Debate

Soldado ameaçado por beijar outro homem conta que “existem gays na PM, e muitos”

por: Redação Hypeness

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O nome de Leandro Prior, soldado da Polícia Militar de São Paulo, esteve no centro de uma discussão sobre liberdade sexual e preconceito. O PM foi flagrado, sem autorização, beijando outro homem em cena gravada na Linha 3-Vermelha do Metrô paulistano gerando uma enxurrada de comentários negativos e até ameaças de morte.

Em entrevista ao portal G1 Leandro disse ter se afastado das atividades por conta própria para a realização de tratamento médico e revelou que “95% das ameaças [recebidas] são de PMs”.

Segundo o soldado, membro do 13º Batalhão da polícia paulista, por diversas vezes foi vítima de preconceito velado e em uma ocasião alvo de ofensas explícitas de colegas da corporação.

Lembrando que o vídeo foi feito sem autorização de Leandro

“Houve um caso onde apontaram o dedo. Foi dito que ‘com ele eu não trabalho’. Foi direto, curto e grosso. E a pessoa disse: ‘você sabe por que’. Os outros casos são velados, mas esse foi o único caso mais direto antes desse caso do vídeo”, explicou.

Mesmo se tratando de uma cidade tão diversa como São Paulo, sede de uma das maiores paradas do orgulho LGBTQ do planeta, ainda é comum se deparar com manifestações de homofobia. Para Leandro, apontando não existir nenhuma orientação da corporação sobre demonstrações de afeto fora do ambiente profissional, “existem gays na PM, e muitos”.

Além de ameaças por meio das redes sociais, o policial também foi criticado pelo governador de São Paulo. Falando aos repórteres, França pontuou que “não tem sentido um policial fardado ficar fazendo gestos dentro de qualquer lugar público, é desnecessário, parece uma certa provocação desnecessária”.

Lembrando que os crimes cometidos na internet são passíveis de investigação

O que se sabe até o momento é que um membro da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar (PM) de São Paulo, vai ser investigado pela Polícia Civil em função de suspeitas de uso do Facebook para ameaçar e xingar Leandro.

Quem também se pronunciou foi a Secretária de Segurança Pública, defendendo “a dignidade da pessoa humana e não discrimina ninguém por sua orientação sexual”. Leia na íntegra:

“A Polícia Militar tem como um de seus alicerces a dignidade da pessoa humana e não discrimina ninguém por sua orientação sexual. É importante esclarecer que o policial procurou o serviço médico da instituição e foi encaminhado para tratamento de saúde no Centro de Atenção Psicológica e Social da Polícia Militar, portanto está afastado por motivo de saúde e sob orientação médica.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) já instaurou inquérito policial para investigar os comentários nas redes sociais. A Polícia Militar também instaurou procedimento para apurar a conduta do policial que fez uma das publicações.

Além da investigação, a Instituição colocou à disposição do policial militar medidas protetivas, por meio da Divisão PM Vítima, da Corregedoria. Criada em 1983, a Divisão tem como objetivo apurar crimes cometidos contra policiais militares e dar apoio às vítimas.

A conduta do PM fardado no metrô é apurada única e exclusivamente sob o aspecto administrativo, pois demonstra postura incompatível com os procedimentos de segurança que se espera de um policial fardado e armado, que exigem que esteja alerta.

Cabe destacar que não se trata de um processo administrativo, e sim de uma análise com base no regulamento disciplinar (Lei Complementar 893/2001), que orientam sobre às regras básicas de segurança e cautelas na guarda de arma. O procedimento terá início quando o policial retornar as suas atividades, o que deve ocorrer quando ele receber alta médica.

No caso do questionário citado não é utilizado pela Polícia Militar. As questões formuladas na entrevista, para o exame psicológico realizado durante concurso, são de livre escolha do profissional e não objetivam identificar a orientação sexual do candidato.”

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Fotos: Reprodução/Facebook


Redação Hypeness
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