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10 histórias inspiradoras mostram a potência de um pai presente

por: Kauê Vieira

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No dicionário, estático significa sem movimento; parado, imóvel. Ao pensar o conceito da existência humana e todos os seus significados, a definição fica apenas nas páginas deste instrumento secular da língua portuguesa. As nuances das transformações sofridas pelo exercício da paternidade nos faz refletir sobre como é mais interessante substituir a estaticidade pelo movimento.

Fazendo uma analogia com o curso das águas – nas religiões negras regidas pelas Orixás Oxum e Iemanjá, a condição de ser pai segue os rumos incertos, mas sempre objetivos das marés e correntezas dos rios de águas doces.

“Ser pai de menina e de menino é estar atento às imposições de gênero que a sociedade nos coloca. Por mais que tenhamos consciência das cores que são impostas para um e para outro, roupas, assim como os brinquedos são de criança e não para meninos e meninas”, reflete em consonância com os chamados de novos tempos Josimar Silveira, de 37 anos, autor do canal no YouTube Família Quilombo.

Os pais precisam assumir a sua responsabilidade na criação dos filhos

O amadurecimento do século 21 traz consigo questões importantes para os ‘pais modernos’. São tempos de responsabilidades, protagonismo e, sobretudo, de cuidado e zêlo. Os ensinamentos do feminismo, unidos com o combate à homofobia, transfobia e todo o tipo de ódio que impeça o surgimento do amor, são combustíveis para a construção de uma relação sólida entre pais e filhos. Uma nova formação familiar está em pleno processo de desenvolvimento.

No Hypeness, você sabe, o lance é pensar a inovação. Sem caretice, como diriam os pais dos anos 1980 durante aqueles shows inesquecíveis do Circo Voador. Por isso, você confere agora a potência de um pai presente em 10 histórias inspiradoras publicadas aqui no portal.

1. Arlindo e Jessyca

O Brasil é o líder em assassinatos e outros tipos de violência contra pessoas transexuais. Apenas nos últimos 8 anos, o país registrou a morte de 868 travestis e transexuais, segundo estudo publicado pela ONG Transgender Europe (TGEu).

Para que o cenário se altere, é preciso que a família se envolva neste momento tão importante de afirmação física e psicológica. A história do pai da primeira transexual de Jundiaí (SP) a usar nome social é de encher os olhos e coração de esperança.  

Arlindo e Jessyca, que exemplo de carinho <3

Arlindo Dias decidiu que, para proteger a filha, lhe acompanharia onde ela fosse, inclusive em bares e baladas. Além da proteção física, a atitude dele fez com que os laços entre ambos ganhassem ainda mais força.

A relação da família com a sexualidade de Jessyca sempre foi boa. Desde os 15 anos, quando assumiu para os familiares sua condição sexual, a jovem recebe total apoio, não só do pai, mas da irmã e outros parentes.  Entretanto, a demonstração de Arlindo que, antes de tudo, existe uma pessoa com sentimentos, é um alento em um cenário tão violento.

2. Pais babões e o casamento

Quem está chegando na casa dos 30 anos começa a sentir com mais intensidade a alegria de ter um pai presente. Com o envelhecimento natural causado pelo cruel, mas sábio tempo, cada instante de carinho e ternura com nossos ‘velhos’ é indispensável.

Para muita gente, o auge desta relação se consuma no casamento. Ser acompanhada pelos pais até o altar representa mais do que uma simples solenidade, é a confirmação de que ele esteve, está e estará participando de todos os momentos importantes.

Esse é um dos momentos mais lindos da paternidade

Assim, separamos as 20 fotografias com reações mais emocionadas dos pais no casamento. São homens de todas idades, com expressões e sentimentos diversos. É impossível não se deixar levar pela precisão dos cliques e o choro carregado de orgulho destes homens.

3. Pérola negra

A representatividade é imprescindível para a formação psicológica. Quanto mais cedo uma pessoa é banhada com atitudes inspiradoras de semelhantes, mais rápido ela vai passar pelo processo de aceitação.

No caso das mulheres negras, historicamente excluídas da sociedade, o fator ganha peso. Por isso, senhores pais, vocês devem estar sempre atentos os anseios de suas meninas pretinhas. Assim como fez o ator norte-americano King Keraum.

