Debate

Justiça impede incineração em massa de 1.600 ossadas humanas não identificadas em SP

Redação Hypeness - 25/07/2018

A prefeitura de São Paulo precisou voltar atrás na decisão de incinerar 1.600 ossadas não identificadas. Os restos mortais estavam no Cemitério da Quarta Parada, no Brás, região central da capital paulista.

A mudança de planos se deu em função de uma série de pedidos feitos por entidades de defesa dos direitos humanos, que alegavam a existência de possíveis restos mortais de vítimas da ditadura militar, vigente no Brasil entre 1964 e 1985. De acordo com pesquisas as ossadas são oriundas de exumações ocorridas entre 1941 e 2000.

O pedido, publicado em Diário Oficial, foi feito por entidades como Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condep), o Instituto Latino Americano de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (ILADH) e a Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida, entre outros.

Entidades apontam atentado à memória em incineração em massa


A reportagem do BuzzFeed News teve acesso ao processo – que corre em segredo de justiça e atestou que as ossadas estão armazenadas de forma irregular e amontoadas. Especialistas garantem que, além do DNA, é preciso manter os ossos nas melhores condições de preservação possíveis.  

Apontando um atentado ao direito à memória, defensores dos direitos humanos acusam a prefeitura de incinerar ossadas para a realização de uma ‘limpeza’ nos cemitérios em função de planos de privatização. Este ano a municipalidade estuda privatizar 22 cemitérios e o crematório da Vila Alpina. As negociações tiveram início ainda na administração de João Dória (PSDB/SP), que deixou o cargo com apenas um ano para concorrer ao governo estadual.

Em nota a prefeitura afirma que o “Serviço Funerário do Município de São Paulo esclarece que o procedimento não é inédito, tendo sido feito pela última vez em 2005, no Cemitério Quarta Parada, quando foram cremados 2.117 ossos. A prática não incide em atentado à memória e é regulamentada pelo provimento n°24/1993, da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo”.

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Foto: Reprodução


Redação Hypeness
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