Sustentabilidade

O que aprendi quando fiz o desafio do “pote de lixo” por uma semana

02 • 08 • 2018 às 11:21
Atualizada em 03 • 08 • 2018 às 11:20
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Lauren Singer ficou famosa por produzir apenas um pote de lixo durante quatro anos (nesse vídeo aqui ela mostra todos os resíduos gerados).

Esse é um tipo de desafio comum entre pessoas que buscam deixar de produzir lixo – por sinal, aqui tem diversos perfis que te ajudam a começar essa redução. Então, para celebrar o Julho sem Plástico, resolvi encarar essa ideia e ver o que descobria sobre meus resíduos durante a experiência.

É claro que não haveria paciência que me fizesse guardar o lixo por quatro anos, então me limitei a apenas uma semana de desafio e aqui está “todo o lixo” que produzi nestes sete dias.

Parece perfeito, não? Logo vocês vão entender que a história não é bem assim… 

O que fica de fora do “pote de lixo”

Sempre me pareceu incrível (no sentido literal da palavra) que alguém que vive em um ambiente urbano gerasse tão poucos resíduos. A verdade é que, mesmo tomando todas as atitudes possíveis nesse sentido, o lixo acontece de vez em quando.

Nessa semana, por exemplo, recebi a visita da minha sobrinha, que já chegou aqui em casa toda feliz com uma embalagem Tetra Pack de bebida achocolatada (reciclável) e um canudo (não-reciclável).

Mas como essa embalagem não aparece lá no meu pote de vidro? É aí que eu quero chegar.

Esse pote com tão pouquinho lixo (são dois esparadrapos, dois adesivos e um canudo) representa apenas aqueles itens que não são recicláveis nem compostáveis – ou seja, iriam diretamente para o aterro sanitário.

Nessa conta também não entrou (por motivos de higiene) o papel higiênico usado e resíduos orgânicos, mas isso já foi uma licença minha. Para resolver esses dois problemas, as pessoas que buscam deixar de produzir lixo costumam ter uma composteira em casa e trocam o papel pela ducha higiênica.

Mas vamos observar quais outros lixos não entraram nessa conta, por serem recicláveis? [Sim, guardei todo o lixo da semana.]

1 embalagem Tetra Pack

Reciclável, mas poucas vezes reciclada. Estas embalagens são compostas de plástico, papel e alumínio misturados, o que dificulta a reciclagem. No Brasil, apenas 27% das embalagens chamadas longa vida foram recicladas em 2011.

Vai ser cortada em duas partes, higienizada e direto pro lixo reciclável com uma reza braba para ver se alguém de fato recicla.

Um montinho de plástico

O plástico demora séculos para se decompor. Há quem diga que são apenas 400 anos, há quem afirme que são 1.000, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo, já que todo o plástico que foi criado no mundo até hoje ainda continua por aí.

Ué, não era julho sem plástico?

Felizmente, o material é reciclável. Mas, de novo, apenas 23% de todo o plástico descartado no Brasil é reciclado. O resto vai para o aterro sanitário ou acaba no mar…

Eu vivo em uma região com coleta seletiva bastante eficaz (o que não é a sorte da maioria dos brasileiros) e, como a reciclagem do plástico é simples, é bem provável que essa bolinha de lixo seja de fato reciclada. Ufa!

Um pouco de papel

Papel é de longe um dos resíduos que mais geramos aqui em casa. São embalagens, anotações, folhas de agenda usadas, convites e propagandas que chegam pelos correios… Em 2013, a taxa de reciclagem desse material foi de 59% aqui no Brasil.

2 garrafas de cerveja tipo long neck

Nem lembro como essas garrafinhas vieram parar aqui, mas o fato é que elas foram bebidas e viraram lixo, que tem só 40% de chances de ser reciclado.

E o que aprendi com o desafio do pote de lixo?

Foi juntando o lixo produzido para fotografar que eu me dei conta que esse desafio tem mais exceções do que regras – e não é só para mim! Nunca vi um potinho que mostrasse uma camisinha usada (que bom, né?) e eu espero de coração que esse povo esteja transando protegido.

Há algum tempo eu já tinha uma pulga atrás da orelha pensando que o desafio era apenas uma espécie de “jogada de marketing“, mas durante essa semana eu percebi que ele também tem um papel de autoconhecimento para quem busca repensar seu impacto.

Guardando os lixinhos, é possível observar nossos hábitos como um espectador e não como um ator e, assim, analisar de forma isenta quais pontos ainda é possível melhorar.

No fim desse curto desafio, me surpreendi positivamente ao perceber os resíduos que tinha gerado (apesar daquele monte de plástico) e passei a pensar fortemente na ideia de ter uma composteira em casa, para reduzir também aquela porção de lixo que a gente torna invisível no nosso dia a dia – quem sabe não vem um novo desafio por aí? ?

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Fotos: Mariana Dutra/Hypeness


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