnavais, muitos pais estão assumindo a responsabilidade de, digamos, gerenciar o álbum. Contudo, a fixação por facilitar a vida das crias pode fazer com que momentos fundamentais para o amadurecimento de pequenas e pequenos sejam comprometidos.

“Tô vendo muito pai e mãe assumindo a responsa de comprar, organizar, trocar e completar o álbum da garotada. Bicho, vejo isso com uma tristeza imensa. O Davi, meu filho de 7 anos, tá colecionando aqui. O álbum dele tá todo cagado (rasgado, dobrado, figurinha colada torta), faltam umas 50 a 100 figurinhas para completar, ele não tem mais dinheiro no cofrinho e ele já se embananou todo nas primeiras trocas (trocou por figurinhas que já tinha, por exemplo), embora eu tenha passado todas as dicas de como executar essas atividades”, escreveu em sua página no Facebook Felipe Caczan.

Filho foi criado para ser livre

A constatação reacende um debate sobre os efeitos da superproteção. Nas grandes cidades encontrar crianças brincando ao ar livre ou ocupando espaços para além das paredes dos apartamentos não é uma tarefa das mais fáceis. Sob a justa alegação do aumento da insegurança, mães e pais preferem deixar suas filhas e filhos entretidos com um vídeo-game ao liberá-los para jogar bola na rua. Será que esta medida não pode afetar o crescimento da criança?

“A vida tá cheia de decepções, de erros que cometemos, de insucessos…Numa pequena atividade como essa, vocês estão tirando de seus próprios filhos a chance de entenderem que, para ter êxito em algo, há uma série de etapas que precisam ser cumpridas, pensadas, planejadas, perseveradas. Ao colecionar as figurinhas, seus filhos podem aprender de maneira lúdica a importância da organização, do zêlo, da economia, de como lidar com um mercado específico, de como interagir com outras pessoas, etc. E o pior… Ao entregar um álbum completo e impecável que VOCÊS montaram, os senhores estão banalizando a conquista, a vitória, o êxito que deveria ser dos seus filhos”, ressalta Felipe.

Para a escritora Patricia Lages os pais precisam parar de querer fazer os filhos “felizes 24 horas por dia”. Em seu blog no R7 ela ressalta a importância de não “privá-los de se tornarem civilizados através de uma educação básica e da oportunidade de se prepararem para a vida real”.

Seja no caso de Felipe e seu filho Davi ou de tantas outras pessoas por aí uma coisa é fato, a liberdade e o direito ao erro são intransferíveis. Mais do que isso, é tropeçando que aprendemos a andar, não é?

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Foto: Reprodução/Facebook


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