Entrevista Hypeness

Aos 24, Dakota Fanning estreia na direção e vê o cinema mais feminista: ‘O #MeToo criou mudanças duradouras’

por: Janaina Pereira

A aparência frágil não mudou com o tempo, mas Dakota Fanning se tornou uma mulher cheia de personalidade, pronta para qualquer desafio. A jovem atriz de 24 anos estreou como diretora durante a 75ª ediçao do Festival de Veneza, dentro do projeto Miu Miu Women Tales, que a cada ano escolhe atrizes para dirigirem um curta metragem que seja protagonizado por uma mulher. Seu curta Hello Apartament teve boa recepção do público e da crítica e mostra que Dakota é uma diretora promissora.
Com 20 anos de carreira – ela começou ainda criança se destacando como a filha de Sean Penn em Uma Lição de Amor – Dakota nunca parou de trabalhar e de se reiventar. Passar para o lado de tras das cameras, portanto, foi apenas mais um passo em sua ja longa carreira. “Adorei o convite para participar deste projeto e estrear na direção. A ideia do roteiro vem de uma experiência pessoal. Como Ava, a protagonista do filme, lembro do momento em que vi meu apartamento pela primeira vez. Ele foi inundado com uma luz natural. O sol entrou pela janela e imediatamente me senti em casa “, conta a atriz, em entrevista ao Hypeness.

Sua estreia na direção mostra o caminho que muitas atrizes fazem, mas que nem sempre conseguem continuar. A dificuldade de uma mulher produzir e dirigir filmes ainda persiste, e Dakota se posiciona firmemente sobre isso.

Atrizes não faltam no mundo inteiro, mas é importante que as personagens femininas continuem a ter uma presença mais marcante, e que as mulheres sejam representadas de uma forma completa. Não podemos nem queremos ser reduzidas a um estereótipo. Além disso temos que ter mais diretoras, produtoras e roteiristas, pois neste mercado o espaço para a mulher continua sendo muito pequeno.

Dakota Fanning participa de diversos movimentos pela igualdade de genero no cinema, e acredita que, aos poucos, as coisas estao mudando. “Acho que o movimento #MeToo foi fundamental e desencadeou uma série de mudanças duradouras. O diálogo é certamente diferente agora, e temos mais atenção e mais respeito em algumas questões.
A atriz tambem revelou que sempre sonhou ser diretora e, mesmo sabendo das dificuldades que teria, nao desistiu “Quando eu criança esperava dirigir um filme algum dia. Mas agora descobri que não é nada fácil.  Senti a responsabilidade que teria com o elenco e cada pessoa no set. Diferente de um ator, o diretor nunca para de trabalhar. Gostei da experiência, mas preciso admitir que senti um ligeiro pânico tambem. Mas acredito que é essencial continuarmos a propor novos desafios, e eu sempre faço isso comigo mesma.
Recém formada em cinema pela Universidade de Nova York, ela pretende continuar a dirigir mas, no momento, está envolvida com as filmagens de Era uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino. Adoro atuar, mas a sensação de dirigir um filme foi ótima. E temos que ter mais mulheres na direção, então, lá vamos nós!

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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