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O relato emocionante da moradora do prédio onde vidraceiro despencou do 15ª andar

por: Redação Hypeness

O Brasil atravessa uma das crises mais agudas de sua história recente. Os reflexos da instabilidade política são sentidos em vários setores, principalmente na economia. Com isso, o número de desempregados bate recorde.

Segundo o IBGE, são 13, 1 milhões de pessoas desempregadas. Apenas no primeiro semestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estática registrou alta de 12,6% no número de cidadãos sem emprego. Além de desaquecer e emperrar o desenvolvimento econômico, o que pode ser sentido no crescimento de apenas 0,4% do PIB, o desemprego coloca as pessoas na informalidade.

Trabalhar em tais condições deixa o profissional vulnerável e além de não ter os direitos trabalhistas, como 13º salário e seguro desemprego garantidos, ele fica refém de condições arriscadas para o exercício da profissão.

Caso de Edmilson Ferreira, de 24 anos, que despencou da janela do 15º andar de um prédio no bairro nobre de Higienópolis, em São Paulo. O rapaz estava estudando para prestar concurso para polícia e no meio tempo fazendo um bico para garantir a renda.

O acidente aconteceu em um prédio da Avenida Higienópolis

Em relato emocionado no Facebook, a jornalista Soraya Aggege – moradora do edifício, ressalta a condição de abandono, não só da vítima, mas de toda a família. De acordo com ela, a família do jovem foi impedida de entrar no prédio e ficou aos prantos na calçada, ao lado do corpo.

“O dono da vidraçaria, os parentes do dono do apartamento, nem o condomínio  – que, para desumanizar mais a situação, barrou os parentes pobres do rapaz na calçada, deixando-os aos prantos, agarrados à grade do meu prédio por umas duas horas, enquanto a perícia não chegava para liberar o corpo estatelado no nosso jardim. A tragédia, de todos, ficou como de ninguém. Terceirizou-se”.

A Polícia Militar diz que a razão da queda se deu por uma falha no equipamento de Edmilson, tratado pelos principais veículos de comunicação como o vidraceiro. Para Soraya, o desdém com a história de um rapaz pobre, morador de uma pequena pensão no bairro central da Santa Cecília, reflete o momento de desumanização atravessado pelo Brasil.

“[Edmilson] Comprou uns 30 livros usados, arrumou um espaço para eles no pequeno cômodo que compartilha com a família em uma ‘pensão’ de Santa Cecília. Um cantinho de uns 30 m2 muito pobre e limpo, com mezanino improvisado para caber os cinco moradores e até aquele luxo da nova estante para os livros do Edmilson”, pontuou.

O Brasil está batendo recordes de pessoas trabalhando na informalidade

Edmilson ganhava por volta de R$ 1,2 mil ao mês e aos fins de semana ajudava o pai a vender coco no Minhocão. No dia do acidente, ele havia prometido levar dinheiro para a mãe, em tratamento contra um câncer, fazer o jantar.

“Eu fui tratado como um cachorro no prédio, não me deixavam entrar, minha mulher ficou na grade, em pé. Não cuidaram de nada. Mas, graças a Deus, eu tinha o meu segurinho, eu pude pagar. Entreguei meu filho de volta a Deus com dignidade”, disse Alcides, pai do jovem.

Para atenuar a situação, Soraya disse ter reunido amigos e levantado um algum dinheiro para cobrir os custos do funeral e garantir comida na casa por alguns meses.

Mesmo não sendo registrado, Edmilson Ferreira sofreu o acidente fatal enquanto trabalhava e na área social de um condomínio de luxo. Recentemente, o Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT/PI) atendeu o pleito de um funcionário, sem registro em carteira, que não havia conseguido o benefício do auxílio-doença do INSS.

Em entrevista ao Jus Brasil, o desembargador Fausto Lustosa Neto, redator designado para lavrar o acórdão, foi claro ao dizer que as ações deveriam ser aceitas, já que os patrões não registram o funcionário e tampouco efetuaram os recolhimentos previdenciários.

“Esta situação configura ato lesivo à honra e à moral não só do trabalhador, mas também do cidadão, e merece reparos pela via judicial”, completou o desembargador.

Em 2017, pela primeira vez, o trabalho sem carteira assinada e autônomo superou o número de registros formais. O IBGE apontou que o Brasil tem o menor número de pessoas sem registro na carteira desde 2012. São mais de 34 milhões de pessoas trabalhando na informalidade, contra 33 mi em vagas formais.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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