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Charge polêmica não, né? Charge R A C I S T A

por: Redação Hypeness

Um ano depois do nascimento de sua primeira filha, Alexis Olympia Ohanian Jr., a tenista Serena Williams mostra porque é considerada a melhor da história do esporte. Após uma gravidez complicada, a atleta voltou aos palcos e acumula resultados expressivos.

Williams esteve na final de dois dos torneios mais importantes do calendário, Wimbledon e o Aberto dos Estados Unidos. O período também serviu para a tenista perceber o quanto o tênis pode ser um esporte machista e até racista.

Ao longo de 2018, Serena Williams foi alvo de comentários de colunistas sobre sua forma física. As críticas se acentuaram depois da desistência de seguir em Roland Garros por causa de uma contusão. Nem o fato de estar competindo em alto nível meses depois de ter uma filha foi considerado.

A prática de exagerar os traços de pessoas negras vem do período da escravidão

Famosa pelo espírito competitivo, Serena seguiu em frente e marcou presença na final do Abertos Estados Unidos. A norte-americana acabou derrotada por 2 sets a 0 pela japonesa Naomi Osaka. Entretanto, o que chamou a atenção foi a repercussão diante do comportamento da multicampeã. Insatisfeita com a acusação do juiz de quadra de que teria trapaceado, Serena discutiu com o árbitro de cadeira diversas vezes, chorou e no fim manteve sua posição.

Afinal, quem nunca se deparou com um atleta insatisfeito com a marcação da arbitragem? O problema veio depois, especialmente pela charge estampada por um jornal australiano. O cartunista Mark Knight, do Herald Sun, publicou um desenho racista para descrever a situação.

Os traços escolhidos por Mark são dignos dos tempos de vigência da chamada Lei Jim Crow. Na imagem, Serena é descrita com traços exagerados – lábios e quadris grandes e o cabelo esvoaçado. Enquanto isso Naomi, mulher negra e filha de mãe japonesa e pai haitiano, pasmem, é desenhada como uma loira, magra e esbelta.

A postura racista do jornal e do cartunista ganharam repercussão, causando inclusive a manifestação de personalidades como a escritora J.K. Rowling, autora da franquia Harry Potter. “Parabéns por reduzir uma das maiores atletas femininas do mundo em detalhes racistas e sexistas e transformar outra grande atleta em um detalhe sem rosto [Naomi Osaka]”, disse.  

No século 19, mulheres negras eram alvo de estereótipos racistas

Mesmo diante das críticas de machismo e sexismo, o cartunista manteve sua opinião. Em sua defesa, Mark declarou ter feito o mesmo com tenistas do sexo masculino.

Durante a primeira metade do século 20, figuras de homens e mulheres negras eram retratadas de maneira racista por cartunistas mundo afora. Entre as imagens mais chocantes está a de Sarah Baartman, exibida como aberração em eventos na Europa do século XIX. Os desenhos descreviam, de forma ofensiva, características do seu corpo.

Nos Estados Unidos, a Lei Jim Crow foi uma das principais manifestações racistas contemporâneas do país. Além de promover a segregação, proibindo negros de frequentar lugares públicos, ela se eternizou justamente pelas caricaturas e pinturas discriminatórias.

Aliás, o costume dos brancos norte-americanos de chamar negros escravizados de ‘corvos’ (crows), além de ter criado o nome da lei segregacionista, abriu espaço para apresentações em casas de shows onde artistas se pintavam de preto. Falamos do blackface.

O jornal Le Monde Diplomatique precisou se desculpar publicamente depois desta charge

Há pouco tempo, a edição brasileira do jornal francês Le Monde Diplomatique também foi alvo de críticas ao publicar uma charge racista. Para falar de reforma trabalhista, o jornal resolveu retratar a figura de um homem negro em condições que lembram os seres humanos da idade média. Não pegou bem e foi preciso se desculpar publicamente.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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