Debate

Atores interpretam carta de mãe imigrante separada de filho de 18 meses nos EUA

por: Vitor Paiva

A política extrema de perseguição aos imigrantes nas fronteiras dos EUA do presidente Donald Trump, que vem separando famílias e chegou a enjaular crianças, tem provocado críticas ferrenhas por parte de boa parte da sociedade americana. A fim de ilustrar o terrível efeito humano que tal política provoca, diversos artistas se reuniram em um vídeo para ler a comovente carta de Mirian, uma mãe de Honduras que foi separada à força de seu filho de somente 18 meses na fronteira do Texas no início desse ano.

O vídeo foi realizado pela American Civil Liberties Union (União pelas Liberdades Civis Americanas, a ACLU) e reuniu nomes como Amy Schumer, Ryan Reynolds, Julia Louis-Dreyfus, Glenn Close, Kurt Russell, Jake Gyllenhaal, entre outros, para contar a história de Mirian e amplificar as palavras próprias dessa mãe.

Mirian e seu filho migraram de Honduras para os EUA a fim de tentar abrigo e “proteção contra a violência do governo”. Ao chegar no país, no entanto, não só foi detida pelas forças de imigração, como seu filho foi tirado de suas mãos.

“Os oficiais de imigração dos EUA me disseram que estavam tirando meu filho de mim. Eles disseram que ele estaria indo para um lugar e eu estaria indo para outro”, ela diz, no video, pela voz dos artistas. “Eu perguntei por que os policiais estavam separando meu filho de mim. Eles não deram qualquer razão”. Segundo a carta, Mirian não pode sequer se despedir de seu filho, que foi posto em um carro com oficiais, que fecharam a porta e saíram sem que ela dissesse adeus.

Depois de pressão intensa política e da opinião pública, no final de junho Trump revogou a política de separar as famílias. A “Tolerância Zero” no tocante à imigração no país, contudo, permanece em vigor, e muitas famílias ainda encontram-se separadas – com crianças detidas em prisões ou jaulas. “Eu sou a prova de que pais que estão legalmente procurando asilo estão sendo separados de suas crianças por nenhum motivo aparente”, diz Mirian. “Meu coração vai para as outras mães que ainda estão sofrendo por suas crianças”.

A história de Mirian é, portanto, uma em meio a muitas, ilustrando a dor que há por trás da xenofobia e da perseguição, e lembrando que, por trás de qualquer rótulo, há somente uma real definição: seres humanos.

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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