Minha Casa é Hype

Por dentro do apartamento-ateliê vintage e psicodélico dos artistas Rafael Silveira e Flávia Itiberê

por: Brunella Nunes

Difícil competir com artistas no que diz respeito à criatividade. Com talento praticamente nato, a dupla Flávia Itiberê e Rafael Silveira dorme e trabalha sob o mesmo teto em Curitiba há nove anos. Ao longo do tempo, o apartamento que começou minimalista foi se transformando num baú de memórias e peças artísticas.

Foi através de amigos em comum que a artista têxtil conheceu o artista plástico, a 11 anos atrás. “Sempre íamos nos mesmos circuitos, shows e bares de rock da cidade. Aí sempre acabávamos nos encontrando e desde então temos muitas afinidades”, contou Flávia ao Hypeness.

A primeira afinidade a ser notada é a arte, é claro. Os dois possuem mentes borbulhantes para trabalhos manuais que dialogam entre si, seja por linhas ou tintas. Os bordados dela são de cair o queixo, enquanto a pintura e ilustração surrealista dele traz um frescor divertido para a cultura pop.

Olhando assim, por fora, a gente enxerga um pouco do que existe dentro desses dois corações: uma alma retrô, que flui do estilo pessoal aos detalhes do lar doce lar. Ocupando uma cobertura duplex cheia de personalidade  -  e um pé direito alto, que fez total diferença na hora da escolha de onde morar  - , o casal segue mostrando seu apreço pelas décadas passadas em cada detalhe.

Pôsteres, lambe-lambes, gravuras e pinturas permeiam todos os cômodos, enquanto um lindo papel de parede com cara de anos 70 dá vida à sala, que inclui ainda um conjunto mobiliário vintage, marcado por belos traços de design. A junção de referências rendeu um lugar inspirador e lúdico, com detalhes que eles dividem com a gente na entrevista abaixo:

Hypeness: Se pudesse descrever a sua casa hoje em poucas palavras, como descreveria?

Flávia e Rafael: Para nos a casa é aconchegante e cercada de objetos que nos inspiram.

De onde surgiu a inspiração para a decoração do local?

A inspiração vem de nossa vivência, das nossas viagens e de nossa pesquisa de artista. Gostamos de trazer pelo menos um objeto de viagem para casa, para sempre lembrar de como foi.

Como foi o processo da reforma da casa para que ela ficasse como está hoje?

Não teve uma reforma grandiosa, tudo o que foi feito na casa foi na base do faça você mesmo e aos poucos, desde pintura na parede, colocação de lambe-lambe, etc… No começo tinha poucos móveis, era bem minimalista, levou quase uma década para ficar como esta hoje em dia e ainda queremos melhorar muita coisa.

Como foi a transição do minimalismo para o ambiente lúdico e vívido que têm na casa hoje?

Esta transição aconteceu aos poucos, conforme a gente ia comprando objetos, móveis, papel de parede e plantas que nos agradavam. Também conforme tínhamos tempo disponível para se dedicar na “bricolagem caseira”. Pintamos a parede da sala de estar e da biblioteca, colamos os lambe-lambes de ilustrações científicas na parede da escada que conecta o primeiro ao segundo andar.

Adoramos a mesa de centro que nós fizemos para o ateliê. Reutilizando uma caixa de madeira que foi enviada pra gente com as obras de uma exposição do Rafael em Londres. É uma caixa de madeira bem linda, cheia de carimbos aéreos, ficamos com dó de jogar fora mas não sabíamos exatamente o que fazer. Ela ficou encostada no canto durante um tempo até que vimos o potencial dela se transformar em uma mesa de centro na qual podemos guardar muita coisa dentro! Colocamos um vidro em cima da caixa e rodinhas embaixo, hoje em dia ela fica no ateliê, com um monte de livros e plantas em cima, ficou bem industrial, combinou com a parede de tijolos de demolição do ateliê.

As coisas foram acontecendo aos poucos, não fizemos tudo de uma vez. Ficamos conjecturando uma decoração em determinado ambiente, e quando sobra um tempinho, a gente vai lá e bota a mão na massa! Outra coisa que ficamos viciados é em comprar plantas, com o tempo a “selva” vai crescendo, adoramos as plantas aquáticas também, elas estão por toda parte na casa, cada vez mais.

Qual o cômodo preferido da casa? Por quê?

O ateliê é um lugar especial, pois passamos muito de nosso tempo nele colocando em prática nossas criações.

E qual é o item de decoração que mais gosta na sua casa? 

Não existe apenas um item especial, são vários, mas a cristaleira da sala é especial, pois tem uma verdadeira coleção de nossas memórias, desde brinquedos de nossas infâncias até pequenos itens que trazemos de viagens.

Tem algum móvel que foi legado de família? Qual?

Tem um rádio/toca-disco, art déco dos anos 20 que fica na sala de estar. Nós trocamos a tradicional televisão pelo toca-discos. E não temos TV em casa, a não ser uma televisão antiguinha que serve de decoração na sala de costura!

Vocês estão na mesma casa faz um bom tempo. Já criaram raízes nesse cantinho? Acham a permanência importante?

Não sei dizer se a permanência é importante, mas que vai ser difícil sair daqui, isso vai! rs. Além de ter criado um pouquinho de raízes neste espaço, nós gostamos do nosso bairro, tem tudo o que necessitamos por perto, desde supermercado até loja que vende aviamentos! Dá pra fazer tudo a pé.

Como vocês selecionam o que sai do ateliê e vai pra decoração da casa? Imagino que não dê pra ficar com tudo…

Quando estamos em produção, nós penduramos os quadros pelas paredes, mas é por pouquíssimo tempo. Toda produção vai para a galeria, que fica em São Paulo.

O que vocês gostam de fazer nas horas vagas? Ficam mais em casa ou preferem sair?

Nós saímos quando tem shows de bandas de rock (bandas locais, underground ou de fora) ou festinhas bacanas. Como não é sempre que tem, ficamos em casa também, escutando um disco na vitrola, assistindo alguma série ou recebendo/visitando amigos para alguns drinks.

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Fotos: divulgação


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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