Ai, que fofurinha! Papai mandou bem nessa surpresa!

Para celebrar o terceiro aniversário de sua garotinha, fã de declarada de Beyoncé, ele resolveu preparar uma festa surpresa inspirada na coreografia de Formation. O pai chamou as colegas de Rae e vestiu todas elas com as roupas do figurino da performance apresentada em uma das edições passadas do Super Bowl. O resultado vai fazer você flutuar de amor e esperança de um mundo livre de preconceitos.

4. Pai e filha, unidos pela educação

João Monte Rodrigues, morador de uma comunidade indígena em Tapeba, região metropolitana de Fortaleza, ficou 34 anos distante das salas de aula. Tudo mudou com desemprego, momento em que decidiu retornar à escola.

A decisão ganhou ainda mais força com o incentivo da filha, Esther, de 17 anos, que estava iniciando os passos na área acadêmica. Ao lado da filha, João fez a prova do Enem, foi bem e acabou aprovado no curso de engenharia na Universidade Federal do Ceará.

Agora, pai e filha vão ser colegas de faculdade

A história de João e Esther, agora colegas de faculdade, é mais uma amostra de que o berço familiar pode ser um espaço de fecundação de coisas positivas. Imagine só a satisfação de ser a responsável pelo retorno de seu pai aos estudos depois de quase 40 anos?

5. A aceitação nasce dentro de casa

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mostrou que 83,3% dos participantes, todos gays, não se sentem apoiados pela família. Outros 59,5% conhecem alguém que foi expulso de casa por causa da homofobia.

O preocupante cenário reforça a importância da construção de relações sólidas entre pais e filhos dentro de casa. Em um mundo onde a sexualidade fora de supostos padrões é bombardeada, o apoio dentro de casa é imprescindível.

Pai, filho e o noro!

Por isso, neste Dia dos Pais, que tal fazer como Aldo Benevides, que não só aceitou a homossexualidade do filho, Abhner Benevides, mas posta fotos ao lado do noro, como ele chama, além de demonstrar apoio nas redes sociais com comentários.

O resultado não poderia ser melhor, pois desta forma Abhner diz que “meu coração dói de felicidade quando ele faz isso”.

6. Chegadas e partidas

Esta, talvez, seja a história mais comovente e inspiradora do Dia dos Pais. Aliás, não só dia dos pais, é uma reflexão que vale muito para entender as relações com a vida e, sobretudo, as construções dos alicerces das tão faladas relações humanas.

Mylena Garbin nasceu no centro da cidade de São Paulo,  mas ao longo da vida acabou se estabelecendo na Zona Sul da cidade. Neste tempo perdeu o contato com o pai. Ao completar 18 anos, resolveu procurá-lo pela cidade e acabou o encontrando na Cracolândia, na região central da capital paulista.

Desde o encontro, o pai já passou o Natal na companhia da família

Passados dois meses, ele sumiu novamente, mas ela não desistiu. Mylena seguiu exercendo trabalhos sociais e após cerca de quatro anos, mais uma vez teve a chance de estar ao lado de seu pai. Enquanto participava da Semana da Diversidade da Beleza na Cracolândia, descreveu a fisionomia dele e revelou seu apelido. Pronto, mais uma vez ela conseguiu localizá-lo.

“Disse o apelido, ninguém conheceu. Disse o nome real, as assistentes piraram, porque todas o conhecem. Foi emocionante, porque depois de 4 anos sem saber notícias do meu pai, eu pude reencontrá-lo”, contou em entrevista ao Hypeness.

Atualmente, ela vai visitá-lo pelo menos a cada duas semanas e liga toda semana para saber como ele está. O pai até passou um Natal com a família e agora as relações passam pelo processo de reconstrução. Afinal, na vida muitas coisas merecem sim uma segunda chance.

7. Oração ao tempo

Ah, o tempo. Taí uma coisa que exerce um fascínio difícil de entender. O desejo do passar dos anos vai de acordo com a conveniência das pessoas. O ideal seria que este senhor funcionasse como o freio de um carro. Ao nosso comando. Mas não é assim. Por isso, a beleza dos efeitos da passagem das décadas no ser humano.

