Debate

Pela primeira vez, cabelos lisos perdem o protagonismo na publicidade brasileira

por: Redação Hypeness

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Pela primeira vez, cabelos lisos não monopolizam a propaganda brasileira. De acordo com estudo realizado pela Uma Análise de Representatividade na Publicidade Brasileira, 1822 comerciais televisivos foram coletados durante uma semana no mês de fevereiro e mostram que 53% dos modelos tinham cabelos ondulados ou crespos.

Nunca antes na história os cabelos lisos responderam apenas a 26% de participação no meio publicitário. O resultado demonstra uma mudança, mesmo que tardia, de postura do mercado no Brasil.

Isso se deve, em larga escala, ao aumento do debate sobre racismo e representatividade negra no Brasil. Para se ter ideia dos efeitos das mudanças, na terceira edição da pesquisa lançada em 2016, 62% dos papéis eram interpretados por pessoas com fios lisos, enquanto ondulados ou crespos respondiam apenas por 5%.

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“Todo esse movimento em torno da transição capilar e valorização do cabelo natural não é moda, mas uma conscientização que veio para ficar. O processo de assumir os cabelos da forma como são e de ter liberdade para usá-los dessa forma é algo afirmativo e positivo, sobretudo para as crianças, que por muito tempo sofreram bullying e sentiram-se envergonhadas do próprio cabelo. É uma transformação muito importante para a sociedade”, declarou ao B9 Isabel Quirino, diretora de planejamento da Heads – uma das responsáveis pela pesquisa.

A influência da internet também deve ser considerada. Há alguns anos, as redes sociais se transformaram em incubadoras de debates importantes sobre feminismo, gênero e claro, racismo. O surgimento de influenciadoras digitais como Gabriela Oliveira e Tia Má, contribuem e muito para predominância de crespos e crespas nas telas de TV.

Nunca é demais lembrar que o Brasil possui 54% de sua população formada por homens e mulheres negras. Apenas atrás da África, o país é um dos grandes centros de afro-descendentes no mundo. Entretanto, essa vantagem nunca foi refletida pelos veículos de comunicação. Um desavisado, ao ligar a televisão, poderia acreditar que estava em um país europeu. Por isso, além da democracia capilar, o fato de protagonistas negros em comerciais de TV ter aumentado 57%, também deve ser celebrado.

 

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Foto: Divulgação


Redação Hypeness
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