Inspiração

Professor de escola pública, técnico uruguaio prioriza o ser humano em cada jogador

por: Redação Hypeness

Se hoje o Uruguai é novamente uma seleção respeitada em todo o mundo do futebol, há pouco mais de dez anos o panorama era bem diferente. A Celeste não chegava à segunda fase da Copa desde 1990, não conseguindo nem se classificar nas eliminatórias em 1994, 1998 e 2006.

Se há um responsável pela mudança de patamar, certamente é o treinador Óscar Tabárez, chamado carinhosamente de Maestro pelos jogadores e imprensa uruguaios. O ‘Professor’ é uma expressão comumente usada no Brasil para se referir a técnicos. Mas no caso de Tabárez tem significado literal.

Diferenciado dentro e fora do futebol, o Maestro foi jogador profissional até os 32 anos, não tendo conseguido grande destaque na carreira. Após pendurar as chuteiras, passou alguns anos lecionando a língua espanhola em escolas públicas, enquanto conciliava o ensino e o trabalho como técnico. Em 2002, depois de ser demitido na Argentina, retomou a carreira como educador, passando quatro anos longe dos gramados.

E o interesse pela educação e a formação humana tem influência direta nos frutos do trabalho de Tábarez como técnico da Seleção Uruguaia, cargo que ocupa desde 2006. Ele foi o mentor de um projeto conhecido como El Proceso, ou “Processo de institucionalização de seleções e formação de seus futebolistas”.

Para começar, Tabárez convenceu a Asociación Uruguaya de Fútbol a padronizar as estruturas das seleções de base e da equipe profissional, não apenas do ponto de vista técnico e tático, mas priorizando o trabalho extracampo, estimulando ao máximo o estudo – e criando janelas entre os treinamentos dos jovens para que eles possam se dedicar à escola.

Diego Lugano, zagueiro uruguaio que foi capitão da seleção por dez anos, disse em entrevista à ESPN que Tabárez prioriza o lado humano, e não o de jogador profissional, exigindo que os atletas da seleção sejam “profissionais com valores e ética”.

Assim, o futebol uruguaio, que por décadas foi sinônimo de entradas duras e pancadas e que se aproximavam mais da violência que do esporte, voltou a ver a seleção figurar na elite mundial.

A quarta colocação na Copa de 2010 (melhor resultado desde 1970), o título da Copa América de 2011 (que o Uruguai não conquistava desde 1995) e a classificação para os Jogos Olímpicos de 2012 (depois de 84 anos de ausência) são alguns dos resultados mais expressivos.

O “Processo” do Maestro também tem resultados fora das quatro linhas, como o número considerável de atletas de base com o segundo grau completo e a união do grupo de jogadores da seleção principal – 10 dos 11 jogadores mais convocados da história da Celeste fazem ou fizeram parte da “Geração Tabárez”.

Aos 71 anos, o Maestro está precisando do auxílio de uma muleta para se locomover durante os treinamentos e jogos na Rússia.É que o treinador foi diagnosticado há dois anos com uma doença neurológica, a síndrome de Guillain-Barré, que afeta os seus nervos periféricos, mas não o impede de trabalhar. E de ensinar, como um bom professor.

Tabárez deve se aposentar do futebol profissional após a Copa, mas seus ensinamentos certamente continuarão ecoando no esporte uruguaio por muitos e muitos anos.

Publicidade

Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
O Pasquim: jornal de humor que desafiou a ditadura ganha exposição em SP ao completar 50 anos