Para registrar as nuances e mudanças provocadas pelo envelhecimento, um pai resolveu tirar a mesma foto ao lado do filho por 28 anos. O resultado é um maravilhoso case sobre a as semelhanças e diferenças do desenvolvimento.

Foram 28 anos de fotografias…

No caso do pai, vemos no primeiro instante um rapaz jovem, cabeludo e talvez ainda entendendo as responsabilidades de criar uma nova vida. Quase 30 anos depois, com o filho já adulto, dá pra ver como ele se parece com o mentor. É como se ele estivesse refazendo, mas com seus pés, a estrada construída pelo pai.

Que tal fazer o mesmo? Como diria o grande poeta Criolo, ainda há tempo!  

E os resultados ficaram por conta do tempo!

8. Sororidade

Quando tinha por volta de 11 anos de idade, Corey assistiu a entrevista de uma youtuber trans e acabou descobrindo os motivos de seu incômodo. Ela era uma menina em corpo de menino.

Aliviada, mas ao mesmo tempo angustiada com uma possível repressão dentro de casa, a jovem seguiu em frente e contou aos pais. Sucesso. A família deu todo o apoio necessário e hoje, aos 15 anos, Corey se sente feliz e preenchida com a menina que está se tornando.

A filha se descobriu trans e inspirou sua mãe a seguir o mesmo caminho

A surpresa veio quando a mãe, Erica, inspirada com a transformação vivida pela garotinha, resolveu encarar seus sentimentos. Ela também era trans e depois de passar pelo processo de mudança de sexo, se tornou Eric. Mãe e filho deram espaço para pai e filha.

“O único arrependimento que tenho é de não ter sido educado mais cedo a respeito de transgênero, para que pudesse ter feito isso antes”, revelou Eric.

9. Pai é quem cria

Segundo do Ministério Público as crianças adotadas no Brasil possuem uma uniformidade característica. São brancas, saudáveis e com menos de 5 anos de idade. A constatação, além de refletir os preconceitos sociais, gera aumento nos chamados índices de rejeição.

Para Benjamin Carpenter este perfil é o que menos importa. O britânico resolveu abandonar o trabalho e além de se dedicar completamente à paternidade, adotou quatro crianças com deficiência.

A realização do sonho não foi fácil e Benjamim teve que dedicar quatro anos de sua vida para provar que tinha condições totais de criar os pequenos. Em 2010, a justiça britânica finalmente autorizou a adoção de Jack, então com dois anos.

Feliz vida inteira, Ben!

Dois anos depois, ele se apaixonou por Ruby, uma pequena de três anos e portadora da Síndrome de Pierre Robin, que causa problemas na visão.

Na sequência veio Lily, meia-irmã de Ruby e um ano mais nova. Ela é surda, o que fez com que Ben aprendesse a linguagem de sinais e posteriormente ensinasse para os outros filhos. Joseph, com Síndrome de Down, foi quarto e por enquanto último filho.

“Todos meus filhos têm uma atitude do tipo ‘E daí que tenho uma deficiência?’”, conta. Hoje eles vivem em uma fazenda cercados de galinhas, coelho e pavões.

10. Meu cabelo, minha coroa

O cabelo crespo contém uma versatilidade impressionante. Dreads, afro, tranças, enfim, o que não faltam são ideias para variar a aparência de crespinhas e crespinhos. Quando o incentivo para aceitar e ter orgulho das madeixas vem de casa, especificamente do pai, a brincadeira fica mais empolgante.

A relação de Benny Harlem e sua filha, a pequena Jaxyn, viralizou no Instagram, servindo de exemplo para muitos homens por aí. Sempre juntos, a dupla posa para fotos conceituais exibindo os penteados mais incríveis do mundo.

Pai e filha mandando todo o estilo possível!

Inspirados nas roupas de movimentos como os Panteras Negras, Benny e Jaxyn atraem milhares de seguidores que não cansam de elogiá-los. Encrespar é incentivar o contato direto com a ancestralidade africana, mais que isso, o ato de não sucumbir aos produtos químicos significa uma segunda libertação do sistema opressor construído pela sociedade.

Papais, que tal fazerem o mesmo? Tirem muitas fotos exaltando suas coroas e mandem pra nós!

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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