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Trabalho escravo e grilagem de terra colocam em xeque fundador do Instituto Inhotim, diz reportagem

por: Redação Hypeness

A vida de Bernardo de Mello Paz ganhou contornos dramáticos nos últimos tempos. O empresário responsável pela criação de um dos maiores museus a céu aberto da América Latina está diante de um série de investigações e até condenações em função de crimes de evasão fiscal e acusações de trabalho escravo.

Empresário importante, Mello de Paz é o idealizador do Instituto Inhotim, localizado na cidade mineira de Brumadinho e um dos principais centros de cultura e arte do Brasil. De acordo com informações colhidas pelo repórter Alex Cuadros em investigação da revista Bloomberg Businessweek e publicada no The Intercept, esta terra dos sonhos foi construída à base de trabalho infantil, escravo, desmatamento ilegal e grilagem de terra.

“O Inhotim é um monumento à onipresença do dinheiro sujo do mercado de arte”, relata Alex Cuadros.

O sonho do Instituto Inhotim está ruindo com denúncias de corrupção

A ambição de Paz, que nada tem a ver com a democratização da arte, vem de muito tempo. Segundo a publicação, por volta de 1973 o empresário usou o minério como forma de se apossar de terras ocupadas por famílias de agricultores e por meio da empresa Repalsa Reflorestadora SA produziu mais de 20 mil hectares de eucalipto no cerrado de Minas. O resultado? Além dos efeitos nocivos ao ambiente, como a contaminação de córregos, a escassez de água, os agricultores e suas famílias foram expulsos.  

Apesar das seguidas denúncias de maus tratos e abusos por parte da Repalsa, que expôs funcionários ao contato com pesticidas, apenas na década de 1980 Bernardo chamou a atenção da mídia em função da morte de sete trabalhadores.

O cerco foi se fechando com a intensificação de denúncias de trabalho escravo. No ano de 2007 descobriu-se que por volta de 36 pessoas eram mantidas em condições semelhantes à da escravidão. O crime resultou em prejuízo de mais de 13 milhões de dólares.

Agora na mira da Justiça Bernardo de Mello Paz foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão por lavagem de dinheiro. Já distante da presidência do Inhotim Mello também foi condenado em mais cinco anos por evasão fiscal.

Mas não se engane, pois Bernardo conseguiu firmar um vantajoso acordo com o governo mineiro. Para se livrar de dívidas de impostos o empresário se comprometeu em transferir, sem tirá-las do museu, a posse de cerca de 20 obras. A ação resulta em 100 milhões de dólares em impostos atrasados.

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Foto: Wikipédia


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