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Ex-diplomata do Vaticano acusa Papa Francisco de esconder assédios de 2013

por: Redação Hypeness

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Depois da Justiça dos Estados Unidos ter anunciado a reunião de evidências suficientes de que ao menos 300 sacerdotes da Igreja Católica norte-americana cometeram abusos sexuais contra mil vítimas menores de idade foram abaladas, mais uma vez, as estruturas religião cristã.

O escândalo respingou também no Papa Francisco. O arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-diplomata do Vaticano em Washington entre 2011 e 2016, tornou pública uma carta de 11 páginas em que acusa do Pontífice de ‘acobertar’ e silenciar diante dos abusos sexais cometidos pelo cardeal norte-americano Theodre McCarrick. Viganò pede que o Papa peça ‘demissão’ do cargo.

O conteúdo é considerado sem precedentes por pessoas com acesso aos bastidores do Vaticano e surge no momento em que o Papa Francisco está viajando pela Irlanda, onde se reuniu com vítimas de abusos cometidos por sacerdotes. Em julho deste ano, Francisco retirou de McCarrick o posto de cardeal por causa das denúncias, algo incomum na Igreja desde 1928.

O ex-diplomata acusa do Pontífice de ter acobertado denúncias contra McCarrick

A carta foi publicada em veículos da mídia católica conservadora, entre eles o InfoVaticana. Esta não é a primeira vez que Viganò – influente arcebispo que já ocupou cargos importantes no Vaticano, conversou com o Papa. Logo depois de sua eleição em 2013, ele disse ter alertado o líder religioso sobre alegações envolvendo o nome de McCarrick.

“Santo Padre, não sei se o senhor conhece o cardeal McCarrick, mas se perguntar à Congregação para os Bispos, há um expediente deste tamanho sobre ele. Corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes, o papa Bento lhe obrigou a retirar-se para uma vida de oração e penitência. O Papa não fez o mínimo comentário sobre minhas graves palavras e seu rosto não mostrou nenhuma expressão de surpresa, como se já soubesse da situação há muito tempo, e em seguida mudou de assunto”, disse na carta.

Theodore McCarrick nega ter abusado sexualmente de menores de idade

Carlo Maria Viganò diz, porém, que Francisco ‘continuou encobrindo’ e não levou em consideração vetos impostos por Bento XIV. O religioso revela ainda que o Papa Francisco ainda nomeou o norte-americano ‘um conselheiro confiável’. A expectativa agora é para o pronunciamento do Pontífice.

A carta de Carlo Maria Viganò (centro) foi replicada por veículos conservadores católicos

Como foi publicado aqui no Hypeness, as centenas de padres norte-americanos envolvidos em situações de abuso sexual dentro da Igreja Católica, é resultado de dois anos de trabalho e foram colhidos depoimentos das vítimas e dos bispos.

McCarrick nega os fatos e diz estar colaborando com as autoridades do Vaticano. Entretanto, uma comissão em Nova York enxerga consistência nas acusações e Pietro Parolin – secretário de Estado do Vaticano, pediu que o cardeal abandonasse o serviço público, endossando as instruções do Papa.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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