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Como as grandes redes de supermercado contribuem para a pobreza no campo segundo estudo

por: Mari Dutra

Fazer suas compras no supermercado é cômodo, mas pode estar contribuindo para a pobreza no campo. É o que aponta o relatório Hora de Mudar – Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados divulgado pela Oxfam Brasil.

Disponível na íntegra em inglês e espanhol, o relatório possui também um resumo em português. Entre os dados apresentados está a enorme margem de lucro dos supermercados, que destinariam apenas 5% dos ganhos aos produtores rurais. Em compensação, as grandes redes chegam a reter até 50% do dinheiro gasto pelos consumidores em suas lojas.

Outro dado importante se refere justamente aos trabalhadores brasileiros ao lembrar que um em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no Brasil. Os dados apresentados pela Oxfam apontam que o preço do produto teria aumentado 50% em supermercados americanos e europeus, embora o valor destinado a pequenos produtores e trabalhadores rurais seja de apenas 4% do total da venda.

As oito maiores cadeias de supermercados de capital aberto do mundo foram responsáveis por quase US$ 1 trilhão em vendas. Ironicamente, muitos dos produtores de alimentos sequer ganham um salário digno para garantir a sua própria alimentação.

Confira outros dados apontados pelo relatório:

  • Produtores de chá da Índia ou vagem no Quênia recebem em média menos da metade do que seria considerado ideal para garantir uma vida digna em seus países;
  • Mais de 4 mil anos é o tempo que um trabalhador que atua no processamento de camarão na Indonésia ou Tailândia levaria para juntar o salário que um executivo de um supermercado americano ganha em um ano;
  • 96% dos fornecedores já sofreram pelo menos uma forma de prática comercial injusta – que inclui até mesmo receber menos que os custos de produção;
  • 90% das mulheres que trabalham no cultivo de uva na África do Sul afirmaram que não tiveram o suficiente para comer no mês anterior.

Lançado no final de junho, o relatório mostra como as práticas de grandes cadeias de supermercado dos Estados Unidos e da Europa contribuem para a pobreza dos agricultores e pequenos produtores de países na América Latina, África e Ásia. . “Em muitos casos, devolver 1 ou 2% do preço de varejo – e isso pode significar alguns centavos apenas – poderia mudar a vida das milhares de pessoas que hoje produzem nosso alimento, mas mal têm o que comer”, destaca Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, em comunicado à imprensa.

O documento foi elaborado com o auxílio da consultoria de pesquisa Bureau for the Appraisal of Social Impacts for Citizen Information. Ao todo, foram analisadas as cadeias produtivas de 12 itens produzidos em países em desenvolvimento e vendidos na Europa e nos Estados Unidos: café (Colômbia), chá (Índia), cacau (Costa do Marfim), suco de laranja (Brasil), banana (Equador), uva (África do Sul), vagem (Quênia), tomate (Marrocos), abacate (Peru), arroz (Tailândia), camarão e atum (Indonésia, Tailândia e Vietnã).

Através da divulgação do relatório, a Oxfam busca pressionar grandes empresas e governos a oferecer salários justos aos trabalhadores rurais, erradicar condições de trabalho consideradas perigosas ou desumanas e garantir um trabalho seguro e digno para as mulheres produtoras. Para isso, a organização criou uma petição online, que pode ser assinada clicando aqui.

Veja também o vídeo da campanha:

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Imagens: Divulgação


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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