Entrevista Hypeness

Filme argentino celebra ‘alma feminina’ no Festival de Veneza: ‘Temos que nos unir sim e lutar’

por: Janaina Pereira

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Vencedor do Leao de Prata de melhor direçao em 2015 no Festival de Veneza com o filme O Clã, o cineasta argentino Pablo Trapero voltou ao evento para lançar La Quietud, fora de competição. O drama sobre duas irmãs que se reencontrar por causa da doença do pai, chama a atenção pelo protagonismo feminino, com a marcante presença das atrizes Berenice Bèjo (O Artista) e Martina Gusmán (Leonera).

Em um ano onde Veneza apostou pouco em filmes protagonizados por mulheres, a franco-argentina Berenice (em seu primeiro filme falado em espanhol) e a argentina Martina (casada com Trapero) brilharam. Em entrevista ao Hypeness, elas falaram sobre a importância de fazer esse filme no momento atual do cinema, que busca mais espaço para as mulheres na frente e por trás das câmeras.

“Conheci o Pablo e a Martina em um Festival de Cannes, e ele notou que eu e ela somos parecidas. Pablo brincou que podiamos fazer um filme como irmãs, e o projeto começou a surgir assim. Eu nasci na Argentina, mas saí de lá muito pequena, então falo espanhol, mas não tenho tanta fluência. Foi um desafio”, contou Berenice Bèjo, que já ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo filme O Passado, em 2013.

Já Martina ressaltou a importância do protagonismo feminino no filme. “É uma história de alma feminina. O roteiro trata com delicadeza a relação dessas irmãs, suas semelhanças físicas, diferenças pessoais, a relação com a mãe, o pai e os outros homens a sua volta. É um filme sobre mulheres, feito com muita sensibilidade e paixão pelo universo feminino”.

Martina também comentou sobre o atual momento do cinema, onde as mulheres reivindicam mais espaço. “Acho que temos que celebrar a mulher, celebrar nossas conquistas e a busca por essa igualdade. Temos que nos unir sim, e lutar. Mas eu acho também que isso não é um problema apenas do cinema. A desigualdade de gênero esta presente em todos os lugares, em todas as áreas de trabalho. E acredito que este momento de falar, expor, buscar a igualdade é um momento especial e importante”.

Martina Gusmán também falou da quebra de paradigmas que esta acontecendo. “Acho que foram muitos anos em que a mulheres ficaram para trás em diversos sentidos, e agora temos que celebrar essa mudança, não só no cinema. Temos mesmo que provocar muita discussão para provar que somos todos iguais, e que todos, homens e mulheres, temos os mesmos direitos. como toda quebra de paradigmas, ela causa controvérsias, mas acredito que é importante não restringir isso ao cinema, temos que buscar a igualdade em tudo”, finalizou.

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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