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Pussy Riot: o importante papel das autoras da invasão da final numa Rússia ultra sexista

por: Redação Hypeness

A partir do momento em que a Rússia foi escolhida para sediar a edição de 2018 da Copa do Mundo foram muitas as especulações acerca da postura do país europeu diante de questões como diversidade e liberdade de expressão.

Entre os grupos opositores e críticos do que consideram uma postura de censura de Vladimir Putin estão justamente as feministas do Pusy Riot. Nem mesmo o grande aparato de seguranças foi suficiente para impedi-las de invadir o campo da grande final da Copa do Mundo entre Croácia e França. Detalhe, Putin acompanhou tudo em um dos camarotes do estádio em Moscou.

Vestidas de policiais, as quatro pessoas correram por volta de 50  metros, se dividindo em direções diferentes, o que tornou ainda mais inglória a missão dos desesperados seguranças. Antes de serem arrastadas para fora do campo de jogo, uma delas se dirigiu ao atleta francês Mbappé para cumprimentá-lo. Talvez sem entender o que estava acontecendo, o jovem retribuiu o gesto. O mesmo não aconteceu com o jogador croata Lovren, que além de empurrar um dos invasores, ajudou os seguranças a capturá-lo.

A ação do Pussy Riot rodou o mundo

Logo depois o Pussy Riot assumiu a autoria da invasão em postagem nas redes sociais. Em entrevista à Reuters, Olga Kurachyova, admitiu ter sido uma das pessoas que entraram em campo. Ela reportou estar sendo detida em uma delegacia de Moscou.

No Facebook, o grupo feminista deu mais detalhes sobre a motivação do ato, criticando a postura do que chamaram de ‘policial terrestre’ em referência ao caso de Oleg Sentsov, cineasta ucraniano, que por sua atuação crítica contra a anexação da Criméia pela Rússia, foi condenado a 20 anos de prisão por terrorismo. Em maio ele iniciou uma greve de fome.

“Hoje faz 11 anos desde a morte do grande poeta russo, Dmitriy Prigov. Prigov criou uma imagem de um policial, um portador da nacionalidade celestial, na cultura russa. O policial celeste, de acordo com Prigov, fala sobre os dois caminhos com o próprio Deus. O policial terrestre se prepara para dispersar comícios. O policial celestial toca gentilmente uma flor em um campo e desfruta de vitórias de times de futebol russos, enquanto o policial terrestre se sente indiferente à greve de fome de Oleg Sentsov. O policial celestial surge como um exemplo da nacionalidade, o policial terrestre fere a todos”, diz o texto.

O Pussy Riot é uma das organizações feministas mais antigas e importantes do mundo. Com trajetória marcada por protestos expressivos e em algumas ocasiões contra autoridades importantes, caso do presidente russo, estas garotas se inspiram na música, especificamente o punk, para combater o autoritarismo de figuras políticas russas.

Mbappé foi um dos atletas procurados pelas membras do grupo

O incômodo é grande e resultou recentemente na prisão por dois anos de duas membras acusadas de ‘vandalismo’. Durante os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados na cidade russa de Sochi, o Pussy Riot foi atacados com chicotadas e spray de pimenta por membros da segurança do evento.

A Rússia é tida como um dos países mais sexistas do mundo e o abismo entre gêneros ainda é enorme por estas bandas. Na câmara de deputados existem apenas 64 mulheres entre 446 parlamentares. Além disso disso, nos últimos 100 anos, existiram apenas 14 ministras do sexo feminino.

No Relatório Global de Diferenças de Gêneros de 2016, a Rússia ocupou apenas a posição número 75 entre 144 países avaliados. A disparidade, combatida por organizações como o Pussy Riot, se reflete na sociedade. Por volta de 30% os russo participantes de uma pesquisa dizem não aprovar a presença de mulheres na política.

Em tempo Veronica Nikulshina, uma das invasoras do estádio sede da final da Copa do Mundo, acaba de ser condenada a 15 dias de prisão administrativa e banida de marcar presença em eventos esportivos. A sentença vai ser cumprida em uma prisão especial.

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Fotos: Reprodução/Facebook


Redação Hypeness
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