Debate

Escola vai ter que readmitir professora trans e pagar indenização de R$ 30 mil, diz Justiça

por: Redação Hypeness

O colégio Anglo, um dos mais tradicionais de São Paulo, foi obrigado pela Justiça a recontratar a professora transexual Luiza Coppieters. A sentença emitida pela juíza Diana Monteiro dos Santos, da 2ª Vara do Trabalho de Barueri, ainda obrigou a escola particular a pagar indenização de R$ 30 mil por danos morais a professora de filosofia.

Luiza, de 39 anos, foi desligada da instituição de ensino em 2015, sob a alegação de causar ‘problemas de ordem profissional’. Apesar de não detalhar os motivos, a escola nega que tenha tomado a decisão motivada pela sexualidade da educadora.

A professora não aceitou as justificativas do colégio Anglo e resolveu entrar na Justiça. Em entrevista ao G1, ela disse ter sido mandada embora depois de revelar ser transexual e cita ainda uma ‘demissão sem justa causa’.

A professora disse que sua história vai ajudar outras educadoras transexuais

“Eu acho…[que o motivo da demissão foi] por transfobia. Transfobia. Para mim foi preconceito”, declarou à época.

Ainda em entrevista ao portal, Luiza celebrou a vitória e ressaltou o caráter educativo da decisão, que segundo ela, pode abrir espaço para outras educadoras transexuais na mesma situação.

“São Paulo terá a única professora transexual em escolas privadas e a única professora lésbica publicamente assumida. [A decisão] revela o caráter machista, misógino e preconceituoso da sociedade paulista e, principalmente, do ambiente das escolas particulares”, finalizou.

Luiz Coppieters é formada pela Universidade de São Paulo (USP) e trabalhou no Anglo entre 2009 e 2013. Na época atendia pelo nome de Luiz Otávio, entretanto ao tornar pública a transição entre gêneros, começou a se vestir como mulher e ser chamada de Luiza pelos alunos. Assim como a Justiça, ela entende que a questão de gênero não está associada com o órgão sexual, por isso decidiu não passar pela cirurgia de mudança de sexo.

Nem o apoio de pais e alunos fez com que a escola mudasse de decisão

Com o tempo, ela diz ter começado a perceber uma mudança de postura da direção da escola, que a proibia de abordar temas relacionados com questão de gênero e transexualidade, além de ter reduzido sua carga de aulas. Teve mais, sua remuneração caiu de R$ 6 mil para R$ 1 mil mensais.

Em junho de 2015, ela acabou demitida por meio de uma carta. Nem o apoio de pais e alunos foi suficiente para demover a direção do Anglo de sua decisão. A situação causou uma série de problemas para Luiza, que foi despejada da casa onde morava de aluguel  e conseguiu se sustentar por meio de palestras e ajuda.

Na sentença, a juíza Diana destacou os efeitos do desligamento na vida financeira e profissional da educadora.  

“O ato de maior impacto financeiro e, consequentemente emocional na vida profissional e pessoal da reclamante foi a retirada indevida de aulas sem a redução de turmas lhe gerando queda remuneratória de aproximadamente 80%”.

Em nota, o colégio Anglo disse não haver qualquer motivação transfóbica e citou que a professora “é bem-vinda e deverá seguir, como todo o nosso quadro de professores, as obrigações de um profissional nesta área. Cumprindo seu papel de educadora e contribuindo para o desenvolvimento de nossos alunos, não temos qualquer restrição.”


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Fotos: Reprodução


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