Debate

Adriana Esteves relembra assédio de fotógrafos: ‘Tocavam em lugares do corpo’

por: Redação Hypeness

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Você pode associar o nome de Adriana Esteves com o de Catarina, personagem interpretada por ela na novela O Cravo e a Rosa ou com a eterna vilã Carminha, sucesso de Avenida Brasil.

Atualmente no ar em Segundo Sol, da TV Globo, a atriz revelou ter sofrido assédio sexual de fotógrafos. Isso mesmo, a global disse que em diversas ocasiões, alguns profissionais de imprensa aproveitavam o intervalo entre os cliques para passar a mão em seu corpo.

Os fatos foram narrados durante entrevista para a revista Marie Claire. Adriana pontuou que a maioria dos casos aconteceram no tempo em que trabalhava como modelo, na fase, segundo ela “que você não sabe se é menina ou mulher”.

“Agora, estamos conseguindo falar o que tem que ser falado”, diz Adriana

“Onde mais me aconteceu foi trabalhando como modelo, naquela fase que você não está preparada psicologicamente para lidar com situações como essas”.

De acordo com Adriana Esteves, casada com o também ator Vladimir Brichta, os fotógrafos cometiam os abusos de forma recorrente e com todas as modelos.

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“Havia fotógrafos abusadores que, enquanto estavam no domínio, luzes ligadas, te fotografando de biquíni, de lingerie, seguravam e tocavam em lugares do seu corpo que não eram para ser tocados. Um constrangimento horrível. Eu inventava que estava me sentindo mal, que precisava pegar meu roupão. Isso tem que acabar”, declarou.

A carioca está confirmada no elenco da série Assédio. Com direção artística de Amora Mautner, o folhetim é inspirado em A Clínica – A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, que conta a história do ex-médico especialista em reprodução humana e condenado a mais de 200 anos de prisão por abusar sexualmente de centenas de pacientes.

“Andava na rua escondendo minha feminilidade”.

O roteiro é ambientado nos anos 1990 e Adriana Esteves vive uma professora casada e que sofre com os abusos de um médico, causando o surgimento de problemas psicológicos, que resultam no fim do casamento.

“Ela para de dar aula e vai para uma clínica psiquiátrica. As vítimas desse médico se unem para denunciá-lo e colocá-lo na cadeia. A série se passa na minha geração, época que eu poderia ter feito uma inseminação e poderia ter caído na mão de um monstro deste. Muitas conhecidas fizeram e, se elas sofreram algum abuso, talvez nunca tenham contado para ninguém. Existe a vergonha de dizer para o marido, para o pai, para a melhor amiga. Agora, estamos conseguindo falar o que tem que ser falado”, explicou.

Chamando a atenção para a importância do debate, Esteves conta que durante a infância sofreu bastante com assédios, sejam eles na rua ou no transporte coletivo.

“Quando era criança, morava no subúrbio do Rio de Janeiro [Méier], e brincava na rua. Alguns homens paravam o carro e ficavam chamando as meninas. Eu sabia que aquilo estava errado e saía correndo. Mas não tinha coragem de contar em casa e meus pais não sacavam que era perigoso, a situação se repetia. Não era fácil. Passei anos tendo o pesadelo de correr de um carro, enquanto minha perna ia ficando fraca e não conseguia entrar em casa. Já mais velha, eu pegava três ônibus para chegar à zona sul, onde estudava. Dependendo do bairro, colocava um camisetão, amarrava o casaco na cintura. Andava na rua escondendo minha feminilidade. Como era cansativo! Hoje, eu gritaria, contaria para todo mundo e denunciaria”.

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Fotos: Divulgação


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.


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