Entrevista Hypeness

‘Me descobri pai de menina. Foi algo muito natural’, diz Marcos Mion sobre relação com a filha

por: Kauê Vieira

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O paulistano Marcos Mion é um dos principais comunicadores da atualidade. Com uma legião de seguidores, o novo apresentador do reality show A Fazenda está se destacando nos últimos tempos por unir duas ferramentas em prol de uma palavra muito falada nos dias de hoje: a família.

Com quase 9 milhões de seguidores em sua página no Instagram, Mion, que também é empresário e ator, se mostra cada vez mais confortável para falar sobre paternidade. Primeiro, o apresentador ganhou destaque ao tratar abertamente sobre a relação de afeto que mantém com o filho autista Romeo, de 13 anos.

Agora, Marcos Mion resolveu ir além e acaba de lançar o livro Pai de Menina, onde dá detalhes sobre a relação com a filha Donatella, de 9 anos. Se você acompanha seu trabalho no YouTube, certamente assistiu aos pareceres da pequena sobre os tênis mais descolados do mercado.

O livro, lançado há poucos dias em uma livraria da capital paulista, já ocupa o posto de mais vendido no mercado editorial brasileiro, na categoria Não Ficção, segundo a PublishNews, que se baseia em dados de todo o país.

Em entrevista ao Hypeness, Marcos Mion diz estar feliz com a repercussão, sobretudo entre os homens e que pretende com o livro contribuir para a mudança da construção social da masculinidade.

“Se todos homens criassem uma menina, a quantidade de ódio e de imbecis por metro quadrado diminuiria drasticamente”, afirma.

“Se todos os homens criassem uma menina, a quantidade de ódio e de imbecis diminuiria drasticamente”

De acordo com Marcos Mion, que possui ainda mais um filho homem, “a construção se deu desde o primeiro dia, quando cortei seu cordão e dei o mundo de presente pra ela”.

A proximidade desta relação está retratada nas páginas de Pai de Menina. O livro, lançado pela Editora Planeta, vai fundo em práticas educativas para desenvolver uma relação sólida entre pai e filha. A ideia é respeitar a particularidade de cada pessoa para o fomento de relacionamentos saudáveis.

“Não adianta achar que criar um elo forte e eterno com sua filha é algo que se faz rapidamente e nem que se mantém sem dedicação. É necessário entender que aquela menininha precisa do pai perto, presente, dedicado e sensível para se tornar uma mulher forte, autoconfiante e segura”, reflete.

Fruto de uma sociedade machista, a ausência da figura paterna na criação de filhas e filhos se reflete para toda a vida. No caso das meninas, os efeitos se dão principalmente na vida afetiva. Mion ressalta que se tornar pai de menina foi um processo natural e resultado de sua abertura para o amor. Surpreso com o tamanho da repercussão provocada por suas atitudes, o apresentador acredita que os homens precisam evoluir bastante.

“Eu me descobri pai de menina. Foi algo muito natural. Minha disponibilidade para amar minha filha e seu universo é infinita, mais importante que qualquer compromisso, então foi tudo muito orgânico. Tanto que meu maior susto quando comecei a ter todo esse retorno impressionante dos meus posts nas redes, que viralizam com muita facilidade quando são sobre minha relação com ela, foi porque achei que todo pai fazia essas coisas!

E quando eu realizei que na rua me paravam para falar sobre minha relação com ela mais do que sobre meu programa, eu vi que os homens estão mal mesmo nesse quesito!

“Minha disponibilidade para amar minha filha e seu universo é infinita”

Em 2016, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou estudo baseado no Censo Escolar de 2011, apontando que ao menos 5,5 milhões de crianças brasileiras não possuem o nome do pai na certidão de nascimento. Rio e São Paulo são os estados com maior incidência.

Em entrevista à Exame, Álvaro Villaça Azevedo, professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), ressalta que ter o nome do pai na certidão é um direito à personalidade e à identidade.

