Matéria Especial Hypeness

Vencedor do Oscar, diretor Guillermo Del Toro quer 50% dos filmes feitos com e por mulheres

por: Janaina Pereira

Guillermo Del Toro venceu o Festival de Veneza em 2017 com A Forma da Água. Foi no Lido que o caminho vitorioso do filme e de seu diretor começou, até chegar à consagração no Oscar deste ano. Del Toro está de volta a Veneza como presidente do júri da 75ª edição do Festival. Ao seu lado, a produtora Sylvia Chang, as atrizes Trine Dyrholm e Naomi Watts, o ator Christoph Waltz, a atriz e diretora Nicole Garcia e os diretores Paolo Genovese e Malgorzata Szumowska. Eles irão assistir a 21 filmes da Mostra Competitiva e no próximo dia 8 de setembro revelarão os vencedores desta edição. Del Toro está feliz com a missão.

“Olá, gente! Eu sou o presidente do Festival de Veneza este ano”

“Estou com ótima expectativa sobre o Festival e pretendo ser apenas o presidente do júri, não o ditador do júri”,  brincou o cineasta, em entrevista a um grupo de jornalistas.
Simpático e com seu jeito bonachão, ele cativou Veneza no último ano e voltou retribuindo o carinho. “É bom retornar em circunstâncias tão especiais. Veneza tem essa janela para o mundo que eu gosto tanto. E temos que valorizar os festivais, porque são eles que nos permitem fazer filmes que depois chegarão ao grande público.”
O tom afetuoso de Del Toro muda quando o assunto é a participação feminina no mercado cinematográfico. Sério, ele comenta o quanto se incomoda com a situação da mulher no cinema. “Isso é um problema da nossa cultura de um modo geral. É uma realidade.  Espero que um dia seja tudo de igual para igual. Quero um mercado com 50% para cada lado, porque as mulheres devem sim ter seu espaço”.
Além de diretor e roteirista, ele também é produtor, e no momento está produzindo cinco filmes, três deles dirigidos por mulheres.
Isso não é um gesto, é uma necessidade. Não é uma questão de estabelecer cotas ou não, porque a desigualdade de gênero é um problema do nosso tempo.  Muitas de vocês precisam e devem ser ouvidas, porque por décadas, talvez séculos, isso não aconteceu. Precisamos de discussões como essa para a mulher ser reconhecida.

A questão também foi defendida pela atriz Naomi Watts, que volta a Veneza, festival que a projetou mundialmente em 2003 com o filme 21 Gramas, de Alejandro Gonzalez Iñarritu. “O cinema tem tantos olhares, e o olhar feminino faz parte dele. Cada um de nós pode contribuir com isso, e a mulher não deve ficar indiferente. Temos que lutar pelo nosso espaço”, disse a atriz, que representou na entrevista a ala feminina do júri.

Curiosamente, dos 21 filmes em competição nesta edição do Festival de Veneza, somente um é dirigido por mulher: The Nightingale, da australiana Jennifer Kent.

Também chama a atenção que a maioria dos filmes é protagonizado por atores. Pelo menos não dessa vez teremos a igualdade de gênero defendida por Guillermo Del Toro e Naomi Watts.

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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