Fotografia

Pesquisador encontra por acaso possível última foto de Machado de Assis em vida

por: Vitor Paiva

A última foto conhecida do escritor brasileiro Machado de Assis datava do dia 1o de setembro de 1907, numa impressionante imagem que, na realidade, mostra somente a parte de trás da cabeça do “bruxo do Cosme Velho”, como Machado era conhecido. Amparado por um homem com várias pessoas à sua volta, Machado estava sentado em um banco da Praça XV, no Rio de Janeiro, quando teve um ataque epilético – e o fotógrafo Augusto Malta clicou o momento. O tempo verbal no passado da frase acima se dá pela descoberta de uma nova foto, publicada em uma revista argentina somente 8 meses antes do escritor falecer, que pode atualizar essa história – que é possivelmente a última foto de Machado em vida.

Nessa nova foto, Machado aparece de forma muito diferente da imagem tirada por Malta: de pé, altivo, com a mão na cintura e um semblante sério, elegantemente vestindo um fraque. A foto foi publicada na revista argentina “Caras y Caretas” em edição de 25 de janeiro de 1908, e sua descoberta se deu praticamente por acaso. O publicitário paraense Felipe Rissato foi pesquisar o acervo do site da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional de España atrás de uma caricatura do Barão do Rio Branco – e acabou se deparando com a imagem de Machado em uma reportagem.

A matéria que traz a foto tem como título “Homens públicos do Brasil”, e sobre a imagem há somente uma legenda que diz: “O escritor Machado de Assis, presidente da Academia Brasileira de Letras”.

Não há maiores informações sobre a foto, mas a conclusão sobre essa ser a última imagem de Machado com vida se dá por seu ineditismo: ela não consta entre as 38 fotos catalogadas do escritor pela “Revista Brasileira”, da Academia Brasileira de Letras, que Machado ajudou a fundar em 1897.

A foto que anteriormente era considerada a última de Machado

Autor maior da literatura brasileira e primeiro presidente da Academia, Machado de Assis é um dos mais importantes escritores modernos do mundo. A qualidade e profundidade de suas narrativas e seu estilo experimental, vanguardista e único o colocam não só no topo da literatura nacional como à frente de seu tempo. Não é por acaso que Machado é cada vez mais descoberto e reconhecido por toda a parte – a fim de receber os louros, mesmo que tardios, por uma das mais importantes obras da modernidade.

O jovem Machado, aos 25 anos

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© fotos: acervo/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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