“É uma questão legal para que essa pessoa possa ter direito a receber herança, por exemplo”, afirma.

Marcos Mion, que é casado com Susana desde 2005, diz ter enfrentando ao lado da esposa alguns desafios, como complicações durante as gestações. Contudo, buscou transpor as barreiras apostando na fé e unidade familiar. Para ele, os homens têm que enxergar a característica de suas filhas com mais sensibilidade.

As maiores dificuldades sempre foram em relação aos outros homens, pais que não entendiam como eu não tinha problema em gritar meu amor por ela, em mergulhar no mundo feminino e me permitir tanta sensibilidade.

Porque em relação ao nosso elo, a nossa relação, nunca tive desafio algum! Pai e filha são o time mais forte! Uma conexão sem igual! Basta o pai permitir. Como digo sempre, todo pai deveria ter a chance de ter uma filha mulher”.

A reflexão proposta por Marcos Mion, seja em seu livro ou na vida cotidiana, é um reforço no chamado para se pensar uma sociedade mais inclusiva e livre de estereótipos. A criação de uma cultura de respeito às mulheres é o caminho mais seguro para a extinção das violências que fazem o Brasil um dos países mais perigosos para a vida feminina.

‘Pai de Menina’ já se tornou o livro mais vendido do Brasil

Marcos Mion é feminista? Talvez para ele não seja necessário levantar a bandeira, pois orientações propostas por essa corrente de afirmação se dão, sobretudo, na forma como o homem enxerga o lugar ocupado pela mulher.

“Muita gente me pergunta sobre o feminismo. Eu não empodero a minha filha, eu só a trato com normalidade. Claro que para

mulheres que sofrem há décadas, que sofrem tantos preconceitos simplesmente por serem mulheres e têm todas as dificuldades que a gente sabe que existem, eu concordo que tem que ser um tratamento de choque, a postura tem de ser de luta, de ‘vamos mudar isso agora custe o que custar!’.

Mas para uma criança, que não passou por isso ainda, é uma chance de colocar na cabeça dela e fazê-la crescer já sabendo que ela pode tanto quanto um menino pode. A gente tem a chance de construir uma sociedade já na igualdade, onde as meninas já aprendem que podem fazer tudo, como os meninos, sem diferença. Eu crio meus filhos assim. Faço um apelo para que todos os pais criem seus filhos assim, daí teremos uma chance real de acabar com essa desigualdade”, salienta.

Filho de psicanalista e estudante de faculdade de filosofia durante a juventude, o apresentador diz que a paixão pelos livros sempre esteve presente. Criado nos clássicos da literatura, o paulistano recorda ter lido todos na idade certa. Por isso, se ver no topo do ranking dos mais lidos entre milhares de publicações de ficção causa uma sensação diferente.

Marcos Mion ficou surpreso com o tamanho da repercussão de sua relação com os filhos

“Acho que não preciso ir adiante no que diz respeito à minha paixão pelos livros, né? Kkkkk Eu sou aquele moleque criado nos clássicos. Foi-se abrindo uma porta atrás da outra na minha mente. Da coleção básica de Shakespeare até os 14, 15 anos. Apanhador no Campo de Centeio na mesma idade. Kafka, Dante, Brecht, todos os nacionais também, até entrar nos filósofos.

Hoje que vi meu livro no topo do ranking dos mais vendidos não ficção, eu tenho que assumir que senti algo único, inédito. Por mais que já tenha conquistado tanto na minha carreira, foi uma emoção diferente. Fiquei com a cabeça aérea! Tipo teto preto!! Sensação que aquilo não tava acontecendo de verdade. Parecia que tinha, sei lá, ganhado um Oscar no sentido de ser o maior reconhecimento possível para um trabalho!

Eu sinto que o sucesso por meio da literatura me leva pra outro patamar, no caminho dos meus mestres. No caminho do legado que quero deixar. E me traz muito orgulho.

 

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Fotos: Divulgação


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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